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No seguimento desta questão, como conjugaríamos pronominalmente um verbo+se+o/a/os/as?

Por exemplo, vê-se-o ou vê-se-lo?

  • Possible duplicate of verbo + ‘me’, ‘te’, ‘lhe’, etc. + ‘o’, ‘lo’, etc – Peixoto Aug 14 '17 at 11:02
  • Peixoto, não penso que seja uma duplicação, uma vez que a questão anterior apenas aborda me,te,lhe,nos,vos,lhes. Aliás, num dos comentários dessa questão é sugerido precisamente isso, que se abra uma nova, para que se possa responder a este ponto. Por esta razão, e depois de não ter encontrado qualquer outra igual, decidi colocar esta. – An old man in the sea. Aug 14 '17 at 17:24
  • Você poderia me dar uma frase de exemplo? Não creio que seja possível isso. – bzim Aug 19 '17 at 15:41
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A forma possível é vê-se-o. Não acabando se em s, z, ou r, não se usará a forma lo.

No entanto, a combinação se + acusativo não é aceita na língua padrão. É considerada dialetal. Diz Ana Maria Martirns no cap. 42 da Gramática do Português editada pela Gulbenkian (pág. 2235):

Não é [...] permitida a formação de um grupo clítico constituído por se + acusativo, como mostra a impossibilidade de frases como: *pinta-se-a de azul, *ouve-se-os gritar o tempo todo, *cura-se-te banhos de mar, *penteia-se-te com tranças, *engana-se-vos facilmente [nota de rodapé: Existem, no entanto, dialetos portugueses (merdidionais e insulares) que permitem que se combinem num grupo clítico se e um pronome acusativo da terceira pessoa. Os exemplos a seguir apontados foram extraídos do _Corpus Dialectal para o Estudo da Sintaxe (CORDIAL-SIN):

  • Em sendo para a latada, deixa-se-a crescer (Porto Santo, Madeira)
  • Pode-se-a guardar na 'freeze' e comer daqui a dois ou três meses (Santo Espírito, Santa Maria, Açores)
  • Abre-se-o de um metro de fundura e um metro de largura (Alcochete, Setúbal)
  • Mas carregava-se-o aí às vezes também nos carros de bestas e em coisas. (Melides, Setúbal). ]

Repara que em todos estes exemplos podemos considerar estar perante o se nominativo (construção impessoal). Não vamos encontrar um se anticausativo (como em o barco virou-se), porque aí o verbo perde a transitividade. E geralmente não é difícil encontrar alternativas à combinação se impessoal + acusativo:

  • Com verbos perceptivos (como ver) ou causativos como fazer, deixar ou mandar, pode usar-se antes uma construção com infinitivo pessoal: ouve-se eles gritarem o tempo todo, em sendo para a latada, deixa-se ela crescer.
  • Quando há uma construção que permite subida de clítico, pode deixar-se se no verbo finito e passar o clítico acusativo para o verbo no infinitivo: Pode-se guardá-la na 'freeze' e comer daqui a dois ou três meses.
  • Substituir se por uma pessoa: mas uma pessoa carregava-o aí às vezes nos carros de bestas e em coisas.
  • Usar uma construção passiva com se, mas eliminando o clítico acusativo e passando o verbo para o plural, se necessário. *Não gostamos das paredes, mas pinta-se-as de azul e ficam bem -> Não gostamos das paredes, mas pintam-se de azul e ficam bem.
  • Usar uma construção passiva com ser: Em sendo para a latada, (ela) é deixada crescer.
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Uma vez que o pronome não é precedido de consoante, não há motivo nenhum para haver um "l". Portanto: vê-se-o.

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