6

Em frases como:

(i) Eu, fulano, sicrano e beltrano faremos a execução da primeira etapa do projeto.

Ou

(ii) Fulano, sicrano, beltrano e eu faremos a execução da primeira etapa do projeto.

O exemplo (ii) seria, supostamente, o mais correto...

Por que é que o pronome eu deve aparecer no fim?

  • 5
    À 1a vista não me parece mais correta nenhuma das versões, ambas parecem certas. Qual a fonte desta sua percepção? – gmauch Jul 11 '16 at 11:20
  • Denis, não sei se reparaste, mas eu mudei o teu siclano para sicrano, que é o que vem no dicionário. Mas claro está, o dicionário não é lei. Se preferires siclano... – Jacinto Jul 12 '16 at 21:21
  • Ok, Jacinto. Ficou melhor assim. Eu fui pego pela pronuncia que geralmente é incorreta, ou seja, siclano. – Denis Caixeta Jul 12 '16 at 21:33
  • @gmauch, não é uma percepção cientifica. Vi isso no programa do Chaves <youtube.com/watch?v=NeM_eR5i5VY>. Depois fiz uma pesquisa na internet e encontrei alguns textos assim. – Denis Caixeta Jul 12 '16 at 21:53
  • Denis, encontrei uma coisa curiosa numa gramática. Vê edição da resposta. – Jacinto Jul 26 '16 at 20:56
9

Celso Cunha e Lindley Cintra na sua Nova Gramática do Português Contemporâneo (Lisboa, 1984, p. 365-6) dão-te alguma razão:

Quando no sujeito composto há um da 1.ª pessoa do singular (eu), é boa norma de civilidade colocá-lo em último lugar:

Carlos, Augusto e eu fomos promovidos.

Se, porém, o que se declara contém algo de desagradável ou importa responsabilidade, por ele devemos iniciar a série:

Eu, Carlos e Augusto fomos os culpados do acidente.

Digo apenas alguma razão, porque a posição do eu deve depender segundo eles de o que se tem a dizer ser agradável ou não. Mas mais importante, os autores recomendam isto como uma «norma de civilidade»; do ponto de vista gramatical, ambas as ordenações são igualmente corretas, e na minha experiência é até mais comum começar com o eu.

Uma busca no Google Books parece confirmar que não é só na minha experiência. Isto parece ser independente de o nome ser ou não precedido de artigo. Excluí nomes compostos (João Luís, Pedro Miguel, etc. do eu e [nome]).

Resultados da Busca no Google Books

             eu e [nome]    [nome] e eu
a Beatriz        17              3
a Raquel         17              3
a Sofia          24              6
Sofia            26              9
o João           36             11
João             12              7
o Matheus         7              4
o Pedro          36             10

É possível no entanto que tivesse havido entre alguns autores clássicos uma preferência pelo eu no fim. Numa vista de olhos por este Corpus do Português encontrei vários [nome] e eu na obras de Machado de Assis (1839-1908 e Eça de Queiroz (1845-1900), mas nenhuns eu e [nome]. Já Júlio Dinis (1839-71) põe o eu no princípio em várias ocasiões.

E até se encontram as duas construções na mesma obra, como nesta canção de Pedro Abrunhosa, com a letra completa aqui (ênfase minha):

Há bombas em Belfast e em Beirute
É preciso afinar o azimute
E eu e tu o que é que temos que fazer? Talvez […]
E tu e eu o que é que temos que fazer? Talvez […]

7

Essa é uma regra, talvez não de gramática, mas de etiqueta, em inglês. Primeiro você, depois eu. Em português não me parece que seja dada importância à posição relativa dos pronomes.

  • Também foi o meu primeiro palpite, na língua inglesa por questões de etiqueta é considerado mais correcto enunciar outras pessoas antes de nos referirmos a nós mesmos, no entanto penso que não exista tal regra em Português. – Duarte Farrajota Ramos Jul 15 '16 at 0:17
  • 1
    Escrito não parece haver diferença, mas falado o 'eu' no começo fica perdido na frase. O 'eu' no final reforça sua participação na ação na linguagem oral. E ainda é mais fácil de pronunciar. – André Lyra Jul 18 '16 at 16:38

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