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Ao dividir silabicamente, por que separa-se "ss" e "rr"? Se juntas formam um mesmo fonema, não faria mais sentido deixá-las juntas?

Exemplos:

fer-ro
pro-fes-sor

  • Não achei uma resposta pra isso, dizem que são digrafos que não pertencem a mesma silaba, mas nunca explica o motivo... – RodrigoBorth Jul 14 '15 at 19:20
  • 4
    Segundo minha antiga professora era por que estas letras brigavam... kkkk =P – MateusDemboski Jul 14 '15 at 20:13
  • 2
    @MateusDemboski também aprendi assim!! Hahaha... Será que tivemos a mesma professora ou essa é a única explicação que há? :P – Math Jul 14 '15 at 20:16
  • 1
    Se pretender saber como se dividem as palavras na mudança de linha nos documentos oficiais da União Europeia pode ver aqui. Quanto à razão é sobretudo uma convenção, fundada na soletração, mas que se desvia dela em casos pontuais como este. – Américo Tavares Jul 15 '15 at 21:38
  • Uma professora me explica que em latim a duplicação de uma consoante significa que a consoante termina uma sílaba e também inicia a próxima. Ao pesquisar no Wikipedia e no Google, parece falsa esta ideia. E claramente não se aplica a português. Mas talvez esta ideia pode ser um motivo para esta divisão silábica? Ou pode ser feito assim simplesmente para parecer mais bonito na página. – Dan Getz Jul 15 '15 at 21:40
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-rr- is pronounced like a first letter r-.
-ss- is pronounced like a first letter s- (and like a final -s in some dialects, esp. Brazilian Portuguese from the South of Brazil).

So

..........ar-
ro...........
..........as-
su...........
.............

is pretty readable and helps you "bridge the gap". Many other languages use the same trick: English (drop-ping), French (pour-ra), German (ren-nen). As far as I can tell, the hyphenation here occurs within a single phoneme, too. (Spanish (ca-rro) could also hyphenate rr as r-r, but that wouldn't work for ll, like ca-lle. In Spanish all other double letters only occur across morpheme boundaries.)

I think the main reason would be readability/continuity from one line to the next.


-rr- é pronounciado como a primeira letra r-.
-ss- é pronounciado como a primeira letra s- (e como a última letra -s no português brasileiro do sul do Brasil).

Então

..........ar-
ro...........
..........as-
su...........
.............

é bem legível e ajuda em eliminar "o fosso". Outras línguas também usam o mesmo truque: inglês (drop-ping), francês (pour-ra), alemão (ren-nen). Nestes exemplos, o hífen é usado no meio do fonema também. (Em espanhol (ca-rro) também teria a possibilidade de inserir o hífen como r-r, mas não no caso de ll (ca-lle). Em espanhol outras consoantes duplas só ocorrem através de morfemas.)

Então eu acho que o motivo principal seria a legibilidade e a continuidade de uma para a próxima linha.

  • Coloquei uma tradução tentativa e agradeço sempre edições quaisquer (também sem comentário). Obrigado! – Earthliŋ Jul 16 '15 at 2:59
  • 2
    Makes sense, although it's not always the case that ss and word-final s are pronounced the same. – Dan Getz Jul 16 '15 at 3:17
  • 1
    @DanGetz You’re quite right that those are not always the same. In Portugal word-final (and indeed syllable-final) ‑s is subject to both mandatory palatalization (always) and usually also to voicing through regressive assimilation if the next sound is voiced, whereas ‑ss‑ (and of course also ç) never is subject to either of those phonologic effects. There are simple minimal pairs for this, like podes versus pode-se: in Portugal those differ only in that the first version is palatalized but the second one is not, since it is perceived as word-initial (well, clitic-initial). – tchrist Jul 16 '15 at 3:45
  • 1
    @tchrist But then s- at the end of a line would never be confused to be word final. (But of course, some dialects don't require that for palatalization. I think in Rio bisnetos would be [biʃnɛtuʃ].) – Earthliŋ Jul 16 '15 at 3:53
  • 1
    True. In Lisbon the first s of bisnetos is certainly [ʒ], since n is voiced. The second one may be [ʒ] or it may be [ʃ]; it depends what comes next. All this [ʒ] all over the place is part of why most and perhaps all dialects of European Portuguese often sound “Slavic” to non-Portuguese speakers who’ve never heard those dialects before. – tchrist Jul 16 '15 at 4:03
4

Um livro meu dizia que era apenas por “simetria” (??!).

Mesmo com as tentativas de explicação, no fim parece uma arbitrariedade em analogia com o que outras línguas fazem, mas para o português a utilidade é pouca. Em outras línguas (francês¹, inglês²...) a presença de uma consoante dupla modifica o som da vogal anterior (encurtando ou abrindo a vogal, por exemplo), então faz sentido na escrita evitar deixar a vogal no fim da sílaba. O português deve ter copiado isso enquanto o espanhol “corrigiu” e deixa o -rr no começo da outra linha.

(¹) le × les, appeler (aplê) × appelle (apél)

(²) be × bet, write (ráit) × written (ríten)

(eu ia escrever como comentário, mas como ficou grande...)

  • Inglês tem mais exceções que regras, ou digamos inúmeras regras, se assim quisermos mapear e explicar todos os casos. Provavelmente há regras, vamos chamar de casos, que não se encaixam nesse argumento da separação silábica (há flap T quando seria D, D quando seria T, e toda a variedade possível na pronúncia americana, só no caso do T. Se formos contar a pronúncia Britânica, as "regas" de pronúncia são outras) – Luciano Jul 19 '18 at 19:29
  • Inglês é confuso mesmo. Talvez um exemplo com outra língua germânica, que usasse a mesma ideia de consoantes duplas (mas sem tantas irregularidades) fosse melhor, mas daí eu não saberia dar um bom exemplo para ilustrar... Além do mais, nunca entendi a separação silábica em inglês, parece desafiar qualquer lógica que eu possa imaginar. – marcus Jul 20 '18 at 20:02
  • É porque no inglês tudo é exceção, sobretudo quando se trata de pronúncia (um pouco de exagero mas é quase isso). – Luciano Jul 20 '18 at 20:09

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