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Na nomenclatura utilizada na química orgânica usa-se um prefixo para denotar a quantidade de átomos de Carbono na cadeia principal. A partir de 5 átomos, os prefixos são de acordo com o que eu esperaria da Língua Portuguesa:

  • 5: pent-
  • 6: hex-
  • 7: hept-
  • 8: oct-

Estranhamente para os casos onde a cadeia principal contém de 1 a 4 Carbonos, os prefixos utilizados são:

  • 1: met-
  • 2: et-
  • 3: prop-
  • 4: but-

São exemplos de uso deste prefixos os álcoois metanol e etanol e os gases propano e butano.

Gostaria de saber a origem etimológica destes prefixos, pois nunca ouvi-os em outros casos, tais como um but-campeão (ao invés de tetra-campeão) ou um prop-mestre (ao invés de trimestre).

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  • Butcampeão é ótima, acho que vou passar a usar. E também etcicleta, etquini, propciclo, etruta e, claro, propiângulo e butaedro. E Metversidade e metverso. Jun 17 '17 at 21:07
  • @LuísHenrique, fenomenais neologismos! Mas fiz essas sugestões antes de ter a resposta e saber que estes prefixos nao têm origem na quantidade de átomos;-)
    – gmauch
    Jun 17 '17 at 23:29
  • Propi-legal.... Jul 25 '17 at 12:09
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Os elementos met-, et-, prop- e but- não se referem aos números um, dois, três e quatro em geral, mas a grupos com esse número de átomos de carbono. A sua origem está em nomes latinos e gregos ou de origem latina e grega onde o composto foi identificado.

Met-

O antepositivos met- e metil-, ou meth-, methyl- antes das reformas ortográficas de 1911 em Portugal e 1943 no Brasil, vêm do grego méthu ‘bebida fermentada (vinho, cerveja)’ e húlē ‘madeira’ (Houaiss, 2003; Etymoline diz methy e hyle). Foi em 1834 que o químico francês Jean-Baptiste Dumas forjou o nome méthylène a partir destes elementos gregos (CNTRL), por encontrar o composto em alcool de madeira; meth- (mais tarde met- em português), entendido com a parte vinda de méthu, methy, foi depois usado como antepositivo na formação de outras palavras (Etymoline).

Et-

O antepositivo et- vem originalmente de éter (Houaiss, 2003). Éter vem do latim aether e grego aither ‘ar mais elevado e puro; céu’. Em 1730 o químico alemão Frobenius analisou o composto C2H5-O-C2H5, onde figuram unidades de dois átomos de carbono, e chamou-lhe spiritus vini aethereus ‘espírito de vinho etéreo’ (CNTRL e Wikipedia), donde o seu nome comum éter ou éter etílico. Em 1834 o químico alemão Justus Liebig formou o nome ethyl, de ether e yl do grego hyle ‘madeira, substância’ (Wikipedia) para designar o grupo C2H5-. A partir daí apareceram em várias línguas muitos nomes para compostos químicos usando o antepositivo eth, que no português passou a et com as reformas ortográficas de 1911 em Portugal e 1943 no Brasil.

But-

But- aparece nos antepositivos butan(o)-, butil- e butir(o), vindo todos do latim butyrum e grego boúturon ‘manteiga’ (Houaiss, 2003). Foi em 1819 que o francês Michel Chevreul cunhou o nome acide butyrique, ‘ácido butanoico’ (CNTRL), cuja molécula tem quatro átomos de carbono (Wikipedia).

Prop-

Esse prop- vem do inglês propane (1866, Etymoline e Wikipedia), que por sua vez vem do francês propionique (1847, CNTRL). Foi o químico francês Jean-Baptiste Dumas que cunhou em 1847 o nome acide propionique, ‘ácido propanoico’, composto cuja molécula tem três átomos de carbono. O nome propionique foi formado do grego protos ‘primeiro’ e pion ‘gordura’, por este ácido ser o menor ou primeiro na série de ácidos gordos (CBTRL e Wikipedia).

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