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Aprendi nos meu tempos de estudante de escola primária que advérbios são invariáveis em gênero e número. E que qualquer palavra que se refira a um adjetivo é um advérbio. Nos exemplos abaixo, "meio" e "todo" referem-se a desconfiado e arrepiado respectivamente e são, portanto, advérbios.

  • "ele ficou meio desconfiado". Como é que ele ficou? resposta: meio desconfiado

  • "ele ficou todo arrepiado" Como foi que ele ficou? resposta: todo arrepiado.

Vejamos então o seguinte:

  • "ele ficou meio desconfiado" - ao passarmos para o feminino temos que respeitar a regra de que advérbios são invariáveis em gênero, e temos então "ela ficou meio desconfiada". (ela ficou meia desconfiada é considerado errado)
  • "ele ficou todo arrepiado" - ao passarmos para o feminino simplesmente ignoramos o fato que "todo" é um advérbio, e então temos "ela ficou toda arrepiada".

Minha pergunta então: porque podemos variar o gênero de alguns advérbios (todo, próximo) mas não o de outros (meio)

Outros exemplos:

  • "ele permaneceu próximo do local do acidente.
  • "elas permaneceram próximas do local do acidente.

Nesse último exemplo "próximo" não se refere a um adjetivo, mas acrescenta uma condição de lugar ao verbo permanecer, sendo portanto um advérbio.

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    Uma hipótese: meio pode referir somente ao adjetivo, mas outros advérbios podem aludir, duma forma, ao sujeito. Quer dizer, toda pode aludir a "toda ela", e próximas que elas ficam "pessoas próximas", enquanto meio é entendido somente como pouco ou muito, que não refere nada ao sujeito. (Mesmo se toda é usado para significar muito, talvez o simples facto que pode significar "toda ela" bastou para fixar o costume.) – Dan Getz Dec 4 '16 at 21:55
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O comentário do Dan Getz explica bem o fenômeno. Veja também que não faz sentido modificar um adjetivo com todo. Imagine tentar descrever o grau de desconfiança:

  • Um pouco desconfiado
  • Meio desconfiado
  • Muito desconfiado
  • Totalmente desconfiado

mas... todo desconfiado? Nesse caso, o modificador não se refere ao adjetivo em si, mas é um pronome que se refere a quem está desconfiado. Ele todo (ou ela toda) ficou desconfiado (ou desconfiada).

Já com o seu exemplo de permanecer próximo, é interessante notar que há duas interpretações possíveis: uma é tratar próximo como um adjetivo que descreve o sujeito, e portanto concorda com ele. É fácil visualizá-la quando comparamos com casos sem ambiguidade:

  • Ele permaneceu interessado no tema.
  • Ela permeneceu interessada no tema.

A outra interpretação é tratar próximo a/próximo de como uma locução prepositiva, e aí sim ela é inflexível:

  • Ela permaneceu próximo do local do acidente.

Mas isso não invalida a possibilidade de usarmos próximo como um adjetivo que se refere ao sujeito, como você escreveu:

  • Ela permeneceu próxima do local do acidente.
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  • O exemplo que dei com "todo" não foi "desconfiado", mas sim "arrepiado". – Centaurus Dec 5 '16 at 15:02
  • Verdade, mas a ideia é a mesma. – erickrf Dec 6 '16 at 15:13
  • Todo nao poderia ser um substituto de totalmente? "Arrepiado Em todo corpo" -> "arrepiado (No) todo" -> "todo arrepiado" – Bruno Costa Dec 7 '16 at 9:35
  • @BrunoCosta não exatamente. Totalmente é um advérbio, e não pode modificar um substantivo ou pronome. Portanto, sempre está caracterizando o adjetivo, enquanto todo/toda caracteriza o sujeito. – erickrf Dec 7 '16 at 14:13

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