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Certa vez levei uma multa de trânsito aqui na cidade de São Paulo. No meu momento de ignorância cheguei até a postar um vídeo numa rede social tirando sarro da palavra cincoenta:

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"CENTO E NOVENTA E UM REAIS E CINCOENTA E TRES CENTAVOS"

Fiz algumas pesquisas na internet e muitas delas me apontaram que certa palavra não existe e que o correto seria cinquenta. Citaram inclusive que a palavra quatorze poderia ser substituída por catorze, mas com cinquenta isso não acontece.

Essa palavra pode ser escrita dessa forma? Há algo a respeito no português de Portugal ou de outros países?

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    Na ortografia do século 19, essa palavra existia; mas na ortografia atual, acho que "cincoenta" é errado em todos os países lusófonos. Veja a expressão "cincoenta cruzados" neste exemplo que sublinhei. O conto "Os três conselhos" aparece numa coletânea de contos populares de Portugal publicada no século 19. – Seninha Jan 12 '18 at 20:12
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Vários sites e dicionários de diferentes países confirmam que cincoenta é incorreto já há bastante tempo.

A referência mais recente que encontro (numa busca cursiva) que lista a palavra é o Novo Diccionário Da Língua Portuguesa (1913) (também citado no TheFreeDictionary). E Seninha aponta em seu comentário seu uso num conto português publicado no século 19 (figura abaixo).

Talvez exista uma pequena chance deste erro ter alguma relação com o hábito de preencher cheques com grafia propositalmente incorreta para os números (e.g., hum ao invés de um) numa suposta tentativa de dificultar falsificações.

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  • Se não me engano, essa ortografia foi atualizada pela reforma ortográfica de 1911, pela qual "légoa" e "cincoenta" virou "légua" e "cinquenta"; com algumas exceções como "mágoa" e "páscoa". Como que escrever errado dificultaria falsificações? – Seninha Jan 13 '18 at 12:31
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    @Seninha, O argumento seria que dificultaria, e.g., transformar um "um" em "vinte e um", suponho que haja suficiente espaço em branco. Sobre ter sido numa das reformas, se você tiver uma referência, incluo na resposta. – stafusa Jan 13 '18 at 13:53
  • Item XX da reforma de 1911 – Seninha Jan 13 '18 at 14:44
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    @Seninha, Sou leigo no assunto, mas não me sinto confiante na sua interpretação: para mim a frase de abertura do item XX, "Continua o emprêgo tradicional de o átono valendo por u", indica justamente que as exceções como as que você menciona são isso, exceções, que os 'o's em geral permanecem. Inclusive encontrei o dicionário que menciono de 1913 (dicionario-aberto.net/dict.pdf), cujo autor lista "cinquenta" como "Outra forma de cincoenta [...] pouco diffundida, embora exacta" - e "extravagante", pg. 9, o que pode por outro indicar que se trata de mera inércia frente à reforma... – stafusa Jan 14 '18 at 0:21
  • Também sou leigo no assunto. Disse que "se não me engano foi pela reforma de 1911" porque os textos com "légoa", "lingoagem" e "cincoenta" foram desaparecendo (ao menos dos corpus em que pesquiso) pelas décadas de 10 e 20 do século passado, daí inferi ser por causa dessa reforma, que coincide com o início desse época; mas não tenho nenhuma certeza de que foi por isso mesmo, só reparei na coincidência. O uso de "o" em "cincoenta" tbm tem o agravante de se apoiar em "cinco", com o qual é morfologicamente relacionado, tal como "mágoa" se apoia em "magoar", o que explicaria sua persistência. – Seninha Jan 15 '18 at 13:19

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