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O advérbio (sic) eis pode se ligar a um pronome pessoal: «ei-lo aí! quem estávamos procurando!», «Eis-me aqui, táxi». Eu, porém, só soube disso por leitura, então, não sei responder se é correto falar, mesmo que soe estranho,

«Ei-lo!», «Eis-me!», etc.

Eis a minha pergunta: é correto dizer apenas «eis-me», «eis-te», «ei-lo» sem advérbio adiante?

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  • "Sós", queres dizer se tem obrigatoriamente de vir seguido de aqui, aí, ali? Ei-lo! quem estávamos procurando! conta como só?
    – Jacinto
    Nov 29 '21 at 10:35
  • 1
    Então é fácil. Eu explicitaria era isso na pergunta.
    – Jacinto
    Nov 29 '21 at 12:11
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O dicionário Michaelis e o Ciberdúvidas dizem apenas que eis pode ser reforçado com aqui, aí ou ali; não dizem que tem de ser. E em particular ei-lo, ei-la sem aqui nem ali são-me bastante familiares. Naturalmente, o pronome tem de se referir a algo mencionado antes ou a seguir. Temos um exemplo no Dicionário da Academia de Ciências de Lisboa (2001):

eis […] Eis a noiva, ei-la!

Exemplos da Literatura:

[…] anunciaram a chegada dele. Vem vindo! Ei-lo! Saltou lesto de um landô.
José Soares de Melo, História da oração aos moços, 1974.

Conselheiro — Depois tudo te contarei. É teu noivo. Não tarde aí. (Fernando Aparece) Ei-lo.
Teatro de Artur Azevedo

E ei-la, a morte! e ei-lo, o fim!
Olavo Bilac, Antologia Poética

Com as outra pessoas gramaticais não me soa tão familiar, mas encontrei eis-me:

Deixaram-me sozinho com Silvestre, enquanto se preparavam para a emergência.
Eis-me—suspirou.
Mia Couto, Antes de nascer o mundo, 2009

Minha terra: eis-me,
Poeta sendo, rei sou
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, 1961

Bastante comum sem aqui, aí, alí, é quando vem seguido de uma descrição qualquer do estado da pessoa ou do que ela está a fazer. Exemplo do Houaiss (Lisboa, 2002):

eis […] tantos anos depois, eis-nos envelhecidos e enfraquecidos

Outros exemplos:

Eis-me a teus pés, oh Christo!
Cândido de Figueiredo, Quadros Cambiantes, 1867

E eis-me chegado, ao menos no domínio vocabular, ao campo do mais recente ensino deste Instituto […]
Estudos de ciências políticas e sociais, 1967

Portanto parece-me que o aqui, ali, etc. serve mesmo só para reforçar ou por uma questão de eufonia: simplesmente Procuravas-me? Eis-me! soa um bocado brusco. O Mia Couto escreveu simplesmente eis-me; mas o Mia Couto é o Mia Couto.

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