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De acordo com o artigo da Wikipédia sobre este sinal, o trema foi removido, com a excepção de palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros (por exemplo, mülleriano, de Müller).

Segundo a minha perceção, este sinal deveria ser usado em palavras como 'pinguim' e 'linguista', para indicar a pronúncia do 'u' nos grupos 'gua', 'gue', 'gui', entre outros.

A remoção deste sinal parece-me apenas introduzir ainda mais excepções, que, acho, deveriam ser evitadas. Há algum benefício com a remoção deste sinal?

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  • 2
    No português europeu acho que nunca vi o trema a ser utilizado.
    – JNat
    Jul 14, 2015 at 18:36
  • 4
    Eu também não, mas acho que deveria. E segundo o artigo da wikipedia, era usado até 1945. Jul 14, 2015 at 18:37
  • 7
    Porque era muito chato apertar shift + 6. Brincadeira...
    – user89
    Jul 14, 2015 at 21:19
  • 3
    a remoção da trema criou um problema para os professores de lingua portuguesa, como explicar que Linguiça, o (gui) se pronuncia diferente Guia (gui).
    – AFetter
    Jul 22, 2015 at 11:41
  • 2
    @AFetter sim, no seu exemplo se escreve da mesma forma e se pronuncia diferente, nos exemplo que eu dei se escreve diferente e se pronuncia da mesma forma. O que eu quis dizer é que já estamos forrados de inconsistências e o trabalho do professor de português não é simples já não é de hoje :)
    – Math
    Jul 22, 2015 at 13:09

6 Answers 6

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Resposta copiada da wikipédia (e por este motivo, esta resposta é wiki da comunidade):

Em Portugal

Portugal utilizava o trema da mesma forma que o Brasil até o advento do Acordo Ortográfico de 1945, que suprimiu o trema na grafia de palavras vernáculas, reservando-o somente para palavras derivadas de nomes estrangeiros, como mülleriano (do antropônimo Müller).

No Brasil

De acordo com o Formulário Ortográfico de 1943, o trema era usado no Brasil para assinalar que a letra u nas combinações que, qui, gue e gui, normalmente muda, deveria ser pronunciada e átona. Exemplos: qüinqüênio (pronuncia-se então "cuincuênio") e conseqüência (pronuncia-se então "consecuência"). Se for tônica dever-se-ia pôr um acento agudo, como em "averigúe" e "argúi".

Até a alteração promovida pela Lei 5.765/1971, o trema tinha uma utilização adicional: marcar hiatos átonos, em palavras como gaüchismo. Na poesia, a palavra "saudade" podia ser grafada saüdade, quando se desejasse tornar essa palavra tetrassílaba em vez de apenas trissílaba.

Mesmo antes da abolição do trema, com a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 no Brasil, o seu uso era controverso. Mesmo com os livros de língua portuguesa editados no Brasil determinando que o trema devesse ser grafado, era frequente (freqüente) que muitas pessoas não o usassem, seja por desconhecimento ou por considerar seu uso desnecessário. Certos órgãos de comunicação brasileiros e alguns canais de televisão se alternavam entre o emprego ou não do diacrítico, principalmente no uso da palavra seqüestro. O acordo ortográfico no Brasil só poderá passar a ser obrigatório em 2016, mas ainda existe um grande debate sobre os prós e contras do Novo Acordo, sofrendo muita rejeição, principalmente em Portugal (ver: Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa).

A abolição do trema

O trema ainda não havia sido abolido porque a reforma ortográfica proposta desde o início dos anos 90 (ver os artigos Língua portuguesa e Acordo Ortográfico de 1990) não havia entrado em vigor - o que fez com que o trema fosse obrigatório na teoria e facultativo na prática da versão brasileira da língua portuguesa, em função de muita gente já não o usar mais.

O Acordo Ortográfico de 1990, na Base XIV, determinou a inteira supressão do diacrítico em palavras portuguesas ou aportuguesadas, vetando inclusive seu uso em poesia, algo que no Brasil já fora abolido pela Lei 5.765/1971, que modificou o Formulário Ortográfico de 1943.

Com a entrada efetiva em vigor do Acordo em 2009, o uso do trema é facultativo no período de transição (2009-2012) e a partir dele fica restrito às palavras de origem estrangeira e seus derivados, tais como Müller e mülleriano, Hübner e hübneriano, sem contar o direito garantido na Base XXI, de manter a grafia original de nomes próprios, empresas e marcas com registro público.

Essa indefinição só chegou ao fim no Brasil com a assinatura do Decreto 6.583/2008, que em seu artigo 2°, parágrafo único, determina um prazo de transição entre 1° de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012. Portanto, a partir de 2013, o trema estará abolido oficialmente da ortografia do português brasileiro, respeitado o uso em palavras de origem estrangeira e derivados como "Müller" e "mülleriano".

Ao chegar em dezembro de 2012, o trema pode ser usado até 1° de janeiro de 2016 após a vigência do Acordo Ortográfico ser adiada para 2016.

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+50

São várias as inconsistências na ortografia portuguesa, como as letras diferentes produzindo os mesmo sons. Por exemplo:

  • cedo → selo; ambos se pronunciam "cê"
  • xadrez → chafariz; ambos se pronunciam /ʃ/
  • gelo → jeito; ambos se pronunciam /ʒ/
  • exclama → escama; ambos se pronunciam /s/

O trema era uma maneira de diferenciar a pronúncia ao se escrever "que", "gue", "qui" e "gui", mas ainda assim isso não resolvia todos os problemas, pois existem palavras que possuem duas pronúncias distintas consideradas como corretas, por exemplo:

Todas essas pode-se pronunciar tanto "qui" como "qwi", mas o mais comum (ao menos no Brasil) é pronunciar "qwi"; entretanto a escrita dessas palavras nunca fez uso do trema, tornando bem confuso a regra para se escrever corretamente usando ou não o trema.

Além do mais, o uso do trema já não era consenso entre os países lusófonos, sendo mais usado no Brasil. Com a vinda do acordo ortográfico e a unificação da grafia optou-se por retirá-lo ao invés de implementá-lo nos demais países, deixando a escrita mais simples e afetando apenas a forma de escrever dos brasileiros.

Nativos da língua estão acostumados a primeiro aprender a falar e somente depois a escrever, portanto, sua extinção tende a não afetar a pronúncia das palavras que perderam o trema e é possível que simplifique as coisas extinguindo a regra do uso de mais um diacrítico.

Fontes:
- A Tribuna Mato Grosso - Mudanças ortográficas: necessárias, desnecessárias e tímidas?
- Brasil Escola - TREMA – É HORA DE PARTIR!

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  • 1
    Math devias explicar melhor em que ponto dos exemplos é que as letras diferentes produzem o mesmo som. Só por curiosidade eu nem sabia da existência do trema até começar a ver Alemão escrito.
    – Jorge B.
    Jul 22, 2015 at 13:11
  • 1
    @JorgeB. eu gostaria, mas eu não sei escrever aquelas coisas que vão entre barras /, tipo o nosso amigo ali em cima que escreveu "/pɪŋ.ˈgĩ/ e /pɪŋ.ˈgwĩ/". Foi por isso que eu criei essa pergunta: portuguese.stackexchange.com/q/447/3 mas ela está pobre e mal formulada, então ainda não aprendi como fazer isso e não sei uma maneira simples de explicar a pronúncia dos sons :'(
    – Math
    Jul 22, 2015 at 13:14
  • 1
    @JorgeB. vou arriscar...
    – Math
    Jul 22, 2015 at 13:15
  • 1
    Eu acho que os exemplos de sonoridade dupla não são importantes. Também se pode dizer «ouro» e «oiro», ou «louro» e «loiro». Há exemplos de duas pronúncias e duas escritas possíveis. Da mesma forma, podia haver duas escritas possíveis para líquido/líqüido; não vejo problema ou incongruência nisto.
    – ANeves
    Apr 20, 2016 at 9:15
  • 2
    ainda assim isso não resolvia todos os problemas pois existem palavras que possuem duas pronúncias distintas consideradas como corretas - eu acho que resolvia. Essas palavras teriam duas grafias possíveis: «líquido» e «líqüido». Da mesma forma que se pode escrever tanto «louro» como «loiro».
    – ANeves
    Apr 21, 2016 at 9:51
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Pelo que pude entender numa breve pesquisa pelo Google, essa mudança, como provavelmente tantas outras do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, foi estabelecida pela variedade de regras que havia no seu uso dentre os países que usam a Língua Portuguesa. Logo, na tentativa do Novo Acordo de unificar os países que tem o português como língua oficial, o sinal trema foi removido.

2
  • 5
    Por exemplo "pinguim" deveria se ler algo como /pɪŋ.ˈgĩ/, mas lê-se /pɪŋ.ˈgwĩ/ como se o u fosse aberto. Se tivesse o trema, seria óbvio que o u não pertencia ao ditongo, mas assim cria-se uma excepção. Jul 16, 2015 at 16:26
  • 2
    Fizeram isso para agradar os portugueses. Como muitas das palavras têm a dupla pronúncia, e como já não era obrigado a usar o sinal, resolveram acabar com ele. Mas as palavras que possuem apenas pronúncia com o 'gu' separado ficaram absurdas: linguiça é o grande exemplo. Apr 20, 2016 at 18:56
0

Depois que tiraram o trema e outros acentos diacríticos, o português se tornou ridículo. Ele ou eles faz(em) a diferença nas palavras que usam as mesmas combinações de letras, especialmente os dígrafos gu e qu seguidos de e ou i para a correcta pronúncia das letras nas sílabas destas palavras. Sempre aprendi assim.

O italiano, idioma que dizem ser complexo na aprendizagem para eles mesmos e ainda mais para os estrangeiros devido à grande quantidade de consoantes duplas, utiliza vários dígrafos que raramente se confundem nas palavras, em contrapartida ao que acontece conosco.Vejamos:

  1. perché (porque: ch com som de qu duro ou seco)
  2. frequente (freqüente : qu com som de u pronunciado)
  3. guerra (guerra: mas com o u pronunciado como se tivesse o trema)
  4. ghiaccio (gelo: g seco ou duro como guitarra ou garagem)
  5. agguato (gu com u pronunciado como em guardar; significado: armadilha;emboscada;surpresa inesperada e/ou desagradável)

Nas seqüências gue e gui a pronúncia é como se eles tivessem a diérese ou trema, com o u proferido.

Nos idiomas germânicos, em especial o alemão, a pronúncia da vogal u com o trema não há nada a que ver com a nossa dicção ou pronúncia. Ele faz pronunciar a letra u mais perto da vogal i (über - acima; superior: über alles: acima de tudo).Tal fenômeno chama-se metafonia.

No inglês, tal som pode ser representado nos dígrafos ee ou oo, como por exemplo, na palavra seen (i) ou soon (ü) visto e cedo, respectivamente.

6
  • 2
    Por que o português se tornou ridículo? Não entendi.
    – Math
    Nov 8, 2016 at 11:00
  • Acredito que todas as línguas tem inconsistências, português é só mais uma. Por que exemplo em inglês "bear" e "fear" tem pronuncias tão diferentes se na escrita são tão próximas? Ou ainda por que no inglês britânico se escreve "theatre" enquanto no americano se escreve "theater"?
    – Math
    Nov 8, 2016 at 17:13
  • Verdade. Sem mais nada a dizer. Nov 8, 2016 at 17:16
  • Com certeza é que o trema deveria ser usado para evitar confusões lingüísticas. Nov 22, 2016 at 22:30
  • Devido à esta coisa de o português ser pronunciado de um jeito, mas escrito de outro; ainda mais sendo geográfica a razão de a pronúncia ser mais aberta ou fechada. Por que devemos nós, brasileiros, adotar a mesma pronúncia de vogal fechada, enquanto a fazíamos aberta? Exemplos: idéia (BR); ideia:(PT: ê); carotenóide (BR) carotenoide (PT) O trema: lingüiça (BR); ambigüidade (BR) senão fica: lingiça; ambigidade Nov 24, 2016 at 10:10
0

Àqueles que dizem que os falantes já sabem por natureza quais palavras pronunciam-se ou não a letra U, discordo plenamente e trago algumas situações (aberrações lingüísticas) que ouço em meu quotidiano:

  1. Distinguir / Extinguir (geralmente pronunciado com a letra U, o que não deveria acontecer, já que há um padrão para VERBOS no infinitivo terminados em GUIR, como Conseguir, Seguir, Prosseguir sem a pronúncia de tal letra).

  2. Güiana Francesa (pronunciada por muitos como /Guiana/ sem a articulação da letra U).

  3. Equino / Eqüino (vocábulos que especificam tipos de animais diferentes, mas que têm sido pronunciados igualmente. Eqüino é relativo aos eqüídios e cavalos, enquanto Equino refere-se a animais marinhos sésseis ou com movimentos lentos, como a Estrela-do-mar).

  4. Qüinqüênio (pode se ouvir sendo articulado como /Quinqüênio/ e aí me pergunto: Que critério usar para a pronúncia em apenas no segundo ditongo?) 😹

E NÃO! O Acordo Ortográfico não diz que a pronúncia de tais palavras com GUI/GUE/QUE/QUI fica a critério do falante. A base XIV do Acordo Ortográfico de 1990 afirma que, o trema é suprimido, mas a pronúncia não se altera.

Quanto aos estrangeiros que estão aprendendo o português, coitados, erram todas as palavras a toda hora.

São estes pequenos detalhes que destróem a riqueza da nossa querida língua. Logo, novas resoluções devem ser tomadas para mitigar tal problemática.

A perda do trema é realmente uma grande perda.

1
  • 1
    Isto faz-me lembrar o estilo de polémica que autores como o Vasco Graça Moura e tantos outros usavam como pretexto para escrever bitaites nos jornais. Mas se o AO não fosse o pretexto outro encontravam pois alimentar polémicas e mandar bitaites é o que os polemistas fazem. Li alguma da produção escrita desses polemistas e fosse qual fosse a grafia achei-lhes sempre pouca substância.
    – bad_coder
    Aug 15 at 23:05
0

A remoção deste sinal parece-me apenas introduzir ainda mais excepções, que, acho, deveriam ser evitadas.

De facto não, o trema nunca foi muito usado em Portugal nem nos outros países Lusófonos excepto no Brasil. Se não tivesse sido removido o trema pelo AO de 1990 (quando já era sabido que a internet viria em breve alterar o nosso quotidiano) estariamos agora -todos os falantes nativos e estrangeiros da língua de Camões- a ler e escrever com grafias divergentes, o que causaria enorme estranheza e faria destes gestos simples, uma constante fonte de diferenças.

Num dos exemplos dado noutra resposta:

exclama → escama; ambos se pronunciam /s/

O que importava na anterior grafia não era a pronúncia mas manter os radicais eruditos importados do latim com a grafia original, vejamos:

excelso

(latim excelsus,-a, -um)

escama

(latim squama, -ae)

Ao tornar a grafia dos radicais divergente com a etimologia e a diacrónia, para fazer a grafia seguir a pronúnica sincrónica, introduzimos um diferença não só em relação ao latim, mas também em relação ao inglês, ao francês, ao alemão e a todas as línguas que também importaram esses radicais... Por exemplo:

Acto (pré AO 1990) > Ato (pós AO 1990)

Agora vamos ver as outras línguas:

  • Inglês

    Act, Action, Activity

  • Francês

    Acte, Action, Activité

  • Alemão

    Akt, Aktion, Aktivität

  • Espanhol

    Acto, Acción, Actividad

Como podemos ver até línguas que não são românicas mantém os radicais mais próximos da grafia original do latim do que o português após o acordo ortográfico. O que de facto acontece é que ao perdermos essa semelhança estamos a divergir das restantes línguas (e das nossas origens) e estamos a isolar-nos na grafia o que vai causar maior estranheza ao encontrarmos línguas estrangeiras e quando esses estrangeiros encontrarem a nossa língua (e o mesmo pode ser dito, até, do uso do trema).

Trema

Em Portugal

Portugal utilizava o trema da mesma forma que o Brasil até o advento do Acordo Ortográfico de 1945,

Esta história a mim coloca-me muitas dúvidas... Já li inúmeros livros do princípio do século 20 e século 19 nas edições originais e raramente vi tremas nas edições Portuguesas. O trema em Portugal já era muito pouco usado no vernáculo desde há muito. Talvez seja necessária escrever a história de como se foi usando o trema cada vez menos durante o século 19 em Portugal, e porquê no mesmo periodo o uso do trema parece ter continuado ou até ter-se intensificado no Brasil.

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