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A maioria das palavras terminadas em -ôr terminam em -ôra no feminino, mas a palavra senhora é uma exceção, pois, tem o aberto. Em Portugal, porém, senhora fala-se como senhôra, então não me parece ser pela etimologia.

Então por que senhora fala-se como senhóra no Brasil e não senhôra?

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  • 1
    Realmente, palavras como cantora, locutora, digitadora, diretora, trituradora, e dezenas de femininos terminados em "ora", seguem a pronuncia de seus respectivos masculinos, com um "o" fechado. Esperar-se-ia então que "senhora" seguisse a regra. Mas não segue. Desconheço o porquê.
    – Centaurus
    Oct 19 at 15:43
  • @Centaurus, realmente é curioso. Pela resposta do Stafusa, já seguiu essa regra, e em Portugal ainda segue.
    – Jacinto
    Oct 19 at 18:47
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A pronúncia aberta parece ter se tornado dominante no Brasil (relativamente) recentemente. O Houaiss, por exemplo, observa:

o timbre da vogal tônica de senhora, fechado, ainda perdura no Brasil entre idosos ou entre os pretensamente bem-falantes

E um relato no Ciberdúvidas sugere que nos anos 1990 ainda havia quem considerasse não culta a pronúncia aberta.

Pessoalmente, eu sequer conhecia a pronúncia com "o" fechado e, na minha opinião, o "o" aberto é uma pronúncia mais natural em pt-BR, em linha com "melhora" e "penhora" — embora isso obviamente varie com os dialetos locais. Então talvez este seja um ajuste orgânico, sem origem bem definida.

Seria muito interessante conhecer registros de como essa alteração se passou. Na falta deles, vale notar que no Ciberdúvidas se menciona que também em Açores o "o" em "senhora" é aberto, e a influência açoriana sobre o pt-BR, especialmente no sul do país, é bem documentada (e.g., 1, 2, 3), então esta talvez seja uma possível origem. Também se poderia especular sobre algum dialeto nordestino ou até o italiano signora, mas não encontrei evidência alguma em favor dessas hipóteses.

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  • Muito interessante. Vê lá tu que eu nem nunca me tinha apercebido desse Senhòra. Agora, e sou é cada vez mais cético acerca de influências externas na pronúncia. Fiquei muito persuadido por esta resposta do Luís Henrique, onde ele conclui que as línguas são muito recetivas a vocabulário estrangeiro, mas muito resistentes a outras influências, como na pronúncia. Essa pronúncia de senhora é exclusiva da área de imigração açoriana?
    – Jacinto
    Oct 19 at 18:36
  • Aliás, uma resposta recente tua aponta para aí também. Embora popularmente se atribua as diferenças entre a pronúncia brasileira e a europeia à influência no português brasileiro de línguas que não o português, a tua conclusão é que provavelmente é a pronúncia brasileira que se manteve mais próxima do português clássico, e portanto que foi o português europeu que mudou mais, sem nenhuma influência externa para explicar essa mudança.
    – Jacinto
    Oct 19 at 18:43
  • @Jacinto Concordo. Foi o que quis dizer com "ajuste orgânico". Se houver uma origem geográfica definida, creio que a nordestina seja mais provável que uma açoriana (como de Florianópolis), mas como o dialeto açoriano é mencionado mais de uma vez nesse contexto, achei por bem incluir. E a resposta do Luís Henrique de fato é excelente, outra língua influenciar a pronúncia ou a gramática parece mesmo ser muito difícil.
    – stafusa
    Oct 20 at 1:29
  • Pois, o que é curioso é ser só em senhora. Ou não é? Aliás, "mais natural em pt-BR, em linha com 'melhora' e 'penhora' "... não seria mais natural ser em linha com o ô fechado de cantora, locutora, digitadora, diretora, etc? (comentário do Centaurus acima.)
    – Jacinto
    Oct 20 at 6:12
  • @Jacinto Me parece mais fácil a pronúncia aberta em (nh/lh)ora, não em *ora (mas admito que não conheço muitos exemplos, pode ser um efeito de amostragem).
    – stafusa
    Oct 20 at 7:34

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