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Porque é que em Portugal se escreve "género" e no Brasil "gênero"?

Já vi mais palavras deste género e gostaria de saber o porquê desta diferença.

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    Eu não sabia disto, seria um caso de pronuncia? – Guilherme Nascimento Jul 21 '15 at 12:49
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    Tem algumas palavras em espanhol que só varia a silaba tônica. Às vezes, fica muito esquisito quando faço a pronuncia errada. Dá pra notar a surpresa da outra pessoa. "Cleopatra", p.ex. – brasofilo Jul 21 '15 at 13:33
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    @brasofilo fica difícil perceber como você diz "Cleopatra". Não consigo imaginar outra forma, que não a minha, de falar. – Jorge B. Jul 21 '15 at 13:35
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    No caso do meu exemplo, acabo de me informar, se chama Palavras Heterotônicas. Será que o caso de duas pronúncias também? . . . Che, eu deixaria a pergunta aberta por mais um tempo antes de aceitar uma resposta, acho que motiva mais que postem outras, but just my 2¢ – brasofilo Jul 21 '15 at 14:11
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    @brasofilo e em Portugal dizemos... "Cli·ó·pa·tra". Curioso, eh? :) – ANeves Nov 11 '15 at 10:24
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É porque as palavras como aquelas têm duas pronúncias atuais, uma com vogal aberta em Portugal e outra com vogal fechada em (grande parte do) Brasil.

Do artigo de Wikipédia sobre o Acordo Ortográfico de 1990:

Surgem assim as duplas grafias em certas palavras nas vogais tónicas e e o que soam abertas em Portugal e nos países africanos, recebendo, por isso, acento agudo, mas que são de timbre fechado em grande parte do Brasil, grafando-se por conseguinte com acento circunflexo: académico e acadêmico, cómodo e cômodo, efémero e efêmero, fenómeno e fenômeno, ónus e ônus, pónei e pônei, Vénus e Vênus, matiné e matinê, judo e judô, etc. Os casos de dupla acentuação gráfica abrangem aproximadamente 1,27% do vocabulário geral da língua.

A teoria é que deverias escrever qualquer das duas formas, dependendo do que realmente dizes na tua fala normal.

  • Adorava poder ouvir a dizerem "gênero" para ver a diferença. Tens 2 erros "En teoria" e "actuales" que nem sei o que é. – Jorge B. Jul 21 '15 at 13:02
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    @JorgeB. Sempre podes editá-lo tu mesmo, sabes: tudo o que escrevemos aqui é um esforço colaborativo, ou deve ser assim. Suspeito que tinhas alguma idéia (e bastante boa) sobre o que eu deveria ter escrito. :) – tchrist Jul 21 '15 at 13:19
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    @JorgeB. “Deves escrever o que dizes.” Se tens um e fechado, escreve-lo dessa maneira, mas se tens um e aberto, escreve-lo assim. – tchrist Jul 21 '15 at 13:31
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    @JorgeB. Não deturpei (eita!!!), é curiosidade, pode ser que o Translate do seu browser use a voz em "português europeu". – Guilherme Nascimento Jul 21 '15 at 13:38
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    @JorgeB. Vê o meu comentário acima. – Jacinto Nov 11 '15 at 12:34
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Em Portugal, numa tentativa de unificar as grafias adotou-se a regra de que quando o timbre da vogal pré-nasal é variavel usa-se o acento agudo apenas para demarcar a silaba tonica (à semelhança do que acontece em também, convém, etc).

No Brasil optou-se por grafar com acento circunflexo as vogais pré-nasais.

Portanto tem-se quilómetro, termómetro, andrómeda, etc, em Portugal e quilômetro, termômetro, andrômeda, etc, no Brasil.

Emprego do acento circunflexo nas vogais a, e e o tónicas dos vocábulos proparoxítonos, quando elas são seguidas de sílaba iniciada por consoante nasal e são invariavelmente fechadas na pronúncia de Portugal e do Brasil. (Exemplos: câmara, pânico, fêmea, cômoro.) Emprego do acento agudo em vez do circunflexo, quando não se dá essa invariabilidade de timbre. (Exemplos: académico, edénico, anatómico, demónio.) O mesmo se observará em relação aos paroxítonos que, precisando de acentuação gráfica, estejam em idênticas condições. (Exemplos: Ámon, fémur, Vénus, abdómen, bónus.)
Observe-se que o acento agudo nos sobreditos casos de pronúncia não invariável serve apenas para indicar a tonicidade, e não o timbre.

Fonte: Acordo Ortografico de 1945.

  • O que dizes acerca de Portugal está em contradição com o Acordo Ortográfico 1990, Base XI, ponto 3: "Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas/tônicas grafadas e ou o estão em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais grafadas m ou n, conforme o seu timbre é, respetivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua." Portanto não é so para "demarcar a silaba tonica"; também assinala o timbre. – Jacinto Aug 10 '17 at 17:43
  • @Jacinto O AO45 dizia que naquela situação o acento agudo não indicava o timbre. Aparentemente o AO90 já não dá essa indicação de não haver marcação do timbre, mas parece que na pratica não alterou os acentos nessa situação, mantendo-se como ficaram definidos pelo AO45. – Rui Fonseca Aug 11 '17 at 14:20
  • O AO45 era para ser aplicado em Portugal e no Brasil (mas o Brasil não o chegou a aplicar). Daí que para unificar as grafias de Portugal e Brasil se prescrevesse o circunflexo quando o timbre era "invariavelmente fechad[o] na pronúncia de Portugal e do Brasil", mas o agudo quando houvesse divergência (aberto em Portugal mas não no Brasil). O AO90 simplesmente admite a dupla grafia neste último caso. – Jacinto Aug 11 '17 at 15:02

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