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Tenho dúvida sobre como substituir ter por haver, embora já tenha visto esta pergunta.

Minha dúvida é assim: eu sei que podemos substituir ter e existir por haver. Mas por que não conjugamos o verbo haver depois da substituição? Ou seja:

Amanhã, temos uma visita de estudos no Instituto Oswaldo Cruz.

Amanhã, há uma visita de estudos no Insituto Oswaldo Cruz.

Depois da palestra, tivemos um debate.

Depois da palestra, houve um debate.

Por que não dizemos havemos?

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Conjugamos sim, se não conjugássemos ficava simplesmente "haver".

Mas conjugamos na terceira pessoa porque a construção é diferente:

Amanhã, (nós) temos (...)
Amanhã, (ele*) há (...)

Depois da palestra, (nós) tivemos um debate.
Depois da palestra, (ele*) houve um debate.

Em ambos os exemplos o haver é conjugado. Mas a construção da frase com haver tem uma estrutura diferente. O verbo haver é conjugado "impessoalmente" — sem sujeito e na terceira pessoa do singular.

Esta página explica isto adequadamente:

http://escreverbem.com.br/como-flexionar-o-verbo-haver-2/


Nota: em algumas situações o haver é usado com sujeito, e conjugado, p.e.:

Havemos de conversar sobre isso.

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Tanto o verbo ter quanto o verbo haver são tidos como impessoais. Este usado na linguagem formal e aquele na coloquial

Analisemos o seguinte enunciado, no sentido de obtermos respostas a questionamentos relevantes, como este que se faz presente, ou seja, devemos mesmo usar o verbo ter? Ou o ideal é optarmos pelo uso do verbo haver?

Tinham alunos no pátio.

Um termo nos chama a atenção acerca de sua real função em meio ao contexto linguístico: alunos, por excelência.

Retomemos, pois, àquela velha e boa dica no sentido de descobrirmos o sujeito da oração: fazer a pergunta ao verbo. O que tinham? Provavelmente que uma boa parte diria que a resposta correta seria “alunos”.

Nesse caso devemos ter o máximo de cuidado, haja vista que se trata de um verbo impessoal, portanto, sem sujeito. Dessa forma, a função do termo em pauta (alunos) é a de objeto direto, ou seja: Tinha o quê? Alunos.

Mas por que “tinha” e não “tinham”?

Ora, pelo simples fato de que se se trata de uma oração sem sujeito, o verbo, necessariamente, deverá permanecer na terceira pessoa do singular.

Nesse sentido, mesmo que o objeto esteja no plural, ele, o verbo, ficará sempre no singular. Vejamos outros casos:

Tem homens e mulheres concorrendo à vaga. Tem momentos em que nos sentimos desanimados. Na cidade tem pessoas de vários ugares.

Em todos os enunciados constatamos que o termo em destaque ocupa a função sintática já mencionada. Outro detalhe a que devemos nos atentar é que o verbo, conjugado na terceira pessoa do singular, não é grafado com o acento circunflexo (pois se assim fosse pertenceria à terceira pessoa do plural - têm).

Agora, situemo-nos mediante o padrão formal da linguagem, e façamos a seguinte pergunta: será que tais colocações a ele se encontram adequadas?

Saiba que em se tratando de situações comunicativas, tidas como formais, tais como a escrita ou até mesmo aquelas manifestadas pela oralidade, como uma entrevista, uma palestra, uma conferência, faz-se necessário o uso do verbo haver. Assim, reformulando, temos:

Há homens e mulheres concorrendo à vaga. Há momentos em que nos sentimos desanimados. Na cidade há pessoas de vários ugares.

Perceba que o verbo permanece nas mesmas condições de impessoalidade, ou seja, conjugado na terceira pessoa do singular.

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  • Limareste, bem-vindo ao site. A tua resposta passa um bocado ao lado da pergunta, que é sobre "temos uma visita de estudos", "tivemos um debate". Isto é um uso pessoal do verbo ter, não é o uso impessoal que tu explicas. A tua resposta tem mais que ver com esta outra pergunta.
    – Jacinto
    Oct 14 '20 at 11:35
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Nos teu exemplos, o verbo haver significa ’existir, acontecer’. Vejamos um exemplo mais simples:

uma árvore no quintal = Existe uma árvore no quintal

duas árvores no quintal = Existem duas árvores no quintal

Nestes exemplos, árvore(s) é o sujeito do verbo existir. Portanto, existe uma árvore (singular), existem duas árvores (plural). Mas o verbo haver, no sentido de ’existir’, não tem sujeito (árvore(s) é complemento direto); como diz o ANeves, é um verbo impessoal. Por isso é sempre conjugado na terceira pessoa do singular: há, houve, havia, etc.

No Brasil, coloquialmente, também se diz tem duas árvores no quintal. Aqui o verbo ter funciona exatamente como o haver. É disso que trata a outra pergunta que tu referiste. Mas nos teus exemplos, o verbo ter tem um sentido um pouco diferente: eu tenho uma árvore no quintal, indica que a árvore é minha; não significa simplesmente que a árvore existe. Nos teus exemplos:

Amanhã, temos uma visita de estudos

Amanhã, uma visita de estudos

O temos implica nós temos, e as pessoas vão entender que nós vamos participar na visita de estudos. Já há uma visita de estudos significa apenas que se essa visita vai acontecer; não se conclui obrigatoriamente que nós vamos. Seria perfeitamente normal dizer:

Amanhã, há uma visita de estudos, mas nós — eu e o João — não vamos porque não estamos interessados.

Mas seria um pouco estranho dizer temos uma visita de estudos, mas nós não vamos. Do mesmo modo, em tivemos um debate, entende-se que nós estivemos no debate; em houve um debate, podemos ter estado ou não.

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