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Em quais casos uma oração não possui sujeito?

Um deles é quando o verbo haver indica existência:

Haverá mudanças.

E os demais?

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  • Todas as orações têm um sujeito; este pode ou não ser implícito, contudo. – someonewithpc Jul 15 '15 at 18:56
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Existem três casos pertinentes aonde o sujeito não aparece na frase. São estes:

  • O sujeito subentendido, também denominado de sujeito nulo subentendido, sujeito desinencial, sujeito elíptico ou sujeito implícito. Também era chamado há alguns anos atrás de sujeito oculto, mas tal denominação foi abolida.

  • O sujeito indeterminado, também denomoniado de sujeito nulo indeterminado.

  • O sujeito inexistente.

No sujeito inexistente, a oração simplesmente não possui nenhum tipo de sujeito, pois o verbo não se aplica a qualquer sujeito. É o que ocorre em caso de fenômenos naturais e coisas impessoais com relação à existência ou passagem de tempo, tais como:

  • Haverá mudanças.

  • Choveu ontem.

  • É meia-noite.

Isso é diferente do caso aonde o sujeito não aparece na frase, mas pode ser facilmente inferido, que é o caso do sujeito subentendido:

  • Comi arroz e feijão.

  • Teremos mudanças amanhã.

  • Fica o dia inteiro miando.

E há também o caso aonde o sujeito existe, mas não está presente na frase e nem especificado, este é o sujeito indeterminado:

  • Roubaram o banco.

  • Acharam que azul com laranja não ficou uma combinação legal.

Quando o sujeito não aparece na frase, uma forma de se descobrir se o sujeito é subentendido, indeterminado ou inexistente, é transformar a frase em uma pergunta:

  • Frase: Comi arroz e feijão.
    Pergunta: Quem comeu arroz e feijão?
    Resposta: Eu.
    Conclusão: Sujeito subentendido. O sujeito é "Eu", mas a palavra "Eu" não está na frase.

  • Frase: Teremos mudanças amanhã.
    Pergunta: Quem terá mudanças amanhã?
    Resposta: Nós.
    Conclusão: Sujeito subentendido. O sujeito é "Nós", mas a palavra "Nós" não está na frase.

  • Frase: Fica o dia inteiro miando.
    Pergunta: Quem fica o dia inteiro miando?
    Resposta: O gato.
    Conclusão: Sujeito subentendido. O sujeito é provavelmente um gato ou uma gata, embora não esteja expresso na frase.

  • Frase: Roubaram o banco.
    Pergunta: Quem roubou o banco?
    Resposta: Alguém, ou algum grupo de pessoas, ou não se sabe, ou isso só pode ser determinado olhando o contexto da frase no texto ou conversa na qual se encontra.
    Conclusão: Sujeito indeterminado, pois há um sujeito, mas não é possível saber-se qual analisando-se a frase isoladamente.

  • Frase: Acharam que azul com laranja não ficou uma combinação legal.
    Pergunta: Quem achou que azul com laranja não ficou uma combinação legal?
    Resposta: Alguém, ou algum grupo de pessoas, ou não se sabe, ou isso só pode ser determinado olhando o contexto da frase no texto ou conversa na qual se encontra.
    Conclusão: Sujeito indeterminado, pois há um sujeito, mas não é possível saber-se qual analisando-se a frase isoladamente.

  • Frase: Haverá mudanças.
    Pergunta: Quem haverá mudanças?
    Resposta: A pergunta posta dessa forma não tem sentido. Isso não se aplica a algo ou alguém.
    Conclusão: Sujeito inexistente. Trata-se de algo impessoal com relação a existência de algo (no caso as mudanças).

  • Frase: Choveu ontem.
    Pergunta: Quem choveu ontem?
    Resposta: A pergunta posta dessa forma não tem sentido. Isso não se aplica a algo ou alguém.
    Conclusão: Sujeito inexistente. Trata-se de um fenômeno meteorológico.

  • Frase: É meia-noite.
    Pergunta: Quem é meia-noite?
    Resposta: A pergunta posta dessa forma não tem sentido. Isso não se aplica a algo ou alguém.
    Conclusão: Sujeito inexistente. Trata-se de algo impessoal com relação a passagem do tempo.

Posto tudo isso, respondendo diretamete às suas perguntas:

Quando uma oração não tem sujeito? [Título]
Em quais casos uma oração não possui sujeito? [Primeira frase do corpo da pergunta]

A resposta é que apenas no caso do sujeito inexistente, a oração não tem sujeito. Em todos os demais casos há algum sujeito.

No caso do sujeito subentendido e do sujeito indeterminado, ocorre que o sujeito existe, mas ele apenas não está expresso explicitamente na frase. E obviamente, nos casos do sujeito simples e composto, este está claramente expresso na frase e portanto existe.

Mais informações podem ser encontradas no artigo na wikipédia, em especial nas sessões de sujeito inexistente, sujeito indeterminado e sujeito oculto.

Outros links úteis:

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  • @someonewithpc Só uma coisa acerca da sua edição: A afirmação de que "todas as orações têm sujeito" é falsa. O motivo é que no sujeito inexistente, de fato não há um sujeito na frase, equanto que nos demais casos há um sujeito na frase, embora este não apareça nela expresso. – Victor Stafusa Jul 15 '15 at 19:47
  • Mas o fato de que se classifique como inexistente prova que existe :P – someonewithpc Jul 15 '15 at 20:35
  • @someonewithpc Hã!? A palavra "inexistente" significa exatamente "não existe". Então como é que "inexistente prova que existe"? – Victor Stafusa Jul 15 '15 at 20:39
  • Era uma piada... – someonewithpc Jul 15 '15 at 20:42
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    Tem algumas referências que sustentam a resposta? – E_net4 the commentary remover Jul 15 '15 at 20:44
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De acordo com a gramática [1,2], há três casos particulares onde o sujeito pode não existir ou não surgir explicitamente na oração:

  1. Quando o verbo em si não se aplica a qualquer sujeito (só pode ser usado em alguns verbos, e é considerado assim um verbo impessoal):

"Chove hoje."

"Troveja."

"Há sol."

  1. Em casos onde não há identificação possível do sujeito, temos um sujeito indeterminado:

"Batem à porta."

"Chamam lá em cima."

"Dizem que este ano haverá pouca chuva."

  1. Há ainda o caso frequente do sujeito estar implicitamente presente e identificado pelo contexto, tendo então um sujeito subentendido (antigamente denomidado como sujeito oculto [3]):

"Não consigo dormir." (o sujeito é necessariamente "eu")

"O André é reguila. Está sempre a mexer-se." (o sujeito continua a ser o "André" na segunda frase)

Respondendo a pergunta à letra, só o primeiro caso é que contempla a não existência de sujeito.

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Além do exemplo já citado (verbo haver indicando existência), lembro-me dos casos (certamente existem outros):

  • Quando o verbo é impessoal, por exemplo, os verbos que descrevem fenômenos naturais (chover, nevar, etc...): Choveu muito..
  • Quando o verbo indica tempo ou distância: Faz (ou Há) muito tempo que eu não o vejo..

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