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Ando a aprender Português há 18 meses, mas tenho duas perguntas:

1. What is the use of the Simple Pluperfect in spoken & written Portuguese?

2. Additionally, why is it that the Compound Pluperfect (also known as the 'Past Perfect') is preferred over the Simple Pluperfect, when in fact, the latter is incredibly easy to form? For example:

(The below examples use the Simple Pluperfect):

a) Não comprei gelado, pois, eu já comprara bolo na noite anterior.

b) Ele não precisava de cozinhar mais frango, porque a sua esposa já cozinhara ao chegar na casa.

(The below examples use the Compound Pluperfect / Past Perfect):

a) Não comprei gelado, pois, eu já tinha comprado bolo na noite anterior.

b) Ele não precisava de cozinhar mais frango, porque a sua esposa já tinha cozinhado ao chegar na casa.

Thanks much for your responses in advance.

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The good thing about the simple pluperfet, pretérito mais-que-perfeito, and the normal pluperfect, mais-que-perfeito composto from the learner's point of view is that they mean the same.

The simple pluperfect is hardly ever used in informal speech. Some people may even not feel confident in using it. And the normal pluperfect can be used even in formal language. The simple pluperfect is most common in literature.

Perhaps the most common use of the mais-que-perfeito simples in common speech is in three idiomatic expressions, where in fact it is not used as mais-que-perfeito at all: pudera, quem me dera, and tomara (eu), tomaras tu, tomáramos nós, etc. Credit to Artefacto who thought about it first.

Pudera is an interjection meaning it couldn’t be otherwise! What else would you expect?!

“O Pedro foi despedido.” ─ “Pudera! O patrão apanhou-o a roubar dinheiro da caixa.” (“Pedro was sacked.” – “Pudera! The boss caught him stealing from the till.”)

Quem me dera means I wish, I’d love (something that’s not going to happen):

Quem me dera ter um cão! Mas vivo num apartamento pequeno e teria que o deixar sozinho o dia todo. (I’d love to have a dog! But I live in a small flat, and would have to leave it alone all day.)

Quem me dera ser um pássaro! (I wish I were a bird!)

Lastly, tomara is an interjection meaning I hope, I wish, I’d love, I'll be happy if:

Vamos fazer um picnic amanhã. Tomara que não chova. (We're going to have a picnic tomorrow. I hope it won't rain.)

"O teu ex-namorado disse que iria chegar tarde." ─ "Tomara eu que ele não viesse de todo." (Your ex-boyfriend said he would be late." "I'd be happy if he didn't turn up at all.")

Now, why do people use the compound pusperfect rather than the simple one. I don't know that, but iIn fact the compound pluperfect is easier. You only have to know the past participle of the main verb (the one you want to conjugate), and you have to know it anyway for other things, and the verb ter. You can also use the verb haver instead of ter as auxiliary: ela havia cozinhado, tu havias feito. It is fairly rare though.

There is also a little issue with the simple pluperfect: in the third person plural it is the same as the simple past, pretérito perfeito, which could possibly be confusing. Compare:

Eles encontraram-me ontem, e contaram-me que te tinham encontrado no dia anterior.
Eles encontraram-me ontem, e contaram-me que te encontraram no dia anterior.

The two sentences mean the same, but in the sencond you have the same word, encontraram, to convey different tenses for the same person. It does not lead to confusion in this case, but it migh be ambiguous in others.

  • You are right. I hadn't thought about the simplicity of the compound pluperfect. – Mr Chasi Oct 1 '15 at 15:05
  • 2
    "The simple pluperfect is hardly ever used in informal speech" I guess I get to continue being that guy haha. But if used in speech, how does it come off? Just sound more refined, or downright strange? Any difference in northern Portugal where it seems the language is a bit more conservative (given Asturian and Galician both still use it in the spoken language, not sure about Mirandese). – guifa Oct 1 '15 at 17:07
  • That's an interesting question. I'll start using it around to see how people react. I can't really tell. I can't remember people using it, not even my northern friends. My guess is nobody would think less of you on account of it. Even though it sounds formal, your attitude and demeanour would be more important. – Jacinto Oct 1 '15 at 17:22
  • 1
    And addendum on Mirandese: it seems the simple form is also still used alongisde the compound. A book on it gives AST: "Cuando nós lleguemos, él yá comiera", GL: "Cuando nós chegamos, el xa comera", PT: "Quando nós chegámos, ele já tinha comido" but MWL: "Quando nós cheguemos, el yá comira (also: tenie/había comido)" – guifa Oct 1 '15 at 19:16
  • It's perfectly ok to translate to PT "ele já comera," especially from a book. – Jacinto Oct 1 '15 at 19:32
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O mais-que-perfeito simples é usado quase exclusivamente na escrita. Quando é usado na oralidade, é-o geralmente como parte de certas expressões idiomáticas exclamativas com os verbos "dar", "poder", "tomar" ou (menos comum) "prazer". Nelas, o valor desta forma verbal é equivalente não ao pretérito mais-que-perfeito composto, mas sim ao pretérito imperfeito do subjuntivo:

  • - Quem me dera ser rico! / - Tomara eu ser rico! (desejo)
  • - Tomaras tu ter um corpinho como o meu! / Quem te dera (a ti) ter um corpinho como o meu! (desejo que o locutor crê que o interlocutor deveria ter)
  • - Prouvera a Deus! (=~ "oxalá")
  • - Ele deixou de me falar... - Pudera, depois do que lhe fizeste! (não é de admirar; não podia ser de outra forma)

Sublinhe-se que se tratam de expressões idiomáticas. Os mesmos verbos usados no mais-quer-perfeito simples em frases com estruturas diferentes não teriam o mesmo significado de desejo (ou de falta de espanto, no caso de "pudera"). É provável que a maioria dos falantes nem sequer interiorizem estes usos como um mais-que-perfeito com valor de imperfeito do subjuntivo.

Tirando estas expressões idiomáticas, o valor de imperfeito do subjuntivo ouve-se ainda um pouco em outras situações, nomeadamente orações concessivas e condicionais (especialmente com "fora" e inversão sujeito-predicado):

  • Não fora (=(se) não fosse) o dinheiro para comprar silêncios, e já andaria pelos tribunais a disputar a criança.

Finalmente, há outros usos, mas estes são provavelmente ainda mais raros na oralidade do que o valor normal de passado anterior:

  • Que fora (=seria) de ti, se eu não te aconselhasse?
  • Não fossem as amizades que tem e já fora (=teria sido, tinha sido) despedido.

Até podemos combinar os vários valores:

  • E se mais mundo houvera (=houvesse), lá chegara (=chegaria). (Camões, «Os Lusíadas», VII, 14).

Em todo o caso, o uso do mais-que-perfeito simples como imperfeito do conjuntivo e (especialmente) condicional pertence mais à esfera literária.

Quando ao uso "normal" para passado anterior ao tempo de referência, é algo que se ouve na televisão (especialmente no texto preparado para os pivôs), mas muito raramente no dia-a-dia. Admiti-lo-ia talvez mais em frases enfáticas com inversão:

  • Nem nunca fizera eu (=tinha eu feito) tal coisa!

Em todo o caso, o melhor seria encontrar um estudo sobre este assunto ou analisar um corpus oral.

Passemos à escrita. Para o CETEMPúblico (textos jornalísticos), a distribuição é esta:

  • Composto com ter ([lema="ter" & temcagr="IMPF_IND"] [pos="V"]): 74107 ocorrências.
  • Composto com haver ([lema="haver" & temcagr="IMPF_IND"] [pos="V"]): 13017 ocorrências.
  • Simples ([temcagr="MQP_IND" & (word=".*ra" | word=".*ram" | word=".*ras" | word=".*reis" | word = ".*ramos")]): 88184 ocorrências.

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A anotação do CETEMPúblico está longe de perfeita, mas pelas amostras que vi > 90% dos resultados estavam bem anotados. Isto signfica que na escrita jornalística (não particularmente formal e não literária), o mais-que-perfeito simples é, se não a forma preferida, pelo menos tão usada como a forma composta com "ter" (com a ressalva de que não são sempre substituíveis). O top 5:

fora     20658
fizera   1871
foram    1696
acabara  1150
dera     1080

"Fora" é de longe a mais usada, representando mais de 20% dos resultados.

  • 2
    Esta resposta é de alta qualidade, mas não é adequada ao nível do perguntador. – ANeves Oct 1 '15 at 13:11
  • @Artefacto interessante, não sabia que no português também a forma simples havía tomado o valor condicional. Este uso considera-se fica no registro formal o deve ser evitado? – guifa Oct 1 '15 at 17:10
  • Muito interessante. Só acho duvidoso que tomara e pudera tenham o valor do pretérito do subjuntivo: tomasses tu ter um corpinho como o meu? Pudesse, depois do que lhe fizeste? Nem com o DACL lhes consigo dar significado. O DACL classifica tomara eu etc como função interjetiva. O Priberam também classifica pudera como interjeição. Mas não me custa a crer que em tempos idos pudessem ser entendidos como pretérito do subjuntivo. – Jacinto Oct 1 '15 at 17:59
  • Olhai o que eu encontrei em três páginas da Peregrinação do Mendes Pinto: como se isso lhe ouuera de ser matéria... como quem vira a morte. Mas também para que pudesse. E já agora, tinhão levado... tinha morto. – Jacinto Oct 1 '15 at 19:40
  • 2
    @Artefacto Poderia adicionar uma tradução para o inglês? Se o OP fez as perguntas em inglês, é possível que ele não possa compreender toda a sua resposta em português. – Yuuza Oct 1 '15 at 21:57

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