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Uma das impressões que tenho no sotaque do Porto é que as vogais não são pronunciadas de forma plana, como se fossem ditonguizadas.

Por exemplo, o que estás a fazer no Porto? soa-me o que está a faziâr no Puârto?

É mesmo assim que pronunciam ou é impressão minha?

  • Tens certeza de que soam como ditongos crescentes (-iâr, -uâr-)? Para mim soam como ditongos decrescentes (fazeir, Pourto). A primeira opção (a dos crescentes) parece ser mais um hispanófono tentando falar português (hacier, Puerto). – Seninha Oct 15 '17 at 1:47
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Eu acho que há uma tendência para a nasalização e prolongamento dos «o» fechados, não necessariamente antes do r.
Bom também fica "boum", por exemplo.

Este binho do puorto é mesmo boum!

Aliás, de vogais em geral:

  • Alguns «o» fechados ficam «u»: «cumbersa»
  • Alguns «e» fechados ficam «ei»: «bermeilho», «beim»;
  • Alguns «a» abertos ficam «ai»: «cascailho»;
  • Etc.

Mas decide por ti próprio; soa assim:

"Vai no Batalha" - Teatro de Marionetas do Porto
https://www.youtube.com/watch?v=tXrzK9Xbzvg

Excerto de "Vai no Batalha"-Teatro de Marionetas do Porto. A epopeia de Fredo Brilhantinas para obter a licença de "arrumbador de biaturas ligeiras na cambra municipal do puerto".

O Fredo Brilhantinas tem um sotaque portuense bem cerrado, e usa muitas expressões locais. É uma representação muito fiel. [1]
O Senhor Moutinho tem um sotaque limpo.


[1] Note-se que o sotaque portuense é algo raro hoje em dia: tanto devido à influência dos média; como à uniformização da linguagem devida ao sistema de ensino; como à diluição de regionalismos devido ao êxodo rural e às migrações inter-cidades.
Usam-se ainda bastantes expressões, mas o sotaque perde-se. :(

  • 1
    Também percebo ditonguização nalguns dialetos brasileiros, mas sempre em sílabas fechadas (terminadas em consoantes). Como, na língua portuguesa, as únicas consoantes que encerram sílaba produtivamente são ⟨r, s~z, l, n~m⟩, acaba que são nesses contextos que "bem" vira "beim" e "vez" vira "vêis". Quanto ao "vermeilho", talvez seja a conservação de um traço arcaico, já que este /i/ já ocorria antigamente ("vermelho < *vermeilo < *vermeclo < vermiclum", o mesmo com cascalho e outros). – Seninha Oct 16 '17 at 18:19
  • Vejo bastante ditongação nesse vídeo mesmo sem ser antes do R: sinhuâr, quiâ, purfeitamiante. – Rui Fonseca Oct 16 '17 at 21:05
  • @Seninha no Porto, «vez» mantém o mesmo e: «bêz»; mas o resto sim, faz todo o sentido... no que consigo acompanhar. :) – ANeves Oct 17 '17 at 2:40
  • @RuiFonseca por alguma razão cismei que a tua pergunta era só sobre o «o»... tenho de re-escrever isto amanhã, com foco nas vogais e não só no «o». Vou ter de ler também sobre ditonguização, que pareço ter metido água. Amanhã. :) – ANeves Oct 17 '17 at 2:42
  • 1
    @Seninha - Em São Paulo creio que há ditongação mesmo em sílabas sem consoante pós-vocálica: intereisse, cachourro, bataata. Minha impressão é que as vogais tônicas foram alongadas para reforçar o acento, e depois o final da consoante longa "caiu" para uma mais fechada: rabanete -> rabane:te -> rabaneite. – Luís Henrique Oct 17 '17 at 13:37

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