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Estava pesquisando sobre paradigmas e o conceito que muitos sites utilizam é o seguinte:

Paradigma é um modelo ou padrão a seguir.

um exemplo que serve como modelo; padrão.

Tendo em vista essas informações, logo me veio a dúvida:

Os alfabeto define o modo com que iremos aprender determinada linguagem. Como o português.

Logo ele é um paradigma?

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Não, isso é uma interpretação incorreta do que é um paradigma.

Nós podemos dizer coisas como:

Há vários paradigmas de escrita. Um paradigma é o alfabeto, que consiste, grosso modo, em representar cada som por um símbolo diferente. Outro paradigma é o silabário, que consiste em representar cada sílaba por um símbolo diferente.

Repara que na frase acima, “alfabeto” não se refere ao nosso alfabeto em particular, que é o latino, nem ao grego nem a qualquer outro alfabeto em particular; refere-se ao alfabeto em geral, em abstrato — à forma, ou modelo, ou sistema, ou paradigma de escrita (neste contexto estas quatro palavras são sinónimos) que todos os alfabetos concretos seguem. O artigo da Wikipédia sobre o alfabeto diz que “alfabeto ou abecedário é uma forma de escrita […]” — onde está “forma” poderíamos escrever “paradigma”. Cada alfabeto particular não é um paradigma, mas segue o paradigma comum a todos os alfabetos.

De qualquer modo, mesmo neste sentido geral, o alfabeto é um paradigma de escrita, não da língua. Outras coisas que não são paradigmas da língua:

  • O uso da segunda pessoa plural («vós») no Norte interior de Portugal é um paradigma comunicacional, da comunicação. Mas não da língua.
  • O soneto é um dos paradigmas da poesia, mas não da língua em si.
  • Poder-se-ia ainda defender que o formalismo verborreico seja um paradigma comunicacional ou comportamental — conquanto não da língua em si.

Já a concordância de género, sim, é um paradigma da língua.
A capitalização (?) dos nomes próprios, mas não dos comuns.
A intonação crescente no fim das interrogações. («Não é asSIM?»)
Etc.

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  • Eu sugiro aqui uma clarificação. O alfabeto enquanto paradigma de escrita é a representação de cada som por um símbolo (embora nos alfabetos reais a correspondência esteja longe de ser biunívoca): cada um dos alfabetos particulares--latino, grego, cirílico, etc.--segue esse paradigma; mas nenhum alfabeto concreto é um paradigma (talvez pudéssemos dizer que o primeiro é). Do mesmo modo, o soneto que é o paradigma é a estrutura geral; o "erros meus, má fortuna, amor ardente" não é paradigma. No soneto toda a gente percebe que é o "soneto abstrato"; já "alfabeto" pode ser interpretado >> – Jacinto Aug 23 '17 at 20:09
  • na tua resposta como o nosso alfabeto, o latino. – Jacinto Aug 23 '17 at 20:09
  • Percebo, @Jacinto, mas não sei como clarificar isso. Não me queres ajeitar tu a resposta? :) – ANeves thinks SE is evil Aug 24 '17 at 15:30
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    Vê lá se gostas. – Jacinto Aug 24 '17 at 16:19
  • @Jacinto gosto mais, mas não ficou perfeito. Tem, por exemplo, usos de "paradigma de língua" e de "paradigma da língua" na mesma frase, que para mim indicam significados diferentes. Mas acho que para a resposta que é, já teve um cachê de atenção alto suficiente, e vai ficar mesmo assim que já está ótima. – ANeves thinks SE is evil Aug 27 '17 at 3:13
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O alfabeto não define o modo que aprendemos um idioma. Existem diversos modos dos quais podemos aprender uma língua independentemente de saber ou não o alfabeto.

Pode-se considerar o alfabeto um paradigma de escrita, pois não dependemos dele para de fato sermos capazes de nos comunicar verbamente, obviamente um complementa o outro, não é possível uma pessoa alcançar fluência sem dominar a escrita, porém não saber o mesmo, não o impede de aprender uma língua.

Infelizmente a realidade do analfabetismo ainda é presente em alguns países ao redor do mundo, porém os analfabetos são a prova viva de que ler/escrever não tem absolutamente nada a ver com falar o idioma.

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  • Escreves que «não é possível uma pessoa alcançar fluência sem dominar a escrita», mas depois mencionas os analfabetos. Eles são fluentes na língua portuguesa porque a falam nativamente. – ANeves thinks SE is evil Aug 22 '17 at 14:50
  • @ANeves ser fluente em uma língua significa que você domina completamente a fala, leitura e escrita do mesmo. Se uma pessoa sabe falar o idioma mas não sabe escrevê-lo, então ela não é fluente, portanto, ela se encaixa como analfabeto. – João Brgai Aug 22 '17 at 17:33
  • Ah, que curioso, para mim não é assim. Abri uma pergunta sobre isso: portuguese.stackexchange.com/questions/4699/… – ANeves thinks SE is evil Aug 22 '17 at 19:23

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