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Em Português, só temos uso regular de ênclise, próclises e mesóclise em verbos, de maneira articulada com a flexão verbal e com a sua colocação relativa a outros elementos da frase, como preposições, advérbios etc.

Se a palavra eis não é verbo, qual a lógica (vigente ou pretérita) para a expressão Ei-lo?

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    Também existe no-lo (nos + o) e vo-lo: "Não sabem a história?" "Não, ninguém no-la contou."
    – Jacinto
    Jun 8 '17 at 12:49
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    Há quem defenda que eis é na verdade um verbo.
    – Artefacto
    Jun 8 '17 at 23:16
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    Havia mais liberdade com respeito aos pronomes no passado, coisa que vemos fossilizado nas modernas como ei-lo no português (e a versão castelhana heloeis e he funcionam e soam como cognados mais não são, he vem do árabe e eis do latim ecce) o no asturianu com a interrogativa ¿úlo? (em português, onde fica ele?). Agora só temos alguns restos da língua antiga e estas expressões as vezes não têm sentido segundo a gramática moderna. Jun 9 '17 at 2:19
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    @guifa Acho eis só aceita pronomes com caso acusativo (eis é um verbo transitivo?). Eis-lhe não é possível.
    – Artefacto
    Jun 9 '17 at 10:43
  • 2
    Na linguística moderna, há os chamados "pro-verbos", que são termos que comportam-se como verbos e podem substituir sintagmas verbais (da mesma forma que os pronomes podem substituir sintagmas nominais). A palavra "eis" poderia ser, neste ponto de vista moderno, classificada como um pro-verbo (ou talvez como uma pro-frase). Veja este artigo da Wikipedia anglófona.
    – Seninha
    Jun 9 '17 at 16:04
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A palavra eis é um advérbio. Provavelmente provenha de heis (haver/haveis), o que justificaria a adição dos pronomes pessoais. É usada pela 1.ª pessoa do discurso para indicar ao ouvinte o que está perto ou presente, o que está próximo no tempo, o que vai dizer: Jesus disse a sua mãe: -- Mulher, eis o teu filho. / Eis, eleitores, a hora oportuna. / Eis o que os senhores devem fazer. Unem-se-lhe com hífen os pronomes pessoais átonos me, te, o, a, nos, vos: eis-me, eis-te, ei-lo, ei-la, eis-nos, eis-vos, ei-los, ei-las. Assim, pode-se dizer "Eis o papa" da mesma forma que se diria "Habemus papam", sendo portanto o "Eis" tomado por "haveis", podendo assim levar o "-lo" por esta escusa. Nota-se que no castelhano, língua irmã do português, existiram formas divergentes para a 1ª e 2ª pessoa do plural do verbo haver: hemos/habemos, heis/habéis.

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  • 👏👏👏 Muito boa a sua resposta! Obrigado. Jul 13 '20 at 13:22

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