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Encontro o nome do titã Κοίος escrito como Céos e Ceos. Qual é a forma correta e, de maneira mais geral, quais são as regras para o aportuguesamento de nomes próprios da mitologia grega no Brasil e em Portugal?

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TL;DR: Creio que ambos estão corretos.

A forma correta, especialmente para nomes de uso habitual, é aquela consagrada pelo uso.

Tanto "Céos" quando "Ceos" são encontrados com frequência, e variações como, por exemplo, "Ceo" (e.g., aqui) também são usadas.

Dado que nomes da antiguidade grega são referências culturais que antecedem o próprio português, e que sempre o acompanharam, suas formas atuais resultam da evolução histórica da língua, em que regras para o aportuguesamento (ver abaixo) são apenas um dos fatores.

Essa posição é defendida, por exemplo, no artigo de 1955 de Antenor Nascentes, na Revista de História da USP (e-print), em resposta a outro artigo na mesma revista, por José Lazzarini Júnior, criticando o segundo tomo de seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguêsa. Destaco:

A etimologia postula a forma Ifigenia (com acento na silaba ni, como recomendava Julio Ribeiro), mas o uso, dissimilando, criou a forma Efigênia, com e inicial e com a terminação talvez influenciada por Eugênia.
A quem devemos obedecer? À etimologia ou ao uso? Entre uma forma etimologica morta e uma forma usual viva não trepido um só instante. Prefiro a forma viva, com todos os seus erros etimologicos.

Normas Gerais

A descrição mais extensa que encontro on-line das regras para o aportuguesamento (transcrição/romanização) foi a da página Wikipédia:Romanização/Grego, que inclui várias tabelas de correspondência e que, com relação a diacríticos, estipula:

o acento agudo [...] faz parte do sistema ELOT 743, e, por sua equivalência com o diacrítico presente no português, deve ser preservado em toda transliteração e transcrição na Wikipédia

Essa tendência à manutenção do acento agudo (e de outros) na transliteração do grego é evidente em outras fontes (por exemplo aqui ou aqui) e seria um argumento a favor da forma "Céos".

Mas aqui é importante frisar que essa norma se refere à transliteração, que não coincide necessariamente com a transcrição/aportuguesamento (vide o Ciberdúvidas). Por exemplo, o nome da ilha de Σαντορίνη seria transliterado como "Santoríni", mas também se pode grafar o topônimo sem o acento agudo e essa é inclusive a forma mais comum em português. Outro exemplo nesse sentido é o filósofo Σωκράτης, que é transliterado "Sōkrátēs" e transcrito "Sócrates".

Como exemplo de aplicação das regras de aportuguesamento da página da Wikipedia mencionada acima, podemos voltar ao titã Κοίος e considerar como seria sua tradução: " Κ " corresponde ao "C" e o ditongo " οί " a "é", mas o " ος " corresponderia, por estar após vogal, ao "u", nos dando "Céu" como tradução, ou, se tomarmos o ditongo por uma consoante, "o", resultando em "Céo".

Resta portanto explicar porque a forma "Céos" se tornou a mais adotada. Uma possibilidade talvez seja uma influência do francês que, em seu verbete sobre o titã, lista quatro possíveis grafias, todas terminadas em "os": Céos, Cœos, Coéos, Koios.

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    Sobre "Céos" e "Ceos", numa rápida busca ambos me parecem comuns, talvez se possa dizer que ambos estão corretos? Nesse caso talvez um argumento etimológico (ou outro) seja um critério válido de desempate. :)
    – stafusa
    Oct 27 '20 at 17:46
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    é uma boa resposta para situações em que há uma ou outra forma claramente consagrada pelo uso.
    – toliveira
    Oct 27 '20 at 22:39
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    @toliveira Concordo, a resposta estava limitada a apenas esse caso, então a reformulei substancialmente, e agora acredito que ela está mais geral.
    – stafusa
    Oct 28 '20 at 3:45
  • grato pela gentil reformulação!
    – toliveira
    Oct 28 '20 at 11:53

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