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Utilizamos essa expressão quando alguém vem a falecer.

Exemplo:

Nosso vizinho bateu as botas enquanto dormia.

Mas fiquei a pensar no sentido disso, qual a origem dessa expressão?

Porque quando penso em bater botas imagino um soldado do exercito fazendo continência. Mas ele está vivo e não morto, alguém que tenha falecido não teria como bater com as botas, então porque dizemos que o morto é quem bate as botas?

  • Assim sem qualquer tipo de investigação, acho que sempre interpretei subconscientemente de duas possíveis maneiras 1- Bater as botas no sentido de sacudir ou bater para limpar ou tirar o pó, como que já não as usa mais para arrumar definitivamente. 2- Quando se morre caindo espalhafatosamente de forma exagerada para trás (cartoonish overacting) as pernas subiriam e depois desceriam outra vez fazendo os pés bater no chão no retorno. – Duarte Farrajota Ramos Jul 25 '16 at 20:32
  • Em Portugal dizemos "bater a bota", no singular. – ANeves Jul 26 '16 at 10:20
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    @ANeves Por acaso acho que ouço com bastante frequência tanto o singular como o plural da expressão. – Duarte Farrajota Ramos Jul 26 '16 at 16:56
  • Tem alguma diferença de sentido sendo singular ou plural? – Fleuquer Lima Jul 26 '16 at 18:02
  • Não, @FleuquerLima . – ANeves Jul 27 '16 at 9:41
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O Coronel Aleu de Oliveira dá a seguinte explicação em Presença Militar na Língua Portuguesa (1993), também citada neste artigo do Ciberdúvidas:

À semelhança de quando um militar na presença de um superior dá um passo à retaguarda e dá a seguir meia volta, quando se vai a retirar, batendo com as botas no chão, o ir-se embora desta vida é conhecido como o bater a bota.

Eu nunca fui à tropa, mas encontrei a explicação daquilo a que o Coronel se refere neste blog do Tenente Perdigão. O militar para dar meia volta cerimonialmente, roda o pé direito na direção requerida e «o pé esquerdo vai assentar, com batimento, junto ao primeiro» (meu negrito em todas as citações). Podem ouvir e ver este batimento neste vídeo do exército brasileiro. Ao segundo 15 ouve-se o batimento dos pés esquerdos dos soldados ao voltarem à direita; ao segundo 35 vê-se e ouve-se o batimento do mesmo grupo ao fazer meia volta.

Agora a questão é como é que o Coronel Oliveira sabe que é esta a origem duma expressão que já vem do século XIX. No entanto a expressão é plausível por duas razões. Na meia volta militar é só o pé esquerdo que bate, e a expressão original parece ser bater a bota e não bater as botas. No Google Books só encontrei bater as botas a partir de 1962 (em A Rua e o Mundo de Fran Martins), enquanto bater a bota já aparece nas obras dos autores brasileiros Machado de Assis (1839-1908), Lima Barreto (1881-1922), Raul Pompeia (1863-95) e Artur Azevedo (1855-1908). O exemplo mais antigo que encontrei (dos que consegui datar) é de 1877 em A Pele do Lobo de Artur Azevedo:

Hei de ser promovido na primeira vaga que aparecer. O Cantidiano está por pouco a bater a bota. Verás se o lugar é ou não é meu!

Em Portugal a ocorrência mais antiga que encontrei é só de 1938, em Ocidente: Revista Portuguesa, o que sugere que a origem da expressão é brasileira.

A outra razão para a plausibilidade da origem da expressão na retirada do soldado da presença de um oficial, é que bater a bota também já foi usado, pelo menos no Pernambuco, simplesmente com o significado de ‘ir embora’, como atesta em 1935 a Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano:

Bater a bota; fugir, desaparecer, pôr-se ao fresco; morrer, “A rapazeada que folgava no bumba da Varzea deu tamanha vaia na Yáyá Prata, que envergonhada bateu a bota para o Recife”. ([revista] A Pimenta).

Encontrei uma explicação alternativa neste site, segundo a qual a expressão se teria divulgado durante a Guerra do Paraguai (1864-70) porque soldados feridos ao morrer «sacudiam espasmodicamente as pernas, batendo as botas uma na outra». Não são dadas quaisquer referências, e ficaríamos com cerca de uma década para de «batendo as botas uma na outra» se passar a «bater a bota» na obra de Artur Azevedo. Precisaríamos também de uma origem separada para o bater a bota no sentido pernambucano de ‘ir embora’.

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Penso que é pelo mesmo motivo por que chamamos o cemitério de "cidade dos pés juntos": os mortos são enterrados com os pés junto, com as botas encostando uma na outra. Mas etimologia é provavelmente o assunto onde vicejam mais palpites furados.

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