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Pilim, bago, bufunfa, paus, vintém, verba e dindin provam que existem muitas formas de se referir ao dinheiro, seja euro ou real. Existem dois termos que me intrigam muito.

É muito comum, em situações informais, diálogos como:

– Quanto a coca?
– Dois conto.

No sul brasileiro escuto bastante o termo "pila" para se referir ao dinheiro:

– E o chocolate?
– Quatro pila.

"Conto" pra mim é narrativa. Vi que "pila" é de pilantra.

Qual é a origem dos termos "pila" e "conto" no contexto monetário?

  • "Conto" vem de "Conto de Réis", uma quantidade da moeda "Réis", usada nos territórios do Império Português (até ser substituída pelo Cruzeiro no Brasil e pelo Escudo em Portugal, que também foram substituídos). Vintém também era um múltiplo de Réis (igual a 20 réis). – Seninha Sep 29 '17 at 2:05
  • 1
    Aqui no Brasil, "conto" ainda se usa com a moeda atual, mas perdeu o sentido multiplicador (x1000) para a maioria dos falantes. "2 contos" é quase sempre o mesmo que dois reais. O mesmo ocorre com "vintém", que só é usado quando se quer soar mais arcaico. Também usamos "mirréis" (de "mil réis", que também denotava quantidade x1000) e "cruzeiro/cruzado" (moedas que sucederam os Réis) para se referir a valores monetários atuais. – Seninha Sep 29 '17 at 17:14
  • 2
    Em Portugal, que eu saiba, pila é apenas uma palavra, suficientemente polida e usada com crianças, para pénis. Mas eu acho que isso é irrelevante para a separação ou não da pergunta em duas. Há imensas perguntas sobre coisas que se aplicam a um país e não a outros. Já há uma pergunta no meta sobre estes assunto; a posição a favor de perguntas conjuntas vence nos votos 4-3 a posição contrária, mas eu continuo a achar que as perguntas conjuntas não têm vantagem. – Jacinto Sep 29 '17 at 17:43
  • 1
    @Jacinto Um conto de réis era um milhão de réis. Mil réis era... milréis mesmo, ou merréis. – Luís Henrique Oct 2 '17 at 11:36
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    Eu também tenho a mesma ideia que o Luís. Que mil reis eram um escudo, e um conto de rei mil escudos. A Wikipedia diz que "conto" deriva do latim computus, a conta dez vezes cem mil.. – ANeves Oct 2 '17 at 13:26
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Conto para dinheiro tem origem nos antigos Réis (conto com o significado de um milhão)

Sobre o vocábulo conto transcrevo o que ensina o «Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português» de Vasco Botelho do Amaral na entrada «Dinheiro»: «A palavra latina computus deu-nos cômputo (isto é, cálculo, conta) e conto com o significado de um milhão. «Este significado de milhão na palavra conto pode ver-se num muito célebre passo da Nova Floresta, onde o Padre Manuel Bernardes escreveu: «O firmamento, pelos cômputos de Ricardo e Clóvis, insignes matemáticos, dista da terra mais de quatrocentos e noventa e um contos, oitocentas e dezoito mil léguas.» «Hoje diríamos quatrocentos e noventa e um milhões, oitocentas e dezoito mil léguas. «No entanto, como se sabe, ainda empregamos conto de réis, fazendo-se reviver a esquecida significação de um milhão. Tão esquecido (e é nisto que eu quero principalmente fazer advertir), tão esquecido está o sentido de milhão na palavra conto que a ideia de mil (mil escudos) é a que nos ocorre ao falarmos no conto. «O povo ainda não sabe filologia, e ainda bem. Não sabe, mas parece que adivinha. «Calcule-se que, ás vezes, às notas de conto se chama – notas de quilo. Um conto de réis é «um quilo dele». Dele – todos percebem... de quem é; e cá temos outro eufemismo. «Quilo é mil. Já o era no grego (khíloi, mil). «É, de facto, curiosa esta coincidência: enquanto no termo conto está desvanecida ou esquecida a noção numérica de milhão, na gíria o quilo vai referindo os mil gramas de dinheiro. Quer o povo dizer, na sua, que as notas de quilo... já pesam coisa que se veja.»

Fonte: Origem da palavra conto = mil escudos

Já o Pila (usado sempre no singular), usado no Rio Grande do Sul tem origem no Político Raul Pilla que foi no exílio no Uruguai e na busca de valores para sustentar esse exílio.

A gíria, na verdade, tem raízes na campanha de arrecadação de recursos para sustentar o exílio de Raul Pilla, uma das lideranças políticas gaúchas que apoiaram a Revolução Constitucionalista de 1932

Fonte: Pila, cabuloso e truta: veja origem de 10 gírias regionais

  • 1
    A Wikipédia ajuda a esclarecer. O escudo, criado em Portugal em 1911, valia mil reis, a moeda anterior; então um conto (de reis), que era um milhão de reis, era equivalente a mil escudos; daí que conto passasse a designar mil escudos. – Jacinto Sep 29 '17 at 18:24
  • @Jacinto Verdade, "conto" era 1M réis, enquanto "mirréis/mil-réis" é que era 1k. Também achava que ambos eram sinônimos. "Mirréis" (ou "mil-réis") sobreviveu por aí também? – Seninha Sep 29 '17 at 18:36
  • 1
    @Seninha, sim, ouvi o pessoal mais velho falar em "mil-réis", "cinco mil-réis", etc. Mas já não me lembro do que significava. Pela lógica, "mil-réis" deveria ser 1 escudo. – Jacinto Sep 29 '17 at 18:41
  • Era escudos, sim. Na aldeia da minha avó os velhotes ainda dizem "marréis" às vezes. (Mas como é pouco prático, dizem-no pouco. Só costumam usá-lo para quantidades pequenas: um pão custa 20 marréis.) – ANeves Oct 2 '17 at 13:28
  • @ANeves, isto tá-me a vir à memória; na minha zona era mais merréis, com os dois ee abertos. – Jacinto Oct 3 '17 at 20:36
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A resposta do Peixoto está correta. Mas como a explicação de "pila" a partir do nome do Raul Pilla soa a etimologia popular, talvez seja bom documentá-la:

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Não achei imagens do reverso (se é que tem um reverso). Não tem a efígie do político (que era o que eu estava esperando), mas tem a assinatura dele, no canto inferior esquerdo, que é o que deve ter originado o termo "pila" como sinônimo de unidade monetária.

A imagem ilustra postagem de outubro de 2014 no blog do Museu Júlio de Castilhos (o Pilla não teria gostado disso...) mas como está hospedada no stack.imgur, e o blog não informa, não sei se o bônus integra o acervo do museu.

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A palavra Pila como moeda, provém do político do Partido Libertador do Rio Grande do Sul , Raul Pilla. Este político e seu partido apoiaram a Revolução Constitucionalista, contra Getúlio Vargas. Como esta revolta foi mais intensa em São Paulo, e teve pouco respaldo no seu estado, ele exilou-se no Uruguai, saído sem levar nenhum dinheiro. Seus partidários, para ajudar no seu sustento, passaram a cotizar-se vendendo bônus com valor de face, que logo passaram a ser negociados, por um breve tempo, como dinheiro entre os seus partidários.

Fontes:

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1 conto, embora significando 1000 escudos quando existia a moeda escudo, nunca se referiu a 1000 escudos, mas sim a um milhão de réis. Em meados do séc. XX, ainda se dizia habitualmente: 10 000 réis (= 10 escudos); 100 000 réis (100 escudos) ou, por exemplo, 500 000 réis (500 escudos). A uma moeda de 2$50 chamava-se 2 500 réis ou 25 tostões. Um conto de réis era, pois, um milhão de réis. Apesar da mudança da moeda em 1910-11, o povo, calculando as equivalências, continuou a ter como referência os réis: 1 escudo = 1000 réis. 1 tostão = 100 réis = 10 centavos (1/10 de escudo).

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