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Estou estudando para concurso, no Brasil. Estou vendo muitas fontes, talvez informais, de colocação pronominal, que dizem que os pronomes demonstrativos são fatores de próclise. Até aí, tudo bem, porque seria até razoável assumir isto, já que existem outros pronomes que têm a função de atrativo, como os relativos, indefinidos e os interrogativos (em início de frase).

Mas, as fontes "formais" que estou estudando, como Cegalla e Celso Cunha, nunca citam o pronome demonstrativo como caso de próclise. Somente, talvez indiretamente, nos casos de oração em ordem inversa, Cunha usa um exemplo em orações inversas, onde uma delas inicia-se com pronome demonstrativo:

Tiraram mais que na ceifa; isso te digo eu. (Alves Redol, G, 108.)

A dúvida permanece (haha). Talvez as fontes informais estão generalizando uma regra? Talvez as orações inversas têm muitos casos similares (com pronomes demonstrativos)? Alguém conhece alguma fonte que os confirme como proclíticos?

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Olha, eu nunca aprendi que pronomes demonstrativos (por si mesmos) induziam a próclise. Mas, como a língua é dinâmica e eu poderia estar simplesmente errado, consultei aqui um par de gramáticas brasileiras famosas:

  • Evanildo Bechara não menciona pronomes demonstrativos em Moderna Gramática Portuguesa (Editora Nova Fronteira, 37ª edição, 2009).

  • Pasquale Cipro Neto (ele mesmo) e Ulisses Infante, em Gramática da Língua Portuguesa (Editora Scipione, 3ª edição, 2010), consideram a colocação pronominal "uma questão tão pouco relevante que não se deve perder tempo" com ela. Os autores até admitem como correto um uso comum, mas normalmente perseguido, de próclise: a alusão à língua falada brasileira:

Me faça um favor: me esquece!

Mas nada especificamente sobre pronomes demonstrativos.

As fontes na internet, de fato, parecem concordar massivamente com a ideia dos pronomes demonstrativos promovendo a próclise. Eles devem estar extraindo esta informação de uma fonte comum, que provavelmente deve ser alguma gramática que se antecipou às demais e normatizou o uso corrente.

Estou tentado a dizer que, para concursos, a ênclise é preferível, na ausência de outros fatores de indução. Bancas de concursos (exceto vestibulares) costumam ser muito conservadoras, neste sentido.

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  • Interessante, não sei se estou me apegando a detalhes que não são tão importantes, já que ainda não compreendo muito bem a gramatica. Talvez eu esteja com medo de aprender errado, não sei. É "seguro" dizer que as bancas, conservadoras que são, não se preocupariam com esse fato já que ainda não foi "estabelecido formalmente" que pronomes demonstrativos são fatores de próclise? Eu sei que normalmente ênclise é preferível, meu medo é eles apresentares o pronome em próclise e perguntar se esta correto ou até mesmo pedirem pra julgar uma frase que afirma a regra dos demonstrativos... Feb 5 '17 at 15:02
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    @Luiggia2b1 "não sei se estou me apegando a detalhes que não são tão importantes" Esta é uma opinião dos autores, eles acham que não é essencial para um falante PT-BR dominar este conteúdo (o que eu concordo). Só que o livro deles é feito para pessoas comuns, e não para concurseiros. O que eles consideram "importante" pode não o ser para você.
    – Ramon Melo
    Feb 5 '17 at 15:19
  • 1
    "meu medo é eles apresentares o pronome em próclise e perguntar se esta correto ou até mesmo pedirem pra julgar uma frase que afirma a regra dos demonstrativos" Isso só pode ocorrer em duas situações: (1) o concurso oferece uma gramática na bibliografia recomendada, aí você precisa conferir o que o autor dela considera como norma; (2) a banca do concurso está se colocando no risco de ter que julgar dezenas de recursos de candidatos e possivelmente anular a questão. Ainda assim, se eu tivesse que arriscar, iria de ênclise.
    – Ramon Melo
    Feb 5 '17 at 15:21
  • Faz sentido, valeu! Feb 5 '17 at 15:23
  • 1
    @Jacinto O foco do problema desta pergunta está na palavra concurso. As equipes por trás destas provas são o mais recluso bastião dos puristas da língua portuguesa no Brasil, que ainda lamentam a ascensão do modernismo mas, paradoxalmente, adaptaram-se quase que imediatamente ao novo Acordo Ortográfico. Os únicos critérios que eles reconhecem são as gramáticas e os dicionários. Mesmo a academia e o direito são ignorados (e, por vezes, até criticados) por eles.
    – Ramon Melo
    Feb 5 '17 at 18:48

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