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Continuando minha jornada na criação de legendas, me deparei com algo que, baseado no fragmento de artigo que eu li, pode se caracterizar como o emprego do verbo lembrar na sua forma pronominal que, pelo que entendi, está intimamente relacionado com os pronomes do caso oblíquo.

O fragmento de frase original, apenas como referência para não fugir muito das Regras da Comunidade, seria:

(...) because all I remember is destroying you

Minha dúvida é quanto ao possível pronome, se de fato existente, ora oculto em inglês:

(...) porque tudo o quê eu me lembro é de mim destruindo você

Pois ao meu ver, também seria válido, na forma não-pronominal:

(...) porque tudo o quê eu me lembro, é eu destruindo você

Afinal aquele quem fala se lembra de um único fato e a vírgula quebraria a frase em dois períodos, mas não tenho certeza se eu devo (ou posso) não usar a forma pronominal -OU- se a forma como construí a frase, pronominalmente, está correta.

  • ou, 'sou eu destruindo você' – André Lyra Jul 26 '16 at 12:46
  • Também pensei nessa possibilidade. Na verdade, antes mesmo de pesquisar sobre essa particularidade dos verbo lembrar, já havia traduzido, quase que por instinto, usando sou eu – Bruno Augusto Jul 26 '16 at 12:48
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    Na segunda frase não pode pôr vírgula: não podes separar com vírgula o sujeito gramatical do verbo. A conjugação de lembrar é pronominal nos dois casos: me lembro – Jacinto Jul 26 '16 at 13:31
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    No meu entender, perguntas de tradução estão de acordo com as regras da case sempre que o foco seja sobre como exprimir a ideia em bom português, como é o caso desta pergunta, e não na interpretação do original. – Jacinto Jul 26 '16 at 13:45
  • 1
    @Luís Houve hoje uma discussão sobre este assunto no falatório. Talvez tenhas interesse em dar uma olhada. – Jacinto Jul 27 '16 at 20:42
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Eu traduziria a frase como (...) porque tudo de que me lembro é de te destruir., e nunca dessas outras formas.
Mas talvez esta forma seja usada só em Portugal, ou não seja comum no Brasil.

Esta construção inutiliza acidentalmente a dúvida original.

  • Não é tudo do/de que me lembro? Eu sugeriria só me lembro de... O all I + verbo nem sempre passa bem para português na forma tudo o + verbo, especialmente quando o verbo pede preposição. – Jacinto Jul 26 '16 at 13:28
  • Sim, é isso mesmo. Quem fala está replicando ao outro(a) que está contando vantagem sobre si mesmo(a). Eu não posso remover o tudo (ou quaisquer outros sinônimos cabíveis) para não perder parte da intensidade da discussão, na qual ambos os interlocutores se odeiam (por motivos fúteis) como se pode perceber pela amistosidade da sentença – Bruno Augusto Jul 26 '16 at 13:39
  • Pensei nisso, @Jacinto , mas não me consegui convencer. O «de» em «lembrar de» está em "de te destruir". De onde viria o outro de? Por exemplo, «tudo o que quero» e não «tudo do que quero». Faz sentido? – ANeves Jul 26 '16 at 13:44
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    Tudo o que quero é o, logo tudo do que me lembro é de – Jacinto Jul 26 '16 at 13:47
  • Talvez este exemplo seja mais claro: tudo pelo que combati foi... é diferente de tudo o que combati foi... o que é pronome relativo que representa o objeto de combati, logo leva a preposição que o verbo exigir. Penso eu de que... – Jacinto Jul 26 '16 at 14:10
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Como dizes, lembrar, na forma pronominal, exige o uso preposicionado (com de). Este é, de resto, de longe o uso mais comum em Portugal. O uso transitivo está mais reservado para sugerir, evocar, trazer à memória, advertir. Está portanto mais próximo de alguns sentidos de remind (e recall) do que de remember:

  • O estilo do pintor lembrava [=fazia lembrar] o de Van Gogh. (was reminiscent of; exemplo do Aulete)
  • Ainda hoje lembra o irmão com saudade. (recalls; exemplo desta resposta do CIberdúvidas)
  • Esta paisagem lembra-lhe a infância. (reminds him of)
  • Eu lembrei-o dos seus deveres. (reminded him of)

Os sentidos de remember que intersectam os de remind (na FrameNet, Remembering_experience, recordar uma experiência e Memory, ter em memória) são mais ocupados em Português Europeu pela forma pronominal. Ainda assim, podem por vezes ocorrer na forma transitiva, especialmente na literatura. Existem ainda outras regências, muitas das quais dialetais; vê a pág. 227 desta tese.

Em relação às tuas frases, ambas têm problemas, pelo menos na norma padrão europeia. A forma correta para lembrar pronominal é

... porque tudo aquilo de que me lembro é de o estar destruindo.

  • Sobre tudo <preposição> que/o que, ver esta pergunta;
  • eu o destruir tem de estar integrado num sintagma preposicional (compara com Eu destruí-lo é tudo aquilo de que me lembro);
  • que, não quê;
  • entre de eu destruindo-o e de mim destruindo-o, a escolha correta parece-me ser mim destruindo-o, analogamente a lembro-me de ti correndo pela pradaria. A frase contudo parece estranha e aqui é melhor usar o infinitivo impessoal: do que me lembro é de o destruir/estar a destruir. O agente de destruir é então a pessoa que se recorda (ou, na forma transitiva, que é lembrada, como em lembrei o João de o destruir — quem faz a destruição é o João). Quando não existe essa coincidência, então uma construção com o infinitivo pessoal (lembro-me de tu correres/estares correndo/estares a correr) ou gerúndio/infinitivo preposicionado (lembro-me de ti a correr(es)/correndo) tem de ser usada.
  • Em português europeu, é preciso usar o pronome acusativo o em lugar de você.
  • Eu vi-me destruindo/a destruir é possível. Não tenho a certeza que continue a ser possível se o verbo exigir uma preposição: lembro-me de mim destruindo/a destruir. Mas o Machado de Assis parece que achava que sim: «dei por mim mordendo os dentes» (D. Casmurro). – Jacinto Aug 1 '16 at 22:54
  • @Jacinto Não me parece dar por si seja análogo, mas de facto eu tinha-me esquecido da pergunta a meio da resposta. – Artefacto Aug 2 '16 at 12:19
  • Vi no Cunha e Cintra a construção vi-te dormindo, ouvi-o a chorar, etc., em que o clítico é uma espécie de sujeito, que não oferece grandes dúvidas. A minha questão é se é possível ter entre os dois verbos, além do pronome pessoal oblíquo, também uma preposição. Daí a analogia entre dei por mim mordendo e me lembrei de mim destruindo. Agora nessa construção o primeiro verbo exprime causa (fi-lo comer a sopa) ou perceção. E aí é que a analogia poderá falhar: lembrar-se é capaz de já não funcionar tão bem como dar por neste tipo de construções. – Jacinto Aug 2 '16 at 12:53
  • De qualquer modo, também não gosto muito de tudo de que me lembro é de mim destruindo-o: é muito pesadona, seja gramatical ou não. – Jacinto Aug 2 '16 at 12:54
  • @Jacinto fazer ou ouvir são verbos que formam predicados complexos, seja marcação de caso excepcional (fi-lo comer a sopa), fazer-infinitivo/união de orações (fiz-lhe comer a sopa); os perceptivos permitem ainda o infinitivo preposicionado (ouvi-o a chorar). Esta pergunta lembra mais verbos como gostar/precisar (de): gosto/lembro-me de ti a correr pelas pradarias, gosto/lembro-me que correste pelas pradarias, mas *gosto-o/lembro-mo (não marcam caso), lembro-me/gosto de comer (quem come sou eu; controlo de sujeito). – Artefacto Aug 2 '16 at 20:05

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