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Escuto pessoas usando as duas formas mas não consigo entender a diferença, se tiver uma. Pesquisei um pouco no Google e fiquei entendendo que "ter de" é para obrigação e "ter que" para probabilidade, mas isso não concorda com o uso diário que encontro.

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    O que você quer dizer com "probabilidade"? Teria algum exemplo de frase com esse sentido? Não me recordo de já ter visto essa expressão sendo usada dessa forma. – mgibsonbr Jul 20 '15 at 4:07
  • Já pesquisei acerca disto no passado e na minha opinião e de acordo com este link, as respostas abaixo não estão completamente corretas. – Git Gud Jul 20 '15 at 10:48
  • @GitGud poderá elaborar a sua opinião? – Armfoot Jul 20 '15 at 11:51
  • @Armfoot De acordo com o link acima, "ter que" nada tem a ver com probabilidade. Das várias vezes que li acerca disto, esta é a primeira em que vejo falar de probabilidade. – Git Gud Jul 20 '15 at 12:08
  • @GitGud quando se fala numa possibilidade de algo acontecer, existe uma probabilidade (deriva do Latim probare = provar ou testar) associada ao acontecimento: "tem que fazer" ou "tem que experimentar" sugere implicitamente a probabilidade de algo acontecer. Daí a interpretação do Jorge: o Sandy, autor da pergunta, acabou por confirmar em baixo que se referia à possibilidade inerente a "ter que experimentar". Nessa página do ciberduvidas, este caso não foi considerado. – Armfoot Jul 20 '15 at 13:19
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[English]

The grammatical tradition have insisted in ter de as the correct expression to refer to necessity or obligation.

However, the form ter que starts being registered even by lexicographers as synonym of ter de [...], I have to admit that the use of ter que is practically legitimated.

«que fazer», «que contar», «que estudar», «que comer», «que dizer» assume, [...] as if they could be replaced by «trabalho» or «afazeres», «relatos», «estudo», «comida», «palavras», etc.: «ele tem que fazer» = ele tem trabalho, tem afazeres; «ele tem que comer» = ele tem comida; «ele não tem que dizer» = ele não tem palavras.

And between the verb «ter» and the relative pronoun «que» may be added an undefined one (tanto, muito, pouco).

The expression ter que may be related to probability if we see it with a suggestion perspective of a possibility. E.g.:

Jorge B. said that você/tu tem/tens que experimentar sushi.

So Jorge suggest that there's a possibility and probability for you to eat sushi and like it, however in the end you may or may not follow this suggestion (without obligatoriness of accomplishment).

However, the idea of obligation is present in ter de, as refereed:

Ter de distinguish from ter que, because in the first case is present the idea of obligation, of necessity, of duty, while in the second is present the idea of to give an information about what the speaker have or hold on hands.

You can read more at ciberduvidas, «Ter que» vs. «ter de» and at Dúvidas sobre o «ter de» e o «ter que» .


[Português]

A tradição gramatical tem insistido em ter de como a expressão correta para referir a necessidade ou a obrigação.

Contudo, a forma ter que começa a ser registada até por lexicógrafos como sinónima de ter de [...], tenho de reconhecer que o uso de ter que está praticamente legitimado.

«que fazer», «que contar», «que estudar», «que comer», «que dizer» assumem, [...] como se pudessem ser substituídos por «trabalho» ou «afazeres», «relatos», «estudo», «comida», «palavras», etc.: «ele tem que fazer» = ele tem trabalho, tem afazeres; «ele tem que comer» = ele tem comida; «ele não tem que dizer» = ele não tem palavras.

E entre o verbo «ter» e o pronome relativo «que» poderá ser colocado um indefinido (tanto, muito, pouco).

A expressão ter que poderá estar relacionada com probabilidade se a virmos numa perspetiva de sugestão de uma possibilidade. E.g.:

O Jorge B. disse que você/tu tem/tens que experimentar sushi.

O Jorge sugere então que existe uma possibilidade e probabilidade de você comer sushi e gostar, porém no final pode ou não seguir essa sugestão (sem obrigatoriedade de concretização).

No entanto, a ideia de obrigação está presente em ter de, como referiu:

Ter de distingue-se, pois, de ter que, porque no primeiro caso está presente a ideia da obrigação, da necessidade, do dever, enquanto no segundo está presente a de dar uma informação sobre o que o emissor possui ou tem em mãos.

Pode ler mais em ciberduvidas, «Ter que» vs. «ter de» e em Dúvidas sobre o «ter de» e o «ter que» .

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    A sua pesquisa foi muito boa, embora eu não tenha ficado muito esclarecido. Até estou com dificuldades em saber qual das duas formas eu uso e porquê. Acho que o que o AP queria dizer é que é mais usado "Tens de lavar os dentes agora!" como ordem. E "tens que experimentar sushi" como probabilidade (probabilidade no sentido de ser provável e não obrigatório). – Jorge B. Jul 20 '15 at 10:27
  • @JorgeB. obrigado Jorge, porém isso não será uma sugestão de uma possibilidade em vez de probabilidade propriamente dita? Vou incluir o seu exemplo de qualquer forma. – Armfoot Jul 20 '15 at 10:30
  • Sim, acho que era possibilidade que o AP queria dizer, ele que me corrija se eu estiver enganado. Foi assim que eu percebi quando li a pergunta. Até ia responder, mas não tenho factos sólidos para corroborar a minha teoria. – Jorge B. Jul 20 '15 at 10:32
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    "Possibilidade" pode ser melhor sim, ou "sugestão". Os exemplos nos comentários aqui são bons e mostram a diferença que entendo entre as duas formas. Alguém sabe se isso tudo se aplica no Brasil só, ou em Portugal também? Estava pensando que pode ser uma influência de español de "tener que" e "hay que" para expressar obrigação. – Sandy MacPherson Jul 20 '15 at 12:12
  • @SandyMacPherson creio que o "hay que" em Espanhol será mais aproximado a "há que" em Português que tem, de facto, algumas semelhanças às duas expressões que apresentou. – Armfoot Jul 20 '15 at 13:23
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Em ‘ter de’, a preposição de refere-se ao substantivo verbal que precede, no sentido de ‘ter necessidade de fazer algo’:

Tenho de comprar pão : onde ‘comprar pão’ é objecto de uma necessidade

Já em ‘ter que’, o que é um pronome relativo que se refere ao que tem de ser feito. Existe aqui mais uma obrigatoriedade do que uma necessidade:

Tenho que comprar pão:, isto é, tenho algo para fazer que é comprar pão.

Referência: Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem, por Rodrigo de Sá Nogueira (citado em Dicionário de Dúvidas, Dificuldades e Subtilezas da Língua Portuguesa, por Edite Estrela e outros).

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  • Vê o meu comentário da outra resposta, diz exatamente o contrário. – Jorge B. Jul 20 '15 at 10:28
  • @JorgeB. Sim, a questão parece levantar bastantes dúvidas. A fonte que citei diz explicitamente que de é usado em situações de necessidade. No uso do que não refere obrigatoriedade, mas é a forma como eu interpreto. No seu exemplo: "Tens que experimentar sushi", eu entendo como um convite que é como uma 'obrigação educada', como se eu dissesse "Eu acho mesmo que deves experimentar sushi". Se eu disser "Tens de experimentar sushi", não sinto aqui tanta veemência, mas apenas uma sugestão. – Sérgio Pereira Jul 21 '15 at 19:41
  • É um assunto complicado. Mais na base do que parece do que o que será o correto – Jorge B. Jul 21 '15 at 19:54
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Numa perspetiva de coerencia, o que em ter que significa algo, tal como nas seguintes frases:

  • Tenho muito que fazer (= tenho muita coisa para fazer).
  • Não tenho nada que comer (= não tenho nada para comer).

Como tal, temos também:

  • Tenho que fazer… (= tenho algo para fazer)
  • Tenho que comer… (= tenho algo para comer)

Por outro lado, a expressão com de no lugar de que expressa necessidade, obrigação, etc:

  • Tenho de fazer… (= necessito de fazer)
  • Tenho de comer… (= necessito de comer)

Agora, de um ponto de vista de uso, muitos falantes usam tenho que no sentido de tenho de.

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No Brasil pelo menos, as frases são perfeitamente sinônimas. Não é o caso das expressões "há de", que indica um futuro previsível (Essa moda ridícula há de ser proibida = Essa moda ridícula vai ser proibida) e "há que", que indica a necessidade de uma ação (Essa moda ridícula há que ser proibida = Essa moda ridícula precisa ser proibida). Talvez essa distinção leve alguns a acreditar que Essa moda ridícula tem de acabar é diferente de Essa moda ridícula tem que acabar, mas no uso cotidiano ambas são equivalentes, tanto no padrão (no qual talvez "tem que" seja marginalmente preferível) quanto no coloquial.

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  • Note-se no entanto que "há que" é considerada uma expressão castelhana. Repare-se na frase "não há que comer", que em português significa não há nada para comer. – Rui Fonseca Sep 4 '17 at 10:44

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