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Acho este assunto sobre "figuras de linguagem" um tanto confuso.

Quais as diferenças entre as figuras de linguagem: antítese, metonímia, metáfora, comparação e sinestesia.

Quais seriam os melhores exemplos para diferencia-las?

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  • São figuras tão distintas que fica até difícil comparar. – bfavaretto Aug 7 '15 at 14:15
  • Antítese, metonímia e sinestesia⸮ Essas não têm nada a ver com as outras; as únicas vagamente semelhantes são a comparação e a metáfora. – someonewithpc Aug 7 '15 at 14:23
  • @someonewithpc ⸮? :) – bfavaretto Aug 7 '15 at 14:51
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    @bfavaretto Marca uma pergunta retórica explicitamente en.wikipedia.org/wiki/Irony_punctuation – someonewithpc Aug 7 '15 at 14:52
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FIGURAS DE LINGUAGEM

São recursos de expressão, utilizados para ampliar o significado de um texto ou suprir a falta de termos adequados em uma frase.

As mais comuns são: antítese, metonímia, metáfora, comparação, sinestesia, paradoxo, personificação (ou prosopopeia), hipérbole, eufemismo, ironia, elipse, zeugma, pleonasmo, polissíndeto, assíndeto, onomatopeia, anáfora, , gradação e aliteração.


Antítese

A antítese consiste no uso de palavras, expressões ou ideias que se opõem.
Exemplo:

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

Vinícius de Moraes

Metonímia

É a substituição de uma palavra por outra sendo que, entre ambas, há uma proximidade de sentidos, uma relação de implicação.
Exemplos:

  • Não leu Machado de Assis.
  • Não leu a obra de Machado de Assis.

Vemos no exemplo que a obra de Machado de Assis foi substituída só pelo nome do autor. A metonímia consiste nessa substituição de palavras, dando o mesmo sentido a uma frase. A seguir, outro exemplo que reforça essa substituição:

  • A cozinha italiana é maravilhosa!
  • A comida italiana é ótima.

Metáfora

A metáfora é um tipo de comparação, mas sem os termos comparativos (tal como, como, são como, tanto quanto, etc). Na metáfora, a comparação entre dois elementos está implícita, trazendo uma relação de semelhança entre eles.
Exemplo:

Tempo é dinheiro.

Percebemos neste exemplo a relação implícita, onde o tempo é tão valoroso quanto o dinheiro, por isso ele é colocado como semelhante à moeda.

Comparação

A comparação consiste na aproximação entre dois objetos por meio de uma característica semelhante entre eles, dando a um as características do outro. Difere da metáfora porque possui, obrigatoriamente, termos comparativos. Em suma, é uma comparação explícita.
Exemplo:

Tempo é como dinheiro.

Neste exemplo vemos o principal definidor de uma comparação: a palavra como traz explicitamente a ideia de que o tempo é valoroso como o dinheiro.

Sinestesia

A sinestesia traz textos que expressam as sensações humanas, com o cruzamento de palavras referentes aos cinco sentidos.
Exemplo:

Recordação

Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas

Cecília Meireles

Aqui, vamos uma característica do olfato (cheiro) misturada com outra do tato (áspero).

Paradoxo

Paradoxo é a presença de elementos que se anulam numa frase, trazendo à tona uma situação que foge da lógica.
Exemplo:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

Luís de Camões

A situação do paradoxo aqui é clara: os elementos marcados se anulam, trazendo uma série de questionamentos. Como pode uma ferida, algo que causa dor física, não ser sentida? Como o contentamento, que causa felicidade, pode ser descontente? Como a dor pode não doer? Vemos claramente a fuga da lógica.

Personificação ou Prosopopeia

A personificação, também chamada prosopopeia, consiste na atribuição de características humanas, como sentimentos, linguagem humana e ações do homem, a coisas não-humanas.
Exemplo:

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.

Carlos Drummond de Andrade

Neste exemplo, o medo, uma sensação, é transformado em pai e companheiro, algo que só é atribuído a um ser humano.

Hipérbole

Esta figura de linguagem consiste no emprego de palavras que expressam uma ideia de exagero de forma intencional.
Exemplo:

Ela chorou rios de lágrimas.

Chorar rios remete a um choro contínuo, exagerado e o termo rios vem para enfatizar a ideia de que foi um choro intenso.

Eufemismo

O eufemismo ocorre quando utilizamos palavras ou expressões que atenuam e substituem outras que produzem um efeito desagradável e chocante.
Exemplos:

  • Faltei com a verdade ao dizer que fui à igreja.
  • Menti ao dizer que fui à igreja.

A expressão e o impacto negativo que a palavra menti traz é "suavizado" ao dizer que "faltei com a verdade".

Ironia

É a expressão de ideias com significado oposto ao que se realmente pensa ou acredita. Exemplo:

Moça linda, bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor!

Mário de Andrade

O trecho é o exemplo claro de ironia: a moça é descrita como, bonita e bem tratada, tradicional, conservadora (é de família) e burra. O destaque em "um amor", apoiando-se na descrição da moça, mostra que ela, ao contrário de ser esse "amor de pessoa", é, na verdade, alguém sem atrativos, sem graça.

Elipse

Temos elipse quando, em um texto, alguns elementos são omitidos sem ocasionar a perda de sentido, uma vez que as palavras omitidas ficam subentendidas através do contexto. Exemplos:

  • Ela está passando mal! Depressa, um médico!
  • Ela está passando mal! Depressa, chamem um médico!

Na primeira frase temos a elipse ao vermos que a palavra chamem está escondida. Não é necessário colocá-la e não há perda de sentido, porque mesmo sem ela entendemos que é necessário chamar um médico depressa porque ela está passando mal.

Zeugma

É parecido com a elipse, no entanto, só podemos identificar desta forma esta figura de linguagem quando há omissão de algo que já foi expresso no texto. Sabemos que o termo foi omitido porque já foi apresentado. Exemplo:

Canção do Exílio

Nosso céu tem mais estrelas
Nossas várzeas tem mais flores
Nossos bosques tem mais vida
Nossa vida mais amores

Gonçalves Dias

Neste trecho vemos a omissão da palavra tem no último trecho. Não foi necessário o emprego dessa palavra para entender que a vida tem mais amores, pois já houve repetição da palavra nos outros versos.

Pleonasmo

Repetição de uma ideia por meio de outras palavras. É utilizado como forma de ênfase e, além de ser figura de linguagem, é classificada como vício. A diferença entre a figura de linguagem e o vício de linguagem é simples: para ser figura de linguagem, o pleonasmo vem de forma intencional, para dar mais expressividade no texto, enquanto no vício vem como uma repetição não intencional e desnecessária. Exemplo:

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro (Embora a manhã já estivesse avançada). Chovia. Chovia uma triste chuva de resignação Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.

Manuel Bandeira

A repetição proposital de Manuel Bandeira ao dizer que "chovia uma chuva" intensifica a ideia de que estava chovendo.

Polissíndeto

Consiste na repetição de conjunções para garantir um texto mais expressivo. Exemplo:

O olhar para trás

E o olhar estaria ansioso esperando
E a cabeça ao sabor da mágoa balançada
E o coração fugindo e o coração voltando
E os minutos passando e os minutos passando...

Vinícius de Moraes

A conjunção e vem para caracterizar o polissíndeto, trazendo ações e sensações que ocorrem de forma contínua e rápida.

Assíndeto

O assíndeto ocorre quando há omissão das conjunções. Exemplo:

Morte no avião

Acordo para a morte.
Barbeio-me, visto-me, calço-me.

Carlos Drummond de Andrade

A conjunção geralmente é substituída por vírgula, como no exemplo.

Onomatopeia

Temos onomatopeia quando há o uso de palavras que reproduzem os sons de seres vivos e objetos. É mais comum em história em quadrinhos.

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Anáfora

Consiste na repetição de palavras ou expressões com o objetivo de enfatizar uma ideia. Exemplo:

Elegia Desesperada

Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres Que ninguém mais merece tanto amor e amizade Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade

*Vinícius de Moraes

Gradação

Nesta figura as ideias aparecem de forma crescente ou decrescente dentro de um texto. Exemplo:

Meia noite em ponto em Xangai

A mulher foi-se encolhendo, agarrada aos braços da poltrona.
Cravou o olhar esgazeado no retângulo negro do céu.
Encolheu-se mais ainda, cruzando os braços.
Limpou as mãos pegajosas no brocado da bata.
Susteve a respiração.

Lygia Fagundes Telles

Aqui a gradação crescente vem trazendo uma ideia da sensação do medo que vai aumentando.

Aliteração

Consiste na repetição de consoantes em uma sequência de palavras, trazendo um texto com um efeito sonoro. Confira um exemplo no trecho da música Chove Chuva de Jorge Ben Jor:

Chove, chuva, chove sem parar

Neste caso, o ch repetido vem para dar a sonoridade da chuva, além de dar ritmo à música de Jorge Ben Jor.

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Figuras de linguagem são maneiras de tornar as mensagens que emitimos mais expressivas. São subdivididas em figuras de som, figuras de palavras, figuras de pensamento e figuras de construção.


ANTÍTESE

É uma figura de pensamento, consiste na utilização de dois termos que contrastam entre si. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. O contraste que se estabelece serve, essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos envolvidos que não se conseguiria com a exposição isolada dos mesmos.

Exemplos:

  • O mito é o nada que é tudo.
  • O corpo é grande e a alma é pequena.
  • Quando um muro separa, uma ponte une.
  • Desceu aos pântanos com os tapires; subiu aos Andes com os condores.
  • Felicidade e tristeza tomaram conta de sua alma.

METONÍMIA

É uma figura de palavra, consiste em empregar um termo no lugar de outro, >havendo entre ambos estreita afinidade ou relação de sentido.

Exemplos:

  • Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (= Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis.)

  • Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócrates tomou veneno.)

  • Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= Bebeu todo o líquido que estava no cálice.)


METÁFORA

Também é uma figura de palavra, consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas em virtude da circunstância de que o nosso espírito as associa e depreende entre elas certas semelhanças. É importante notar que a metáfora tem um caráter subjetivo e momentâneo; se a metáfora se cristalizar, deixará de ser metáfora e passará a ser catacrese (é o que ocorre, por exemplo, com "pé de alface", "perna da mesa", "braço da cadeira").

Obs.: toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.

Observe a gradação no processo metafórico abaixo:

  • Seus olhos são como luzes brilhantes. (=Este exemplo mostra uma comparação evidente, através do emprego da palavra como.)

Observe agora:

  • Seus olhos são luzes brilhantes. (=Nesse exemplo não há mais uma comparação (note a ausência da partícula comparativa), e sim um símile, ou seja, qualidade do que é semelhante.)

Por fim, no exemplo:

  • As luzes brilhantes olhavam-me. (=Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. Essa é a verdadeira metáfora.)

Mais exemplos:

  • Meu pensamento é um rio subterrâneo (=Nesse caso, a metáfora é possível na medida em que o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio subterrâneo e seu pensamento [pode estar relacionando a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.]

  • Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar algum (=Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, na frase acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão que indica uma alma rústica e abandonada [e angustiadamente inútil], há uma comparação subentendida: Minha alma é tão rústica, abandonada [e inútil] quanto uma estrada de terra que leva a lugar algum)


COMPARAÇÃO

Consiste na aproximação de dois termos entre os quais existe alguma relação de semelhança, como na metáfora. A comparação, porém, é feita por meio de um conectivo (com, como, parecia e etc.) e busca realçar determinada qualidade do meio termo (como, tal, qual, assim, quanto etc.)*

Exemplos:

  • O Amor queima como o fogo.
  • O mar canta como um canário.
  • A cidade, adormecida, parecia um cemitério sem fim.

SINESTESIA

Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.

Exemplos:

  • Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito = auditivo; áspero = tátil)

  • No silêncio negro do seu quarto, aguardava os acontecimentos. (silêncio = auditivo; negro = visual)


Existem várias outras figuras de linguagem, mas essas são as que você citou.

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