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Pelo que sei, é desaconselhado usar dois pronomes oblíquos que não se contraem num mesmo verbo. "Te + a" = "ta"; além de "te", são possíveis "me", "lhe", "nos", "vos" e "lhes".

Porém, não é impossível e acontece; ex.: "sabe aquele martelo? O me traz!", como meu pai disse uma vez. Sendo assim, como se deve escrever?

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  • Não se inicia frases com pronomes oblíquos. O correto é: Traz-me o. e Não o se nega Commented Aug 5, 2020 at 11:59
  • @ValdeirPsr, põe isso numa resposta para eu poder dar up-votes ou down-votes. Na tua terra diz-se "não o se nega"? Soa a "não o sonega"... No norte de Portugal diríamos "não se o nega", talvez "não se lho nega".
    – ANeves
    Commented Aug 5, 2020 at 15:44
  • @ValdeirPsr, sim, mas é comum na fala brasileira, por isso que coloquei.
    – user4788
    Commented Aug 5, 2020 at 18:21
  • @ANeves "Não se o nega" e "Não o se nega" são equivalentes (segundo a norma), assim como "Traz-me" ou "Traz-mo" (como na resposta abaixo). Aqui, coloquialmente, falariam: "Não se nega", "me traz" etc. Commented Aug 5, 2020 at 20:52

1 Answer 1

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A contração é sempre obrigatória entre os clíticos dativos me, te, lhe, nos, vos e lhes com os clíticos acusativos o, os, a, as. (Não se inclui aqui a combinação se + o, possível nalguns dialetos; esta nunca é contraída em so).

Posto isto, temos:

Sabes aquele martelo? Mo traz.

Na variedade europeia contudo, a colocação dos clíticos antes do verbo (próclise) é proibida nesta situação (o mesmo segundo as regras estabelecidas para língua padrão no Brasil). Nesse caso, o correto seria:

Sabes aquele martelo? Traz-mo.

O uso destas contrações é relativamente incomum na oralidade, mesmo em Portugal. Normalmente é possível eliminar um dos pronomes:

Sabes aquele martelo? Trá-lo aqui.
O tal martelo, dei-te a ti ontem.

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  • Então, o correto é "não o se nega" ou "não se o nega", certo?
    – user4788
    Commented Aug 5, 2020 at 18:23
  • Obrigado pela resposta. Eu escrevi bem mal a pergunta.
    – user4788
    Commented Aug 5, 2020 at 18:24
  • 2
    Eu uso bastante mo, to, lho; menos ou mesmo raramente no-lo, vo-lo. São provavelmente as minhas raízes rurais. E o dialeto com que cresci, zona de Torres Vedras, é precisamente um desses que admite se (indefinido) + o = so, tipo "Que é que se faz a este milho?" -- "Dá-so às galinhas."
    – Jacinto
    Commented Aug 5, 2020 at 20:05
  • @Jacinto, legal. Eu não sabia que existia "so".
    – user4788
    Commented Aug 5, 2020 at 20:19
  • 1
    @Schilive, pronuncia-se como su, análogo a mo, to, lho. Diz-se na região onde eu cresci, zona rural uns 50 km a norte de Lisboa, e talvez noutras; não é padrão. Nunca vi escrito.
    – Jacinto
    Commented Aug 6, 2020 at 6:23

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