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Recentemente, estava eu procurando algumas frases para analisar sintaticamente e, ao encontrar duas frases semelhantes, analisei os termos destacados da seguinte forma: adjunto adnominal e predicativo do sujeito, respectivamente

O homem nervoso entrou no banco.

O homem, nervoso, entrou no banco.

Porém, corrigiram-me afirmando que o correto é adjunto adnominal e aposto, respectivamente.

Afinal de contas, o termo destacado entre vírgulas é um predicativo do sujeito ou um aposto?

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É predicativo do sujeito. Este tipo de casos vem tratado na Nova Gramática do Português Contemporâneo de Celso Cunha e Lindley Cintra (Lisboa, 2014, p. 210-11). Essencialmente a diferença é que o aposto designa a mesma entidade que o termo a que se refere, como um turista inglês em:

O homem, um turista inglês, entrou no banco.

Se substituirmos um turista inglês por nervoso ou outro adjetivo, então já não será aposto, mas sim predicativo do sujeito, pois designa apenas uma característica do homem e não o próprio homem. Passo a citar a Nova Gramática:

Aposto e predicativo

Com o APOSTO atribui-se a um substantivo a propriedade representada por outro substantivo. Os dois termos designam sempre o mesmo ser, o mesmo objeto, o mesmo facto ou a mesma ideia.

Por isso, o APOSTO não deve ser confundido com o adjetivo que, em função de PREDICATIVO, costuma vir separado do substantivo que modifica por uma pausa sensível (indicada geralmente por vírgula na escrita). Numa oração como a seguinte:

E a noite vai descendo muda e calma… (Florbela Espanca, S, 60.)

que também poderia ser enunciada :

E a noite, muda e calma, vai descendo…

ou:

E, muda e calma, a noite vai descendo…

muda e calma é PREDICATIVO de um predicado verbo-nominal.

Dependendo do contexto, o nosso exemplo pode enquadrar-se neste caso. Teríamos então:

O homem, nervoso, entrou no banco = O homem entrou nervoso no banco

Neste caso, nervoso apenas descreve o estado do homem quando entrou no banco. Outra possibilidade é nervoso indicar a causa de ele ter entrado no banco, como em:

O homem passava à frente do banco quando foi assediado por marginais. Então o homem, nervoso, entrou no banco.

Neste caso, nervoso equivale a porque ficou nervoso ou porque era nervoso. Este é o caso que a Nova Gramática trata de seguida:

O mesmo raciocínio aplica-se à análise de orações elípticas, cujo corpo se reduz a um adjetivo que nelas desempenha a função de PREDICATIVO. É o caso de frases do tipo:

Rico, desdenhava dos humildes.

em que rico não é aposto. Equivale a uma oração adverbial de causa [= porque era rico], dentro da qual exerce função de PREDICATIVO.

Este exemplo da Nova Gramática poderia estar melhor explicado. Obviamente, rico tem de se referir a alguém mencionado anteriormente, tipo, “Vasco, rico, desdenhava dos humildes”. A Nova Gramática remata com:

O adjetivo, enquanto adjetivo, «não pode exercer a função de APOSTO, porque designa uma característica do ser ou coisa, e não o próprio ser ou a própria coisa» [referência omitida].

Encontramos a mesma distinção em Português: Aposto explicativo não deve ser confundido com predicativo de Thaís Nicoleti de Camargo (Folha de São Paulo, 17-7-2002).

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