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Porque temos, em Português, um acento grave só para três ou quatro palavras? (à, àquilo, àquele...)

Qual a justificação para usarmos nelas um acento grave e não um agudo, como em "todos os outros casos"?


Na Wikipédia diz que o acento grave é usado para marcar a crase...
Mas no artigo sobre crase o primeiro exemplo é noo -> nó, com acento agudo.

  • Em abono da justiça, o artigo na WP sobre crase está muito fraquinho. Confunde a crase com o uso ou não do artigo, que é o que acaba por causar a crase. – ANeves thinks SE is evil Oct 8 '16 at 15:30
  • Sobre o attigo da WP, note que "crase" é um fenômeno fonético. A crase é o processo pelo qual uma palavra que continha duas vogais juntas passou a ter só uma. Foi o que aconteceu como "nó" e "ser". Ocorre que "nó" recebe o acento agudo não devido à crase, mas por ser um monossílabo tônico terminado em "o". Note como "ser" também é monossílabo tônico resultante de crase, mas como termina em "r" não leva acento. – brandizzi Oct 10 '16 at 21:43
  • @brandizzi mas e "à", não é também um monossílabo tónico? Porque não leva igualmente acento agudo, como "nó"? Essa é a principal pergunta que tenho. – ANeves thinks SE is evil Oct 11 '16 at 13:23
  • "à" não é tônico, acredito: dificilmente o "à" seria a palavra mais forte em uma oração. Uma regra bobinha que adoto para saber se o monossílabo é tônico é usá-lo em uma rima. Por exemplo, se eu fizesse um poeminha "decidi que vou à / montanha que está lá", a rima soa estranha, porque o "à" é bem fraquinho. Mas mesmo que fosse tônico, acredito que usaria o acento grave, para acabar com a ambiguidade com outras palavas idênticas. – brandizzi Oct 11 '16 at 13:43
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A principal diferença é o facto de o acento agudo (e, hoje, o circunflexo) marcar a vogal tónica, contrariamente ao acento grave.

As palavras àquilo e àqueloutro, por exemplo, são paroxítonas.

Da mesma forma, na grafia portuguesa anterior à reforma ortográfica de 1973, escrevia-se rápido (proparoxítona), mas ràpidamente (paroxítona).

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  • Aaaah! Uau, faz imenso sentido. Fica por responder: porque é que não se escreve "à" com acento agudo, ou "nós" com grave? Se ambas são crases e ambas têm o acento na sílaba tónica. – ANeves thinks SE is evil Oct 9 '16 at 2:22
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    @ANeves Já se escreveu á. Imagino que agora se escreva à por coerência com àquele, etc. Não poderíamos escrever *áquele, porque na grafia pós 1911 em Portugal e pós 1943 no Brasil, o acento agudo indica sempre a vogal tónica. – Jacinto Oct 10 '16 at 7:00
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A partir de uma reforma ortográfica ocorrida na segunda metade do século passado, o acento grave passou a ser usado apenas para registrar a ocorrência de crase. Note bem que o acento grave não é sinônimo de crase, mas sim um indicativo de sua ocorrência.

  • crase é a contração ou fusão de sons vogais num só.

exemplos: fusão do artigo definido feminino "a" ou "as" com a preposição "a" = "à" ou "às"

fusão do artigo definido "a" ou "as" com os pronomes demonstrativos "aquele", "aquela" ou "aquilo" = "àquele", "àquela", ou "àquilo".

Para saber mais sobre o quando e onde usar o acento grave, temos já algumas perguntas sobre a crase aqui e também aqui.

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  • (1) Eu sei quando usar o acento grave, Centaurus, em todas as contrações do artigo "a" com uma palavra começada por "a-": à, àquele, etc. Em Portugal o "a" e o "à" soam diferente, então essa não é uma dificuldade que tenhamos. (2) E tudo bem que o acento grave não é sinónimo de crase, mas então porque há um acento agudo na palavra nós? Que justificação se encontra, que não se aplicasse para escrever também "á" (sic)? – ANeves thinks SE is evil Oct 9 '16 at 2:21

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