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Eu encontrei estas duas orações em um site sobre gramática.

Frituras fazem mal ao fígado. Ofereceram esmola ao mendigo.

Nessas duas orações, ao fígado é considerado complemento nominal de mal, e ao mendigo é considerado o objeto indireto de ofereceram.

Todos os testes que eu faço para diferenciar os dois casos têm resultados iguais.

Fazer algo a alguém. Oferecer algo a alguém.

Por que ao fígado não é considerado o objeto indireto do verbo fazer; e ao mendigo, complemento nominal de esmola? Existe algum teste que evidencie a diferença entre os dois?

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  • O verbo fazer ,apresentado no contexto supra, é transitivo direto: Quem faz, faz algo. Ele é utilizado como bitransitivo em poucas situações como em ser utilizado de determinada maneira: na escola, a professora fez de diretora. É comum fazermos perguntas ao verbo e adicionar uma pitada de curiosidade e isso nos leva ao erro como em: quem faz, faz algo para alguém, quem morre, morre de alguma coisa etc. Recomendo a leitura de Transitividade dos verbos das frases? – Valdeir Psr Sep 23 '20 at 14:46
  • "Ao mendigo" é claramente complemento indireto; mas é possível que haja ambiguidade no "mal ao fígado". A posição da gramática que viste é que "mal ao fígado" é complemento direto de "faz", e que "ao fígado" é complemento nominal de "mal", isto é, completa o significado de "mal". Mas este artigo no Ciberdúvidas apresenta o exemplo completamente análogo, "O tomate faz bem à saúde", e considera "à saúde" complemento indireto, sendo o complemento direto apenas "bem". – Jacinto Sep 25 '20 at 8:43
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Não vejo por que razão não se possa considerar ao fígado objeto indireto de fazer ("fazer algo a alguém/alguma coisa"). Podemos ter:

(1) Frituras fazem-lhe mal.
(2) A que é que as frituras fazem mal?

Os quais são testes típicos para identificar o objeto indireto. (1) funciona talvez melhor se lhe se referir a um ser animado, mas isso não altera a análise. E o facto de (1) admitir redobro indica também que lhe ocupa realmente uma posição argumental:

(3) Frituras só lhe fazem mal a ele.

Quando muito, podemos defender que fazer mal funciona como um predicado complexo com o significado de prejudicar e que ao fígado é um complemento deste conjunto. É uma das possibilidades apontadas neste artigo do Civerdúvidas ou nesta dissertação.

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  • Mas pode também ser classificado como complemento nominal de mal? O Cunha e Cintra classificam como complemento nominal a ambas em a vida dele era necessária a ambas, e isto também passa os testes: era-lhes necessária, a quem é que é necessária? Ou faz diferença necessária ser adjetivo? – Jacinto Sep 29 '20 at 8:52
  • Faz diferença o verbo ser ser um verbo copulativo; fazer mantém a grelha argumental de 3 lugares apesar de algum grau de gramaticalização. Na gramática da Maria Mateus é explicitamente defendido que não existe uma predicação secundária nesta construção (segunda metade da pág 313 aqui). – Artefacto Sep 29 '20 at 13:37
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Acho que nesse caso, devemos apenas prestar atenção na ideia transmitida pela oração. Vejamos.
Fritura faz mal. Pronto, não fica dúvidas nem temos sensação de faltar algo. Uma fez, que a palavra mal, por si só já completou o sentido do verbo. Toda a adição que vier, não será mais para o verbo, porque o mesmo já está com completo. Frituras fazem mal. Note que mesmo que tiremos "ao fígado", desta oração, não sentiríamos falta dele

Agora, se lhe digo, "Ofereceram esmola", logo fica a pergunta, quem? e para quem? Logo, a palavra esmola é insuficiente para completar a mensagem transmitida pelo verbo. Nesse caso, mesmo com a palavra esmola, o verbo necessita de algo mais para ter sentido completo, pois se lhe digo, "ofereceram esmolas". Ficará um vácuo em sua mente. Porque a frase está completamente vaga. Sem sentido, portanto o verbo requer algo mais para completar o sentido da mensagem enquanto que se lhe digo, frituras fazem mal, está oração está completa. Não precisa de mais nada. Para finalizar. A diferença clara é, o complemento nominal, pode ser retirado da frase, sem prejuízos à compreensão Enquanto o objeto direto e indireto é essencial em uma frase completa

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Olá! Como mencionaram, "fazer" é transitivo direto. Podemos substituir "mal" por "malefício" e veremos o complemento nominal com mais clareza. O verbo "oferecer", nesse caso, é um verbo transitivo direto e indireto, e o próprio contexto evidencia essa transitividade.

Dê uma olhada nestas páginas: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/analise-sintatica-da-frase-fazer-mal-em-provocar-me/35694#:~:text=(i)%20Mal%20desempenha%20a%20fun%C3%A7%C3%A3o,%C2%ABEle%20f%C3%A1%2Dlo.%C2%BB e https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/fazer-bem-analise-sintatica/33148.

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