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Sempre ouço pessoas falando coisas como:

Eu estou numa boa.

Vamos num show?

É correto esse uso? Ou simplesmente seria uma abreviação?

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  • Em Portugal só se diz, e escreve, num e numa. – Jacinto Jul 21 '16 at 19:17
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Sim, perfeitamente gramatical. "num" e "numa" são contrações da preposição "em" com o artigo indefinido um/uma. O que não está correto é "Vamos num show". Nós vamos "a" ou "para" algum lugar, mas não vamos "em" um lugar. Nós "vamos ao cinema" mas "não vamos no cinema". "Vamos a um show", mas não "vamos num show". Vamos à casa de nossos primos, mas não vamos na casa de nossos primos.

Referências:

  1. http://www.dicio.com.br/numa/

  2. http://www.dicio.com.br/num/

  3. http://eumarkeller.blogspot.com.br/2011/03/ir-algum-lugar-ou-ir-para-algum-lugar.html
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A gramaticalidade de num e numa pode ser confirmada em qualquer dicionário. Por exemplo no Aulete (com abreviaturas desabreviadas):

1. Contração da preposição em com o artigo indefinido um: Vive num sítio no interior

2. Contração da preposição em com o numeral um: Num dos dedos havia a marca do anel

Imagino que a tua dúvida venha da oposição de alguns ao uso de num e numa na linguagem cuidada. Para quem está em Portugal, como eu, essa oposição é surpreendente, pois em um e em uma praticamente desapareceram quer da língua falada quer da escrita, exceto nalgumas construções especiais, discutidas nesta pergunta sobre dois em um. Mas mesmo olhando-se para a literatura brasileira, vê-se que num e numa têm sido amplamente usados, mesmo em textos académicos e linguagem cuidada. Eis alguns exemplos (ênfase minha):

Em Onde andará Dulce Veiga?, nos deparamos com um narrador sem nome que se lança à procura de Dulce Veiga, cantora que fez relativo sucesso numa época anterior ao momento em que o narrador conta sua história e que desaparecera misteriosamente. [Carlos André Ferreira, “Narrar ou não narrar. Caio Fernando Abreu: o sujeito e o não-dito do discurso da AIDS em Onde andará Dulce Veiga? em Via Litterae, v. 3, n. 1, p. 125-134. jan./jun. 2011]

Numa das esquinas em frente ao parque, no meio da ventania, embaixo da quaresmeira coberta de flores roxas, estava Dulce Veiga. Toda vestida de vermelho, uma rosa branca aberta, presa na gola do casaco, a bolsa da mesma cor pendurada num dos braços cruzados, com luvas de cano curto brancas. [Caio Fernando Abreu, Onde Andará Dulce Veiga, 1990]

De súbito, num acesso de fúria, desferiu um soco num dos vidros do armário e rompeu-o em pedaços. [Erico Veríssimo, O Tempo e o Vento (parte 3, tomo 2), 1961]

Nessa noite, Rubião sonhou com Sofia e Maria Benedita. Viu-as num grande terreiro, apenas vestidas de saia, costas inteiramente despidas; [Machado de Assis, Quincas Boraba, 1891]

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  • nalgumas não existe em pt-BR, pelo menos não na oralidade comum – André Lyra Jul 26 '16 at 12:48
  • André Lira disse: "nalgumas não existe em pt-BR, pelo menos não na oralidade comum". Como "não existe"? Pode até ser mais comum em Portugal do que no Brasil, onde provavelmente é menos usual; mas não significa que "não exista" em pt-BR. Ocorrências em livros: google.com.br/… – Davi Miranda Oct 25 '17 at 12:47
  • O português do Brasil parece estar a evoluir num sentido de ser cada vez menos sintético. – Rui Fonseca Oct 26 '17 at 23:54
  • @Rui, também noto isso nalgumas coisas. Mas enquanto coisas como dizer para ela em vez de dizer-lhe me parecem ser coloquiais, afastando-se da norma culta patente na literatura portuguesa e brasileira do passado, em um em vez de num é sobretudo observado na escrita e preserva o que encontramos em autores do sXIX. Vê tambem esta pergunta sobre a informalidade de num no Brasil – Jacinto Oct 27 '17 at 18:36

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