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A expressão ainda é de uso corrente em pt-BR e significa encontrar-se em um dilema. No entanto não consigo entender como poderia ser um dilema ficar entre a cruz — que simboliza algo de bom — e a espada — que pode ferir e matar. Seria mais fácil de entender se fosse entre o fogo e a espada, ou entre a foice e o sabre. Ficar entre a cruz e a espada, se fosse uma expressão nova, eu tenderia a achar que significa "ficar indeciso entre algo bom e algo ruim", ou "algo seguro e algo perigoso".

Gostaria também de perguntar sobre a origem da expressão, que não encontrei mas parece ser bem antiga.

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    Para mim cruz aí é 'sofrimento, martírio' (Aulete 4); por cá diz-se entre a espada e a parede. – Jacinto Dec 15 '16 at 21:10
  • @Jacinto Interessante. Pensei que tivesse vindo para o Brasil junto com as caravelas. – Centaurus Dec 15 '16 at 21:15
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    A cruz significa algo bom? Ser pregado e pendurado é bom? Nunca experimentei, mas creio que não é bom... – Gabriel Dec 16 '16 at 10:41
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    Provavelmente o contexto em que a expressão surgiu facilitava o entendimento de cruz com martírio, e isso pode ter se perdido. Cruz, como símbolo, deve ser ambíguo há muito tempo. – bfavaretto Dec 16 '16 at 20:31
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    Me parece similar ao dito popular "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". – Luciano May 2 '19 at 18:27

10 Answers 10

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O dicionário Houaiss, o único em que encontrei a expressão, diz que entre a cruz e a espada é o mesmo que entre a cruz e a água benta, entre a cruz e a caldeirinha ou entre a espada e a parede. Nos três primeiros, o Houaiss (verbete cruz) simplesmente remete para entre a espada e a parede, e no verbete espada vem (desenvolvendo abreviações):

entre a espada e a parede em situação muito difícil, a que não se tem como fugir; entre o malho e a bigorna, entre o martelo e a bigorna, entre a cruz e a água benta, entre a cruz e a caldeirinha, entre a cruz e a espada

Quando vi nesta pergunta entre a cruz e a espada associei logo a entre a espada e a parede, a única destas expressões que eu conhecia, e imaginei alguém ameaçado de um lado com uma espada, do outro com crucificação ou cruz no sentido figurado de tormento, sofrimento. Entre a espada e a parede é uma imagem talvez mais clara: na minha experiência, é muito usada quando uma pessoa é obrigada a fazer algo que não quer (como confessar algo), como se estivesse encurralada entre uma parede e alguém armado com espada, e não tivesse portanto como se esquivar. Provavelmente não é coincidência que os exemplos mais antigos que encontrei de entra a cruz e a espada, a partir de 1873, a pessoa em causa parece precisamente sentir-se coagida (grafia original; negrito meu em todas as citações):

« Na côrte eu não tinha o direito de exigir a mais insignificante cousa para meus amigos sem o consentimento previo e demorado do conselheiro, e na provincia nenhum pedido podia ser encaminhado ao governo sem o—visto—do Sr. Dr. Freitas, de modo que, entre a cruz e a espada, eu sentia-me coacto pela dependencia mais humilhante. [...]
A Reforma, orgão democrático, Rio de Janeiro, 1873

[Fala o General Madeira:] — […] peço perdão de meus erros.
— É tarde de mais, meu « inglez republicano », meu bor… das dúzias, lê o que os pintinhos azucrinados te mandam de presente !
E o pobre General Madeira, entre a cruz e a espada, leu o seguinte:
“Diario das Alagoas, 1889

O velho N’gunza, vendo-se entre a cruz e a espada, homem timorato, a que o medo do ginvunge—feitiço—fazia estremecer de horror, declarou que nos ultimos tempos lhe haviam morrido muitos de seus filhos; que a quimbanda e a gente entendida da terra o accusavam de feiticeiro […]
Agostinho Sesinando Marques, Os Climas e as Producções das Terras de Malange á Lunda, Lisboa, 1889

As outras duas expressões — entre a cruz e a água benta e entre a cruz e a caldeirinha — vêm da mesma ideia: a caldeirinha (Aulete) é um vaso de cobre para transportar a água benta. Encontrei esta explicação relativamente à expressão congénere castelhana — entre la cruz e el agua bendita — neste Discursos Predicables de Diversos Tratados de 1604 (tradução minha):

[…] todas as nações tinham um refrão ou linguagem com que dão a entender o mal ou grande tormento que tinham ou esperavam, como diz o castelhano, andais entre a cruz e a água benta, vindo a metáfora de quando o sacerdote vai dar a extrema unção, leva o menino de altar o círio e água benta, e o sacristão a cruz: e porque quem recebe a extrema unção está em grande agonia e aflição de morte, diz-se que fulano está entre a cruz e a água benta.

Conclusão: dado o que diz o Houaiss, os exemplos mais antigos, e o significado claro das expressões congéneres (depois de sabermos da extrema unção), parece-me claro que tradicionalmente o significado de entre a cruz e a espada foi ’em grande perigo, sem escapatória possível’, e não ’num dilema’. Mas naturalmente, com o tempo, as pessoas são livres de reinterpretar a expressão e lhe dar novos usos.

Origem da expressão

Com segurança, posso apenas afirmar que a expressão já estava em uso no Brasil em 1873. Quanto a como surgiu, podemos apenas especular. Respostas no Yahoo Answers, que o Centaurus me trouxe à atenção, sugere que cruz e espada se referem ao poder religioso e militar respetivamente. Mas a única fonte indicada (P.U.C. do Rio Grande do Sul, sem nome de autor nem título de obra) não é suficientemente precisa para ser seguida e confirmada. Nós poderíamos imaginar os judeus, que, que em Portugal por volta de 1500 tiveram de escolher entre a conversão ou a morte (ou o exílio); ou até os ameríndios que se viram de repente a braços com padres e militares da europa.

Eu inclino-me mais para outra hipótese: que a expressão tenha resultado de um cruzamento entre cruz e água benta/caldeirinha e espada e parede. Estas expressões são bem mais antigas: entre a cruz e a água benta existia em castelhano em 1604 e está atestada em português a partir de 1736 (Cartas do Cavaleiro de Oliveira); entre a cruz e a caldeirinha encontra-se a partir de 1823 (Correio do Rio de Janeiro); e entre a espada e a parede a partir de 1836 ( Gazeta Universal, Pernambuco). Entre a cruz e a espada aparece mais tarde, com o mesmo significado e combinando elementos das expressões mais antigas mas que continuavam em uso. Então poderia muito bem ter resultado de um cruzamento, deliberado ou acidental, das expressões anteriores.

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  • E eu imaginando a caldeirinha como um caldeirão de índios antropófagos hahaha! – bfavaretto Dec 16 '16 at 20:54
  • @bfavaretto Olha, a primeira ideia que me veio à cabeça foi desse tipo, mais instrumento de tortura, tipo inquisição. Isto foi ontem; nunca tinha ouvido essa expressão. – Jacinto Dec 16 '16 at 21:00
  • A cruz poderia ser crucifixão (se sacrificar paro os outros viverem) e a espada poderia ser a violência (lutar matando os outros para salvar-se a si mesmo). Ou seja, um dilema moral....parece bem cristão ao meu ver. – Lambie May 18 '19 at 3:28
  • +1 se eu pudesse. – Centaurus Sep 14 '19 at 1:51
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Entre a cruz e a espada significa sim que se está no meio de duas coisas ruins; ou, em outras palavras, que todas as escolhas disponíveis levam a um desfecho ruim.

A cruz, neste caso, se refere ao instrumento de tortura, não ao símbolo da fé cristã.

Vale adicionar que a expressão estar em uma sinuca de bico (Aulete) é similar. Ela significa que a pessoa não tem mais opções (ou que não tem boas opções, dependendo da sua interpretação).

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  • Sim, já usei "estar em uma sinuca de bico" embora eu nem saiba o que é. – Centaurus Dec 16 '16 at 15:09
  • E a "caldeirinha", que às vezes aparece(-ia) no lugar da espada? – bfavaretto Dec 16 '16 at 20:29
  • @bfavaretto Isso pelo menos já descobri o que é. – Jacinto Dec 16 '16 at 20:50
  • Sim, nessa expressão a cruz tem o significado de tortura e não o paraíso, embora possa soar o contrário. – Luciano Jan 5 '17 at 20:19
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Entre a cruz e a espada significa que a pessoa está em um dilema. Dilemas sempre envolvem escolhas opostas. Não necessariamente é bom ou ruim; é oposto.

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Não é necessariamente estar entre duas coisas ruins. Acredito que seja estar em uma posição onde você tenha que tomar uma decisão entre duas coisas, sejam elas boas ou ruins.

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A expressão tem origem histórica ligada a Portugal. Vamos entender o contexto: Quando os mouros (islâmicos) começaram a atacar a Europa, eles invadiram pela Espanha e foram subindo, dominando a Península Ibérica praticamente toda. Os portugueses foram todos encurralados no extremo norte, refugiados nas montanhas das Astúrias, e os Mouros já entravam no território francês. Se eles tivessem dominado a França, hoje as Américas estariam usando burca e turbante, as mulheres ainda seriam objetos sem direitos, enfim, seríamos "diferentes"... Mas não foi assim...

Naquela época, Igreja e Estado eram uma coisa só. O que acontece é que o cristianismo dominou a Europa por mártires, não eram assassinos, quanto mais os matavam mais eles cresciam. É uma religião pautada no amor e na não-resistência, não-violência (a princípio). Os mouros já entendiam que matar em nome de Deus era algo bom, então a Europa era massacrada sem dó.

Se a civilização ocidental não fizesse nada, era seu fim... tudo que conhecemos hoje como o Estado de Direito, os valores cristãos, a filosofia/arte grega, a base da civilização atual iria por água abaixo. O mundo ocidental e o seu futuro estavam "entre a Cruz e a Espada". Ou eles colocavam toda a história a perder, inclusive sua própria religião, ou eles tomavam as espadas nas mãos. Entende a situação aqui? Sua religião diz para amar até seus inimigos, mas suas famílias, sua nação, são exterminadas perante eles... este é o grande dilema.

Foi quando surgiram os lendários Cavaleiros Templários (o símbolo perfeito para a situação), quando o cristianismo tomou as espadas enfim. A "Reconquista" do território, foi de 722 até 1492 (!), surgiram as famosas "Cruzadas" e muitas batalhas conexas.

Fica assim claro que Estado e Igreja não podem ser um só. A religião e a política devem ser integradas na sociedade, mas idealismos religiosos sem uma política protetora cria um Estado fadado a extinção perante uma ameaça cruel e exterminadora.

É uma história incrível, que tem muito a nos ensinar.

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    "Se eles tivessem dominado a França, hoje as Américas..." Melhor escrever que é apenas uma conjectura. Eu, pessoalmente acho muito pouco provável que isso acontecesse. – Centaurus Oct 9 '18 at 23:15
  • "Quando os mouros (islâmicos) começaram a atacar a Europa, eles invadiram pela Espanha e foram subindo..." O Califado Almóada invadiu pela Espanha, mas a Europa também foi invadida pelos turcos otomanos a partir dos Bálcãs. – Centaurus Oct 9 '18 at 23:25
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    ale.nakai, bem-vinda ao PL. Sua resposta demonstra vontade de contribuir para o crescimento do site. No entanto, as respostas não devem expressar opiniões (a não ser quando são definidas como tal: "na minha opinião", etc) e devem conter, sempre que possível, referências para as afirmações. – Centaurus Oct 9 '18 at 23:30
  • Se fosse assim, porque há tão escassas referências em site:.pt?? – Lambie May 18 '19 at 3:22
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Podendo ser vista como um ditado que impõe uma condição ou situação de se fazer uma escolha, a frase entre a cruz e a espada, embora seja interpretativa, é uma expressão que leva o indivíduo a buscar o conhecimento humano e o entendimento racional sobre sua própria existência, simbolicamente a espada expressa justiça e cruz expressa morte. O indivíduo após seu nascimento passa a ter seus dias contados, não sabendo qual e como será o seu fim, pois este mesmo indivíduo sabe que irá morrer, cabendo a ele carregar sua própria cruz, entre a cruz e a espada é uma jornada a ser percorrida, nesta jornada as escolhas serão feitas, o indivíduo em sua jornada irá travar muitos combates contra sua própria razão emocional e intelectual em busca de justiça para si mesmo ou outro indivíduo, a capacidade de quando e como tomar as decisões ou qual escolha fazer é facultativa ao indivíduo desde o seu nascimento e o acompanhará até a morte. Desta forma entende-se que o indivíduo nasce para a vida e caminha para a morte, tendo ele a sua disposição optar em ter uma vida justa ou não.

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  • Luciano, bem-vindo à comunidade. Esta tua resposta é uma interpretação muito, muito, mas mesmo muito, pessoal! Os exemplos que vi do uso da expressão não me sugerem nada dessas tuas questões profundas. – Jacinto Sep 3 '19 at 18:39
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A cruz e a espada foram instrumentos usados para dominar o Brasil durante sua invasão pelos portugueses.

O uso destes instrumentos, a cruz representando a fé imposta aos indígenas e a espada que os forçava a aceitar esta fé, fizeram a dominação dos povos nativos desta terra... e daí para frente só exploração.

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Cruz nesse caso significa ’Deus’, a ’Igreja’ ou ’o bem’. No outro polo temos a violência, o pecado ou o mal representados, em muitos casos, como manifestação do mal.

Cruz: igreja. Espada: pecado. Entre o bem e o mal

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    Isto é a tua interpretação pessoal, o significado com que a expressão é usada no teu meio, ou é o quê? Porque o Centaurus dá-nos uma interpretação diferente... – Jacinto May 25 '19 at 21:43
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Entre a cruz e a espada: boa metáfora. A interpretação do texto pode ter tido um significado a quem o criou. Mais acredito que se aplica conforme a visão de cada um. Eu estava compondo uma música falando sobre a morte de Cristo, onde os governadores não assumirão e deixaram na mão do povo ("vocês escolhem Jesus ou Barrabás") A espada arma de defesa dada a Barrabás. A cruz dada ao Cristo como emblema de vergonha e dor. Mais isso para que se cumprisse o propósito de Deus, salvar quem acredita por a humildade é corrompida.

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  • Que história é essa da espada do Barrabás? E como é que isso se relaciona com o "entre a cruz e a espada"? – Jacinto Aug 18 '19 at 5:52
  • Opiniões devem ser dadas como comentário. Assim que tiveres 10 pontos de reputação poderás dá-las. – Centaurus Aug 18 '19 at 15:53
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Entre a cruz e a espada se remete tão somente a uma época em que os homens comuns precisavam se decidir entre dois caminhos: o exercito, a guerra, ser um soldado ou o sacerdócio,se tornar padre. Não faz sentido hoje pois vivemos outros tipos de dilemas.

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    Luana, bem-vinda ao site. Podes fundamentar a tua resposta com algumas fontes credíveis ou alguma evidência? Uma boa resposta precisa de ser fundamentada. – Jacinto Oct 23 '19 at 17:17

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