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More years ago than I care to count I was a student in high school. At that time I learned that the names of indigenous peoples have no plural form, and we must say "o Pataxó" and "os Pataxó". A Google search, however, has produced a considerable number of hits for "Os Guaranis". Not more than for "Os Guarani", it's true, but not a derisory figure either: approximately 80,000 hits for "Os Guarani" versus 45,000 for "Os Guaranis".

My question is: what's the correct plural form for the name of the indigenous peoples of South America such as "Tupi", "Guarani", "Pataxó", "Caeté", etc.

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  • 1
    Segundo os dicionários online esses nomes têm plural regular com s; estão indicados como de dois géneros, mas não dois números. Em muitos casos, empregam mesmo o plural regular nas definições. Por exemplo no Aulete, dos guaranis, dos pataxós, aos caetés. – Jacinto
    – Jacinto
    Nov 5 '16 at 10:41
  • @Jacinto Qunado os dicionários dizem uma coisa e o povo outra, eu paro pra pensar. Ao que me parece, pelo menos após uma procura no Google, usa-se muito mais "Os Guarani" do que "Os Guaranis". Veja o link da questão para a procura que fiz para ambas as formas. Como explicar isso?
    – Centaurus
    Nov 5 '16 at 14:33
  • @Jacinto Can it be that it has two plural forms?
    – Centaurus
    Nov 6 '16 at 14:47
  • Well, there definitely are two plural form in use.
    – Jacinto
    Nov 6 '16 at 16:16
  • Deve-se usar 'Os índios Guarani' quando se fala do povo "Para os índios Guarani, a terra é a origem da vida.", ou 'Os Guaranis' quando se fala de certos índios "Muitos guaranis foram catequizados e abandonaram suas aldeias." Nov 7 '16 at 11:28
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O plural de um nome é uma convenção. E o facto objetivo é que estão em uso dois plurais para os nomes dos povos indígenas do Brasil: um plural regular (o guarani versus os guaranis) e um plural irregular sem s que coincide com o singular, ou seja nome de dois números (o/os guarani). A tabela abaixo mostra que nuns casos predomina o plural regular; noutros o irregular (mostro a contagem inicial do Google, seguida da contagem na ‘ultima’ página, mais baixa, que exclui “resultados similares”).

Resultados do Google


Google geral             Guarani        Pataxó       Caeté         Tupi       Ianomâmi
Os + plural sem s      81.900/240    16.300/214    1.010/115    15.100/271    1.710/222
Os + plural regular    46.400/332    10.700/294    4.430/271    42.400/271    8.220/283

Google Books             Guarani        Pataxó       Caeté         Tupi       Ianomâmi
Os + plural sem s       2.830/82         33/33       18/18       1.640/66       12/12
Os + plural regular     3.020/74         35/35       43/43       2.870/65       38/38

Os dicionários que consultei—Houaiss (Lisboa, 2003), dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (Lisboa, 2001), Aulete, Michaelis, Priberam e Infopédia—registam para todos os nomes que vi apenas os plurais regulares. Também é só plurais regulares que encontro na Academia Brasileira de Letras, Portal da Língua Portuguesa e Vocabulário Ortográfico Comum da CPLP (neste último é preciso clicar em “flexões” para ver os plurais).

O plural regular não carece de qualquer justificação: limita-se a seguir a tradição da nossa língua. Como escreve a Folha de São Paulo no seu Manual de Redação (entrada indígena/índio):

Na Folha, nomes de nações, povos e tribos indígenas do Brasil são flexionados como os de qualquer etnia, povo ou nação: os tupis, os ianomâmis, os bantos, os apaches, os franceses, os mexicanos, os lapões.

Ao que consegui apurar, o plural sem s vem da Convenção para a Grafia dos Nomes Tribais de 1953 da Associação Brasileira de Antropologia (texto completo acessível mediante registo; resumo). O objetivo da Convenção era usar em trabalhos científicos nomes tão fiéis quanto possível ao original na língua indígena. Daí o uso de normas gráficas diferentes da grafia oficial portuguesa de modo a representar sem ambiguidade uma boa aproximação à pronúncia indígena (usando por exemplo o y para representar a semiconsoante que nós grafamos com i em hiato), e usar o mesmo nome para o singular e plural porque o nome na língua original poderia não ter plural ou não formar plural com s.

Mas agora há aqui duas coisas importantes. A Associação Brasileira de Antropologia pretendia apenas facilitar a comunicação no trabalho científico; nunca sugeriu que as suas normas fossem adotadas na grafia oficial. E mesmo para o trabalho científico, o artigo 21 prevê a grafia e flexões portuguesas para nomes de origem portuguesa ou “morficamente aportuguesados” (texto completo). Isto valeria, por exemplo, para guarani e tupi, que são formas aportuguesadas incorporadas na língua há séculos.

Esta posição parece-me absolutamente razoável. Não compete a um associação profissional propor para uso geral uma grafia e gramática alternativas. Mas obviamente o plural sem s saltou para usos não científicos, e independentemente de a grafia ter ou não sido adaptada às normas do português.

De algumas coisas que encontrei, como este Povos Indígenas e Tolerância: Construindo Práticas de Respeito e Solidariedade editado por Luís Grupioni e outros (2001, p. 65-8), fiquei com a sensação que a adoção destas normas alternativas na linguagem corrente é ou foi em parte alimentada por um ativismo político que procura através da grafia e gramática alternativas afirmar os direitos e identidade dos povos indígenas. Isto é mais óbvio na insistência na maiúscula inicial para os gentílicos indígenas: Guarani, Pataxó, contra a norma da grafia oficial, guarani, brasileiro, português, chinês. Mas também em geral no querer ter normas próprias que reflitam a língua original, ainda que mediada pelas convenções dos antropólogos.

Naturalmente cada um escreverá como achar melhor. Mas para mim escrever os guarani ou os ianomâmi para maior aproximação à lingua original não faz sentido. A língua original é a língua original, e a língua portuguesa é a língua portuguesa. Em inglês o plural é the English, mas nós escrevemos os ingleses, não os inglês ou os English. Do mesmo modo é os italianos e não os italiani; e os espanhóis e não os españoles.

E quem quiser uma posição mais contundente contra grafias e gramáticas alternativas pode ler a Dica 158 do Professor Paulo Hernandes.

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  • Faz muito sentido dizer que "a adoção destas normas alternativas na linguagem corrente é ou foi em parte alimentada por um ativismo político que procura através da grafia e gramática alternativas afirmar os direitos e identidade dos povos indígenas." Não havia pensado nisso. Ativismo político e querer ser políticamente correto por vezes interferem naquilo que não deveriam. Excelente resposta.
    – Centaurus
    Nov 24 '16 at 22:24
  • 1
    @Centaurus Imagino, que seja também por simples imitação/gosto pela novidade. Mas de facto acho que os argumentos avançados não fazem sentido (vê Povos indígenas e Tolerância). Querer que se escreva krahô e não craô porque se escreve Kubitscheck e não Cubicheque, ignorando que escrevemos espanhóis e não españoles. Há no entanto questões muito relevantes. Há povos que simplesmente não se reconhecem nos nomes que lhes deram: confusão do funcionário da FUNAI que não compreendia a língua; ou nome depreciativo que lhes era dado por outra tribo hostil, por exemplo.
    – Jacinto
    Nov 25 '16 at 19:34
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Credit to André Lyra who posted the comment and was invited to post it as answer.

Segundo os etnólogos e antropólogos, nome de nação indígena não faz plural: os Tupi, os Caeté, os Pataxó.

Quando nos referimos a determinados indios daquela etnia, no entanto, o plural se faz com o usual acréscimo de s. "Muitos guaranis foram catequizados e abandonaram suas aldeias."

Addendum

Uma pesquisa rápida no Google mostra 4540 entradas para "os Guarani são" e 3280 para "os Guaranis são".

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  • 1
    Os Guarani são é plural: o que queres dizer é que Guarani enquanto nação é um substantivo plural. Os Guarani para ‘nação’/ os guaranis para ‘indivíduos’ poderá ser a prática, ou mesmo a doutrina, entre os etnólogos e antropólogos (os teus 4 exemplos não demonstram que seja; encontro contraexemplos). Mas que seja: os etnólogos e antropólogos não são autoridade em matéria de língua. Todos os dicionários que vi têm guaranis para a nação. (Continua.)
    – Jacinto
    Nov 15 '16 at 8:16
  • E não é só dicionários. Por exemplo, no manual de redação da Folha de São Paulo: «Na Folha , nomes de nações, povos e tribos indígenas do Brasil são flexionados como os de qualquer etnia, povo ou nação: os tupis, os ianomamis, os bantos, os apaches, os franceses, os mexicanos, os lapões.»
    – Jacinto
    Nov 15 '16 at 8:21
  • @Jacinto podias formular uma resposta ;)
    – Jorge B.
    Nov 15 '16 at 11:31
  • @Jacinto Acrescentei mais uma informação a respeito.
    – Centaurus
    Nov 15 '16 at 11:47

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