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Estive tentando encontrar situações em que eu usaria o verbo "convir", verbo transitivo indireto, no sentido de "ser útil" e encontrei apenas...

  • "Ah, este é o apartamento que nos convém."
  • "Não vou aceitar porque não me convém."
  • "Faça o que lhe convier."
  • "Se te convier, aceite."
  • "Se me conviesse eu aceitaria."

Sei tratar-se de um verbo defectivo, mas exatamente em que tempos e pessoas o verbo "convir" pode ser conjugado ?

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  • 2
    Uff, é mesmo difícil responder a esta... Acho que se pode usar "estas soluções não me convêm", terceira pessoa do plural, e portanto não pode ser um verbo impessoal. – ANeves Mar 3 '16 at 9:36
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Não creio que se trate de um verbo defectivo. É verdade que convir no sentido de ser útil, proveitoso, apropriado (aceções 1, 2 e 5 do Aulete) é usado sobretudo na terceira pessoa: coisas ou combinações que convêm. Mas é possível formar frases perfeitamente inteligíveis com este significado de convir em todas as pessoas gramaticais. E só não encontrei para a segunda pessoa do plural (mas até isso o Artefacto encontrou, ver comentários; ênfase minha):

Olha pra mim se te apraz,
E vê lá se te convenho
Eu sou muito bom rapaz,
Só dinheiro é que eu não tenho.
Maria Soares, Os Três Santos Populares

Alguém que saiba abrigar a minha inserviência, alguém que olhe para mim e que saiba que eu já não convenho a muita coisa, mas que continuo tendo valor.
Diário do Rio Doce, 2-12-2013, p. 4

És tu que me convéns,
Na tua singeleza
De barro popular, humano,
Pois me acenas com tudo o que preciso
Paulo Quintela, “Santo Antoninho dos Pobres”, Vértice, Vol. XXVII, nº. 282-283, 1967, p.164-165, citado em Luís Machado de Abreu, “Santo António de Lisboa nos Caminhos da Europa”, Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano XI, 2012, n. 16/17, p. 256.

R140: Assumimos uma determinada postura em termos de valores, [...] e procuramos manter-nos isentos. Daí julgo eu, a nossa dificuldade em sobreviver! (Risos)
P141: (Risos)
R141: Temos sido sempre muito (Discurso imperceptível), porque não convimos a ninguém! Porque o poder político o que quer é ter pessoas coladas a si! (Risos)
Entrevista a dirigente de ONG, repositório da Universidade de Lisboa

Quanto aos tempos e modos não me parece haver dificuldades, exceto no caso do imperativo. Se olharmos para os exemplos acima, uma pessoa convém (a alguém) se tiver as qualidades desejadas (por esse alguém), e isso é um coisa que seria estranho, senão mesmo absurdo, pedir ou ordenar: «convém-me» ou «exijo que me convenhas».

Pensando bem, se uma pessoa, homem, mulher ou criança, pode convir (a alguém), então é possível conjugar o verbo em todas as pessoa gramaticais. E quem, pelo menos deste lado do Atlântico, é que não sabe que a mulher bonita é que me convém com outra versão um pouco diferente tocada aqui por uma tuna universitária.

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  • Se procurares por "convindes a" no Google Books encontras dois exemplos na 2a pessoa do plural, embora sejam com valor de singular. – Artefacto Mar 3 '16 at 11:44
  • @Artefacto Século XIX, não? Eu restringi a busca ao séc. XX para evitar a aceção estar de acordo, que era usado ao pontapé no séc. XIX. E como não vejo nenhuma diferença relevante aqui entre és tu que me convéns e sois vós que me convindes, não me preocupei muito com isso. – Jacinto Mar 3 '16 at 11:47
  • 1
    Sim, XIX. A primeira ocorrência é «Eil-o aqui: essa estimavel mulher, é ternamente adorada por um homem a quem estimo, a quem convém muito mais do que vós lhe convindes a ella: o vosso casamento desagrada-me, e prohibo-vos que trateis d'elle» – Artefacto Mar 3 '16 at 12:00
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No sentido de ser conveniente/útil, convir será geralmente conjugado apenas na terceira pessoal (verbo unipessoal), singular ou plural (refs. 1 2 3), com o singular o mais comum, até porque frequentemente o sujeito (com o qual o verbo concorda) assume a forma de oração (geralmente posposta ao verbo, como em convinha que viessem mais cedo).

Mas também se encontram com facilidade exemplos no plural (exemplos do CETEMPúblico):

par=ext183986-eco-94a-2: Mas se o preço é o factor determinante na escolha, então os Continente [supermercado] são os que mais lhe convêm.
par=ext69029-clt-95a-1: No entanto, as aquisições dos americanos não convêm aos europeus, que terão, por sua vez, de negociar outro acordo; depois os próprios chineses se sentem pressionados, porque lhes exigem coisas a mais em tempo a menos.

No entanto, eu não excluiria completamente o uso de convir nas primeira e segunda pessoas. Se os Continente me convêm por que não hás de tu convir-me? Não me parece que haja qualquer impedimento semântico, pelo menos. E de facto encontram-se alguns exemplos na literatura, por exemplo (grafia original):

O sr. padre Manuel é um santo, mas sabe menos do que toda a gente a respeito de... em fim, não me convens para moça e procura outra casa

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  • Se tivéssemos combinado não teríamos conseguido responder mais ao mesmo tempo. O teu «convéns» não tem acento? – Jacinto Mar 3 '16 at 11:29
  • @Jacinto Não o texto é do séc. XIX. – Artefacto Mar 3 '16 at 11:30
  • Pensei nisso, e ia dizer que não tinha encontrado mais nenhum sinal, mas reparo agora no «em fim». – Jacinto Mar 3 '16 at 11:32
  • No exemplo que construíste, estás a tratar um hipermercado por tu? – Jacinto Mar 3 '16 at 11:51
  • @Jacinto Não... Que te faz ter essa ideia? Estou simplesmente a dizer: se podemos dizer que um supermercado nos convém (é conviente), por que não havemos de poder que dizer alguém (porventura, a pessoa com quem estámos a falar) nos convém. – Artefacto Mar 3 '16 at 12:02

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