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Eis que já ouvi essa expressão. Exemplos:

  • Vou dar um pulo ali e já volto!
  • Vamos lá Jon Snow! Deixa de manha! É um pulo! Logo estaremos de volta.

E num trecho no livro Na palma da minha mão (1998) de Leilah Assumpção:

Era um bonito entardecer suave. Te chamei para dar um pulo ali pertinho, na avenida Montaigne.

De onde surgiu “vou dar um pulo ali e já volto”?

  • Acklay, não tenho a certeza do que é que queres que expliquemos. Pulo significa nos teus exemplos 'ida rápida'; vê Aulete 3. Todas as outras palavras são usadas no seu sentido literal. Mas mesmo este sentido figurado de pulo compreende-se bem: se chegas a algum lugar num pulo, chegas muito rapidamente. Parece-me que a única coisa que podemos tentar ver é quando é que pulo aparece pela primeira vez com este significado na língua escrita. Ou há mais algum outro aspeto que queiras ver explicado? – Jacinto Jun 27 '17 at 18:05
  • Não é uma expressão recente. Essa citação de «O Sertanejo», de José de Alencar, data de 1875: "André, dá um pulo lá embaixo, homem, e tira as mochilas dos cavalos". Provavelmente há casos mais antigos. – Seninha Jun 27 '17 at 19:02
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Dar um pulo a algum lugar significa ‘ir rapidamente a algum lugar e ficar lá só um tempinho’. A expressão vem no dicionários. Por exemplo, no Aulete:

Dar um pulo a/até/em
1 Ir a algum lugar para uma visita ou estada rápida: Vou dar um pulo à/até a/na farmácia.

Esta expressão aparece na literatura já em 1853 e vem na continuidade de expressões relacionadas em que pulo já tem o sentido de ‘rapidez’: fazer alguma coisa de um pulo ou num pulo; de um pulo caiu algo em desuso, num pulo continua bem vivo. Estas expressões podem ser usadas literalmente, isto é quando alguém pula mesmo sobre algo. No sentido literal usa-se, ou usou-se, sobretudo de um pulo, como neste exemplo de 1665 (negrito meu e grafia original em todas as citações):

O tigre raivoso trabalhava pello tirar [um porco] do posto ; mas vendo que não aproveitavão suas diligencias, saltoulhe de hum pulo nas costas
Padre Manuel Godinho, Relação do novo caminho que fez por terra, e mar, vindo da India para Portugal no anno de 1663”, Lisboa, 1665.

Mas são usadas também figuradamente, para se indicar que se fez algo, especialmente ir, vir, levar, trazer, etc., muito rapidamente. Neste sentido usa-se sobretudo num pulo. Encontramos exemplos deste uso desde o século XVIII:

Naõ lhes há de suceder perigo, parte em hum pulo a caza da Adella, para que me mande o vestido, e mais roupa, em que fallamos, e que seja tudo já sem a minima demora,
Jocozo acontecimento de huns noivos no dia do seu noivado, Lisboa, 1787.

Para seu cão de fralda, se he seu gosto ,
N’um pulo , lhe trarei o Caõ Cerbero
Antonio Diniz da Cruz e Silva, O Hyssope, poema heroi-comico, Lisboa, 1808, p. 78.

Parece que depois de tantos seculo temos retrocedido de hum pulo aos desenfreados tempos de Aristophanes
“Noticias estrangeiras”, Diario do Governo, nº 24, Lisboa, Janeiro de 1822, p. 194.

Em muitos destes usos, embora se diga apenas que se vai, vem, etc., num pulo, está implícito que se vai e volta em pouco tempo. Por exemplo, pouco interessaria que o homem trouxesse o cão Cérbero num pulo, se primeiro ficasse lá horas a fazer-lhe festinhas; a ideia é que eu vou agora e rapidamente estou de volta com o cão. E daqui se passa facilmente a dar um pulo a algum lugar com o sentido de ‘ir e voltar rapidamente’. Eis os exemplos mais antigos que encontrei:

Pois não, tenham agora uma casa alugada para não receber vintem. Tenha paciencia, e estou aqui, estou a dar um pulo lá cima á outra senhora, que tambem se vai fazendo esquecida; derrete-se a fazer cortezias, rapapés, muito sorriso, mas lá a respeito de cobres [‘dinheiro’], nada.
O Jardim Litterario, vol. 9, 1953. (Mais segundo excerto para completar.)

Dê tambem um pulo a casa do mestre Jacyntho, que lhe quero fallar quanto antes.
José d’Almada, Ambições d’um Eleitor (peça representada em 1854), Lisboa, 1857, p. 6.

V. S. tem á mão papel e tinta para passar a contra-fé... senão dou um pulo á venda defronte.
José de Alencar, Mãi: drama em quarto actos, Rio de Janeiro, 1865.

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