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Isto é uma pergunta na qual já penso há alguns anos. Daquelas coisas, que está sempre à frente dos nossos olhos mas, talvez não reparamos ou, nos habituamos a não reparar.

Português na coluna da esquerda; Latim na coluna da direita:

  • Trê+s - Tres
  • Ter+ço - Tercius
  • Tri+ângulo - Triangulus

  • Tre+ze - Tredecim

As minhas perguntas são estas:

  1. Consideramos os três morfemas Tre, Ter, Tri como sendo alomorfes entre si? E portanto um mesmo morfema, com 3 formas diferentes? (Nestes casos o morfema é sempre raiz, excepto no triângulo onde é prefixo.)

  2. Nesse caso o que chamamos ao +s ( o s aqui não podemos considerar como morfema do plural por a palavra ser singular), +ço, +ângulo, +ze?

  3. No caso do +ângulo seria palavra composta, por justaposição. Mas no +ze do Tre+ze (olhando para o Latim) implicava o morfema dez ter sido invertido e perdido a consoante d. O que chamariamos a esse morfema, e ao processo que o inverteu?

  4. Considerariamos o Tre e o Tri como sendo apofonias (e alomorfe) por troca de uma única vogal?

  5. Podemos reparar que o Três, por acaso, até é considerado protoindo-europeu pelos linguístas. (Este ponto 5 não é pergunta, só uma nota que deixo.)

  6. Numa análise sintagmática o que seria aqui significante, significado, etc?

Eu nunca encontrei um livro que explicasse isto com autoridade - agradeço referências na literatura. Acho uma pena, por serem numerais de uso quotidiano.

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Quanto à pergunta 3, acredito que a palavra em latim "tredecim" ([ˈt̪rɛ.d̪ɛ.kɪ̃]) tenha originado a partir, primeiramente, da perda do "m" final, seguida da passagem do latim ɪ > e; então a elisão do /d/ medial e a simplificação da vogal dupla. A variação de e era muito comum no período do português antigo, pois representavam as africadas t͡s e d͡z. No italiano, não houve a dita elisão, tornando-se tredici. Tredecim > tredeci > *tredece > *treeze > treze Porém, acredito que essa pergunta seria melhor respondida no StackExchange de lingüística.

Edição: outra coisa que notei, é que de trēs temos tri-, de duo temos di- e de unus, temos uni- etc. Me parece um padrão.

  • Gostei muito da tua resposta. Acho que tem muito valor. Indicaste o caminho para ler e aprender sobre este processo de evolução fonética e de ortografia. Não respondi antes porque a metodologia que aqui partilhaste não é comum de encontrar. Sinceramente, fiquei "sem como". Só não vou aceitar a tua resposta, porque quero convidar outros membros a responder. Seria interessante mais alguém elaborar ainda mais sobre esta questão. Por agora, não vou postar isto no SE de linguística. Obrigado @ᚹᛟᛞᚨᚾᚨᛉ. – bad_coder Jan 9 at 5:03

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