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As conjugações verbais no plural, excetuando-se as da terceira pessoa (ex.: souberam), implicam um pronome como sujeito.

No caso da primeira pessoa do plural (ex.: vamos), a conjugação implica que o falante fez a ação; por exemplo, em “Maria disse fomos para o mercado”, Maria foi para o mercado, independentemente de ter ido com outrem ou al. No caso da segunda pessoa do plural (ex.: sois), implica-se a participação do audiente; por “Carlos disse a João: vós me comprastes uma roupa de natal!”, temos certeza de que João comprou uma roupa.

Por isso veio a dúvida: como essas duas conjugações implicam um sujeito específico (ides implica vais, somos implica sou), será que as seguintes frases estão corretas gramaticalmente?

  1. João vamos para praia, que seria igual a João e eu vamos para praia;
  2. Carlinhos gostais disso, que seria igual a Carlinhos e tu gostais disso.

Ou ainda:

  1. Maria nos abraçamos no jogo, que seria igual a Maria e eu nós abraçamos no jogo;
  2. Eles vos pareceis bastante, que seria igual a eles e tu vos pareceis bastante.
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Não, não está correto.

Um pressuposto da pergunta está também errado.

No caso da primeira pessoa do plural (ex.: vamos), a conjugação implica que o falante fez a ação; por exemplo, em “Maria disse fomos para o mercado”, Maria foi para o mercado, independentemente de ter ido com outrem ou al

Primeiro, falta-ta aí um que. O correto é:

A Maria disse que fomos para o mercado.

Segundo, o que te está a escapar nesta frase é que ela composta por duas orações, orações essas que têm sujeitos distintos. O sujeito da oração matriz é a Maria, com o qual disse (3.ª pessoa do singular) concorda; a oração encaixada fomos para o mercado tem o sujeito omisso nós (que inclui necessariamente o falante e pelo menos mais uma pessoa, salvo exceções que não vale a pena cobrir). Neste nós pode ou não estar incluída a Maria.

No caso da segunda pessoa do plural (ex.: sois), implica-se a participação do audiente; por “Carlos disse a João: vós me comprastes uma roupa de natal!”, temos certeza de que João comprou uma roupa.

Neste caso sim, o João (o interlocutor) e mais alguém (interlocutor ou não) compraram roupa. Aqui vós é o sujeito de comprar.

João vamos para praia, que seria igual a João e eu vamos para praia;
...

Nenhuma destas frases está correta. A flexão do verbo não pode implicar um sujeito distinto daquele que está expresso (quando muito temos coisas como eu parece-me, que é abordado noutra pergunta; em todo o caso eu não é aí sujeito de parecer). Tens de dizer eu e o João ou algo do género.

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  • Obrigado pela resposta, mas acho que não entendeste o que a Maria disse, está em itálico em vez de entre aspas. Obrigado. – user4788 Oct 22 '20 at 17:14
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Eles vos pareceis bastante

Esta frase é enganadora por várias razões, por exemplo:

A eles vos pareceis bastante.

ou

Pareceis-vos bastante a eles.

O problema é que a falta do artigo definido a (ou seja, um determinante) não deixa entender que o pronome eles é complemento directo do verbo.

O artigo definido é, em geral, um mero designativo. Anteposto a um substantivo comum, serve para determiná-lo, ou seja, para apresentá-lo isolado dos outros indivíduos ou objectos (...)

in "Nova gramática do português contemporáneo", Lindley Cintra e Celso Cunha.

A razão pela qual o exemplo das frases acima não dispensa o determinante é porque o verbo "parecer" é transitivo, para ter o seu significado completo precisa de um objecto - que neste caso sem artigo definido não fica claramente determinado.

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  • Obrigado pela resposta. Será que não é preposição "a"? Posso estar errado. – user4788 Oct 22 '20 at 17:27
  • @Schilive é preposição sim, enganei-me. Quando tiver um bocado de paciência eu edito a postagem para corrigir. – bad_coder Oct 23 '20 at 8:35
  • @bsd_coder, obrigado. – user4788 Oct 23 '20 at 17:01

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