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Notei que alguns tem usado "presidenta", mas penso eu que a palavra presidente seja usada para ambos gêneros, ou estou enganado?

Penso isto, pois é semelhante a palavra "regente", "estudante" e motorista, que me parecem ser situações semelhantes (claro que cada palavra pode ter sua regra/contra-regra), ou seja são palavras que são usadas tanto no masculino quanto no feminino.

É correto utilizar a palavras "presidenta", já é aceito por outros países e localizações que falam português além do Brasil?

  • 1
    Mais um recurso interessante: flip.pt/Duvidas-Linguisticas/Duvida-Linguistica.aspx?DID=4872 – Jorge B. Sep 29 '15 at 8:52
  • 1
    Quero deixar claro para quem negativou que a pergunta aqui não tem motivação politica, por falar nisso houve uma resposta aqui que essa sim tinha motivação ou orientação politica que inclusive já foi removida. O intuito aqui é meramente o entendimento "técnico" do idioma e como ele evoluiu ou vai evoluir. – Guilherme Nascimento Sep 5 at 12:40
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Em português europeu/de Portugal, a palavra "presidenta" só é utilizada de forma popular ou pejorativa (ver aqui):

pre.si.den.ta [prəziˈdẽtɐ]
nome feminino
1. popular mulher que preside
2. popular, pejorativo esposa do presidente

Isto deve-se ao facto de "presidente" ter dois géneros e se referir à pessoa que preside, e não ao homem que preside (ver aqui):

pre.si.den.te [prəziˈdẽt(ə)]
nome de 2 géneros
1. pessoa que preside
2. chefe de uma assembleia, tribunal, junta, etc.
3. título do chefe de Estado em algumas repúblicas

adjectivo de 2 géneros
que preside; que dirige

  • Foi o que eu disse na pergunta sobre presidir :) ... Então pode ser correto no Brasil, mas não em outros locais que usam o idioma? No mesmo sentido que motorista é usado para homem e mulher. Ótima resposta. – Guilherme Nascimento Jul 15 '15 at 13:43
  • 5
    Acho que não se pode dizer que é "incorrecto" em Portugal. Mas só se usa popularmente, e pela minha experiência não é comum nem popularmente. – JNat Jul 15 '15 at 13:53
  • 1
    @bigown Uh...não. Primeiro porque a língua está em constante mudança, e podem surgir novas palavras, regras gramaticais e ortografias ao longo do tempo. Segundo porque a língua é cultura, evoluindo portanto a par desta: "As línguas estão aí para mostrar a realidade e não para a esconder de acordo com a ideologia dominante (...)" — se surge algo cuja existência antes era impedida por normas ou preconceitos sociais, pode também surgir uma nova palavra que serve para designar essa mesma coisa. – JNat Jan 18 '16 at 22:58
  • 1
    (cont.) Faz mais sentido reconhecer que existe um problema social para resolver, e usar a língua como instrumento para resolvê-lo, do que tentarmos agarrar-nos às falhas do nosso meio de expressão de modo a perpetuar esses mesmos problemas sociais. – JNat Jan 18 '16 at 22:58
  • 3
    @bigown apesar da minha resposta parecer apoiar o termo, ainda sim coloquei ela mais como "informação" do que uma resposta conclusiva. O melhor exemplo que vi aqui foram os casos de estudante e regente (maestro ou governo), não faria muito sentido dizer que são palavras masculinas, assim como presidente. Mas de todo modo se for algo que se tornar popular então tudo bem, é a evolução da língua, mas realmente imposta por uma pessoa não me parece um caminho "certo". – Guilherme Nascimento Jan 19 '16 at 14:33
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A lei federal 2.749, de 1956, do senador Mozart Lago (1889-1974), determina o uso oficial da forma feminina para designar cargos públicos ocupados por mulheres. Era letra morta, até o país escolher sua primeira mulher à Presidência da República.

É também interessante notar a existência de "presidenta", desde 1899, pelo dicionário de Cândido de Figueiredo:

Presidenta, f. (neol.) mulher que preside; mulher de um presidente. (Fem. de presidente.)

Fonte:

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Conclusão (TL; DR)

Aparentemente, existiu algum uso da palavra presidenta no passado, e agora voltou a ocorrer devido a acontecimentos políticos. Nitidamente, o sufixo é independentemente de gênero, sendo que quem define o gênero é o artigo que o acompanha; por isso eu, particularmente, não vejo necessidade de se permitir o uso correto da escrita presidenta. Mas, no final das contas, o importante é que o significado seja passado corretamente, independentemente da forma.


A seguir estão disponíveis os resultados detalhados da pesquisa exploratória que realizei para utilizar como referência e insumo nesta análise.


presidente - Wikicionário:

Substantivo

pre.si.den.te, comum aos dois gêneros

Obs.: Também ocorre o feminino presidenta. [1] [2]

  1. Chefe de uma nação
  2. Pessoa que dirige os trabalhos duma entidade deliberativa
  3. cargo mais alto de uma empresa

[...]

Referências

  1. Academia Brasileira de Letras. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa: presidenta
  2. Houaiss, Antônio; Villar, Mauro de Salles. “presidente”. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. ISBN 85-7302-383-X

Comum de dois gêneros - Wikipédia, a enciclopédia livre:

Comum de dois gêneros

Em gramática, o comum de dois gêneros é a classificação que recebem os substantivos cujas formas masculina e feminina são idênticas mas são diferenciáveis pela presença de um modificante, tal como um artigo ou adjetivo.

Exemplos

  • [...]
  • O presidente - A presidente.
  • [...]

-nte - Wikicionário:

Sufixo

-nte

  1. sufixo formador de adjetivos e substantivos

A presidente ou a presidenta? - Professor Pasquale:

Que têm em comum palavras como “pedinte”, “agente”, “fluente”, “gerente”, “caminhante”, “dirigente” etc.? Não é difícil, é? O ponto em comum é a terminação “-nte”, de origem latina. Essa terminação ocorre no particípio presente de verbos portugueses, italianos, espanhóis…

Termos como “presidente”, “dirigente”, “gerente”, entre inúmeros outros, são iguaizinhos nas três línguas, que, é sempre bom lembrar, nasceram do mesmo ventre. E que noção indica a terminação “-nte”? A de “agente”: gerente é quem gere, presidente é quem preside, dirigente é quem dirige e assim por diante.

Normalmente essas palavras têm forma fixa, isto é, são iguais para o masculino e para o feminino; o que muda é o artigo (o/a gerente, o/a dirigente, o/a pagante, o/a pedinte).

Em alguns (raros) casos, o uso fixa como alternativas as formas exclusivamente femininas, em que o “e” final dá lugar a um “a”. Um desses casos é o de “parenta”, forma exclusivamente feminina e não obrigatória (pode-se dizer “minha parente” ou “minha parenta”, por exemplo). Outro desses casos é justamente o de “presidenta”: pode-se dizer “a presidente” ou “a presidenta”.

A esta altura alguém talvez já esteja dizendo que, por ser a primeira presidente/a do Brasil, Dilma Rousseff tem o direito de escolher. Sem dúvida nenhuma, ela tem esse e outros direitos. Se ela disser que quer ser chamada de “presidenta”, que seja feita a sua vontade -por que não?


Presidente ou presidenta? - Francisco Leite Monteiro:

Responder 'sim e não' à pergunta se a palavra 'PRESIDENTE' tem género feminino [Revista 'MAIS' distribuída com o Diário de 8 de Março, pag. 14] justifica que, sobre a mesma, se acrescente um pouco mais.

Do tempo em que eu andava na escola e, ainda que leigo na matéria, guardo em memória 'coisas' de que hoje pouco se cuida, não sendo estranho o facto de ter sido eliminado o latim que nesse tempo era uma disciplina obrigatória e que bem útil era para melhor se entender a evolução da língua de todos nós.

Ora 'PRESIDENTE', o que não tem muito que saber, foi importado directamente do latim 'praesidente' - pessoa a quem cabe uma chefia, ou seja, presidir, do latim 'praesidere'. Quer como adjectivo quer como substantivo, em qualquer dos casos, é como se designa 'comum de dois géneros', o que é corrente na formação de palavras pela junção do sufixo 'nte' que, pode dizer-se, traduz a ideia do agente. No caso presente, a partir de 'presidir' o agente é pois o ou a Presidente. Analogamente, só para citar alguns: - comandante, gerente, amante, estudante, mantêm a uniformidade para masculino e feminino.

Curiosamente, vai fazer um ano escrevi, comentando uma entrevista de Pilar del Rio, a jornalista espanhola casada com José Saramago, a um diário da capital, quando ela se insurgiu, arrogantemente, contra o entrevistador, classificando-o de ignorante, por se referir a ela como Presidente e não Presidenta da Fundação Saramago. Tratou-se de uma excentricidade que revela alguma ignorância, o que se percebe e se lhe desculpa, por não saber que além do mais, na língua portuguesa, os substantivos terminados em 'e', como é o caso, são geralmente uniformes, conservando uma unidade formal para os dois géneros.

Em conclusão, eu respondo 'NÃO' à pergunta - 'PRESIDENTE' continua a ser um substantivo comum de dois géneros.


PresidentA - a questão da flexão de gênero em palavras que denotam cargos de prestígio [documento]

Este é um trabalho realizado por Danielle Takase Queiroz, Mitchell Tranjan e Raphaela Piorino para a disciplina de Morfologia do Português, da Profa. Dra. Marilza de Oliveira, da Universidade de São Paulo.

Vale a pena a leitura para uma perspectiva ampla quanto à flexão ao gênero feminino na política!


Presidente ou Presidenta? - Programa do Jô [vídeo]:

Este é um vídeo que, apesar do teor humorístico, mostra de forma definitiva e clara o como e porquê desta questão. Eu, particularmente, concordo com a explicação da professora!

Vale a pena assistir. Além de aprender sobre a origem do sufixo, o desfecho é fantástico!

  • 3
    Sua explicação do -nte (assim como a palavra regente que é bem semelhante a presidente no uso) é ótima. – Guilherme Nascimento Jul 15 '15 at 19:28
  • @GuilhermeNascimento Obrigado pelo comentário! Eu realmente senti falta de mencionarem o sufixo nas outras respostas, o que me motivou a responder com uma pesquisa mais abrangente e de forma mais explicativa. Valeu! – falsarella Jul 15 '15 at 20:55
  • 4
    A resposta precisa de um pequeno sumário no topo. Eu sugiro pôr a conclusão no topo, sem cabeçalho, seguida das diversas visões e justificações como estão. – ANeves Aug 3 '15 at 13:49
  • 1
    O texto lido pelo Jô Soares é atribuído à uma pessoa que na verdade não o escreveu. Aqui está uma resposta da professora Miriam Rita Moro Mine sobre isso (suponho que a resposta seja realmente dela). Esse tipo de recurso é muito usado para dar credibilidade a um texto. Em outras palavras, "se quiser que acreditem em você, diga que foi Einstein que disse". – Marco Oct 6 '16 at 0:56
6

Já havia visto esta pergunta há tempos e não vejo como explicá-la melhor do que este artigo do Profº Cláudio Moreno.

Um argumento bastante interessante que ele apresenta é sobre a palavra 'primeira-ministra', que também teve seus momentos de estranheza:

É muito importante lembrar o que ocorreu com o vocábulo primeiro-ministro, que passou por várias etapas antes de conquistar definitivamente o direito a ser usado no feminino. Quando o mundo começou a falar em Indira Gandhi, eleita em 1966, a imprensa brasileira foi apanhada de surpresa e saudou-a inicialmente como “o primeiro-ministro Indira“. O absurdo da situação levou alguns a ousarem uma combinação híbrida, cruza de jacaré com cobra-d’água: “a primeiro-ministro Indira“. Esta forma esquisita foi a gota derradeira, o passo decisivo para a metamorfose final, pois a não-concordância do artigo com o substantivo, escandalosa demais para ser aceita por qualquer ouvido normal, forçou a flexão natural para “a primeira-ministra Indira“. Quando Golda Meir e Margaret Thatcher apareceram no cenário mundial, o nosso léxico já tinha absorvido plenamente a inovação. E presidente, como fica?

E como qualquer vocábulo, a sua aceitação/incorporação depende nós mesmos lusofalantes:

Os usuários (nós, nossos filhos, nossos netos) vão se dividir entre essas duas vertentes; com o passar das décadas, uma delas pode, talvez, sufocar a outra, enviando-a para o porão das formas aposentadas — ou, como acontece em dezenas de outros casos, as duas conviverão lado a lado, deixando o falante livre para escolher. Parafraseando meu mestre Luft, eu não gosto de presidenta e não vou adotá-lo — mas, e os outros com isso?

  • 4
    Conheces a argumentação a favor de primeiro-ministro Indira? Em Portugal, ainda em 1979 alguns jornais escreveram Senhora Primeiro Ministro (tivemos uma nesse ano), como se primeiro-ministro fosse um substantivo como dicionário (se o Houaiss tivesse sido mulher, ter-lhe-iam chamado Senhora Dicionário). Mas a comparação com presidente/a não vai muito longe. Senhora primeira-ministra impôs-se porque qualquer alternativa soava discordante, ao passo que não há nada de errado com senhora presidente. – Jacinto Sep 28 '15 at 21:10
  • Engraçado alguém não adotar presidenta, mas adotar usuário, é um bocadinho contra senso. – Jorge B. Jan 19 '16 at 14:16
0

Presidenta existe e consta no VOLPE. É perfeita no espanhol (presidenta Kirchner). No âmbito do português brasileiro havia caído em desuso. A palavra foi, porém, ressuscitada por certos grupos alinhados à ex-presidente Dilma Rousseff. É uma palavra que machuca o ouvido. Isso não é apenas minha opinião. A maior parte da imprensa não a incorporou. Outrossim, as pessoas comuns não a utilizam. Nunca ouvi alguém falar, v. g., que Fulana é presidenta do Supremo Tribunal ou que Cicrana é presidenta do Conselho da Petrobras. O uso se restringe à Sra. Dilma Rousseff mesmo.

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