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Sabemos que é assim, e até há regras para isolar essas palavras com forma única tanto no plural quanto no singular.

Mas por que é assim? Por que não há no português uma regra para formar plural com essas palavras?

Exemplos: Vírus, lápis, ônibus, atlas, ...

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  • 1
    Regra há. As palavras que terminam em -s só são marcadas com -es no caso de serem acentuadas na última sílaba. Caso contrário, não mudam para a forma plural. Commented Apr 1, 2017 at 13:03
  • Sim regra há, a dúvida é por que a regra é assim, e não similar ao espanhol ou inglês: es=eses, us=uses, is=ises, etc. Não deve ser para causar sentido dúbio propositalmente. Estética fonética? Enfim, deve ter um motivo de ainda ser​ mantido assim, em todos os países falantes de pt.
    – Luciano
    Commented Apr 1, 2017 at 13:12
  • 1
    a formação do plural em castelhano para as palavras que terminam em -s é exatamente como o português: el/los campus, la/las dosis, mas el autobús/los autobuses, cortés/corteses. O asturiano segue essa regra, e imagino o galego e mirandês (e tal vez aragonês e catalão) seguem-na também. Commented Apr 2, 2017 at 19:47
  • @Luciano não se esqueça de marcar a resposta como certa, se for o caso de a resposta estar certa para si.
    – Jorge B.
    Commented May 16 at 8:03

2 Answers 2

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Conforme respondido por @guifa em um comentário, existe regra sim.

Os substantivos terminados em "s" formam o plural com o acréscimo de "es", apenas quando são oxítonos (acentuados na última sílaba). Vocábulos paroxítonos ou proparoxítonos, tem o plural expresso pelo artigo, pronome ou numeral que os precedem, pelo adjetivo ou verbo que a eles se referem, ou então pelo contexto.

exemplos de substantivos "não oxítonos" terminando em "s" e seus plurais:

  • lápis - os lápis, város lápis, cinco lápis, lápis pretos.
  • bônus - os bônus recebidos.
  • óculos - meus óculos, os óculos, óculos escuros ("óculos", como órtese ou objeto de adorno, já é um substantivo no plural. Ninguém diz meu óculo ou meu óculos. Nesse caso a língua portuguesa funciona da mesma forma que a língua inglesa, i.e, "my glasses are...")
  • pires - dois pires, vários pires, pires quebrados.
  • ônibus - vários ônibus estacionados. ("parqueados" ou "aparcados" em pt-PT)
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  • 1
    Em pt-PT preferimos "estacionado" a "aparcado", e acho que não usamos "parqueado". (Já agora, cá, um ônibus é um autocarro ou uma camioneta.)
    – ANeves
    Commented Apr 4, 2017 at 11:16
  • @ANeves Camioneta seria um ônibus de dimensões convencionais ou um ônibus pequeno? Em pt-BR temos a "camionete" que é um tipo de van.
    – Centaurus
    Commented Apr 4, 2017 at 16:10
  • 1
    Têm ambos o mesmo tamanho, mais coisa menos coisa. Levam 30-50 pessoas. Um autocarro é um veículo de transporte público de passageiros urbano, e uma camioneta (também chamada de "carreira" em alguns lugares) é um veículo de transporte público de passageiros rural, interurbano, ou de longo curso. Têm configurações ligeiramente diferentes, porque num viaja-se mais de pé e o outro é de mais longo curso. Mas fora isso, poderiam ser semelhantes.
    – ANeves
    Commented Apr 4, 2017 at 16:36
  • 2
    Uma camioneta, ou camionete, pode também ser um veículo de transporte de materiais. Não confundir com carrinha, que é outro tipo de veículo transporte de materiais! Nem com furgão (e.g. Toyota Hyace)... bolas, acho que isto dava para escrever uma tese de mestrado.
    – ANeves
    Commented Apr 4, 2017 at 16:38
  • pt-BR nem sempre o nome usado pelas pessoas no dia-a-dia é o mesmo que a legislação confere. Camioneta (tipo misto) leva carga e passageiros em compartimentos não separados. Camioneteleva leva carga e passageiros em compartimentos separados. Furgão é um veículo de carga. Furgões podem ser transformados em Micro-ônibus colocando bancos conforme legislação conhecidos por VAN. Microônibus são ônibus leves. E ônibus existem os rodoviários (poltronas) e os urbanos (bancos estofados - as pessoas podem ir em pé). etc Commented Apr 6, 2017 at 13:51
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Centaurus respondeu bem em relação às regras da língua portuguesa.

Como um aparte, há de se ressaltar que essas palavras com plurais defectivos são em maioria palavras inclusas artificialmente no vocabulário português, ditas "palavras emprestadas", como é o caso de 'pires', do malaio, 'atlas', do grego (que na verdade no sistema português deveria ser 'atlante' já que a palavra é derivada do nome do titã, daí teríamos 'atlantes'), e de 'bônus', que na verdade é um latinismo cujo significado (e de fato é a mesma palavra) é 'bom'.

No caso de 'lápis', é um termo do latim escolástico, que nos veio através do italiano. O vocábulo 'lápis' na verdade seria o nosso 'lápide'. 'Lápide' é uma outra palavra para 'pedra', assim o 'lápis' era tirado de uma pedra.

No caso de ônibus, possui a mesma raiz que o prefixo 'oni-', que se vê em vocábulos teológicos como 'onipotente' e 'onibenevolente', raiz que significa 'todos'; 'ônibus' (omnibus) seria então 'para todos'. A palavra sobrevive no italiano moderno como 'ogni' (todos, cada), mas não sobreviveu no português moderno.

Há outra palavra portuguesa com esse mesmo sufixo "-bus", que significa "para X": 'tribo'. A diferença é que 'tribo' evoluiu naturalmente no sistema português, logo temos 'tribo' e 'tribos'. Dessa forma, uma adaptação própria do termo 'ônibus' seria 'ónibo'.

O caso de 'óculos' não é um latinismo, pois esse fim '-os' não existe em latim. 'Óculos', como 'costas' e 'calças', são substantivos cujos plurais tomaram significado próprio ou até substituiram o singular, já que esses sempre se veem em pares/coletivos. Verifica-se no dicionário que 'óculos' é simplesmente o plural de 'óculo' — como 'costas é de 'costa' e 'calças' de 'calça' —, 'óculo' sendo não um latinismo mas um "cultismo" ou palavra de via erudita.

O caso de 'vírus' é similar ao de 'bônus', a diferença é que 'bonus' é na verdade a palavra 'bom', enquanto 'virus' não possui uma manifestação no português. A palavra é um latinismo tomado das ciências biológicas, em que a palavra latina 'virus', na verdade significando 'veneno', foi tomada para designar aqueles seres. A palavra foi importada sem adaptação própria ao sistema português, por isso seu plural é defectivo.

Mas por que essas palavras não vão ao plural como 'deus' vai para 'deuses'? Como explicado, somente palavras oxítonas terminadas em 's' se sujeitam a essa flexão. Latinismos são nunca oxítonos, pois em latim o acento tônico era paroxítono ou proparoxítono só.

Um latinismo com plural é 'álbum', mas é possível pois o fim é em 'm', daí 'álbuns'.

Palavras portuguesas, por padrão, possuem formas singular e plural. Uma palavra não as ter é um indicativo de que essa mesma palavra não evoluiu de modo natural dentro do sistema português — ou seja, é um estrangeirismo ou latinismo.

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