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Estou com dificuldade em entender o ditado

Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Quando uma pessoa diz isto, significa que…

  • apesar do perigo ou dificuldade, nada de mal aconteceu? ou…
  • o mal que aconteceu não foi muito mau—não nos matou/quebrou? ou…
  • o mal que aconteceu não atingiu os que são importante para nós?

No seu sentido literal, será que a frase significa que…

  • No meio de outras pessoas que ficaram mortas ou feridas, todas "as nossas" ficaram ilesas? ou…
  • O falante só começou a dizer que no meio de pessoas mortas e feridas, algumas pessoas ficaram ilesas. Mas felizmente, ninguém ficou nem morto nem ferido? ou…
  • Entre as possibilidades das pessoas ficarem mortas, feridas, ou salvas, ficaram salvas? ou…
  • …outra explicação?
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Literalmente, «entre mortos e feridos, salvaram-se todos» não tem sentido. Trata-se na verdade de uma modificação brincalhona do ditado:

Entre mortos e feridos, alguém há de escapar.

Este compreende-se facilmente. Pelo que eu vi pela net, a variante brincalhona é usada, como seria de esperar, sempre jocosamente, e é aplicada a situações potencialmente perigosas ou em que alguém previa perigo, mas em que no fim tudo corre mais ou menos bem.

Por exemplo, neste artigo (2012) o 'ditado' refere-se a um debate entre candidatos a prefeito de Curitiba, em que todos os participantes se declararam vencedores. Neste outro artigo (2014) refere-se ao facto de, depois de previsões catastróficas, os jogos do Mundial de 2014 em Porto Alegre terem decorrido sem incidentes. Este outro caso (Rabecão capota: entre mortos e feridos salvaram-se todos!) até envolveu mortos: o rabecão transportava cadáveres, mas a tripulação sofreu apenas alguns ferimentos.

Diz a Wikipédia que foi Washington Rodrigues (1936-), jornalista desportivo, treinador de futebol e dirigente desportivo brasileiro, quem cunhou esta variante brincalhona. Mas não, ela já existia em 1906, vinte anos antes de Washington Rodrigues nascer (negrito meu):

A policia prohibiu a representação de tal drama historico, que transformou o Theatro Nacional em campo de batalha de dois partidos politicos encarniçadamente inimigos.
Entre mortos e feridos todos escaparam, como sempre se dá […]
Francisco Mascarenhas, Do Brazil ao Chile através dos Andes, 1906.

A versão original—entre mortos e feridos alguém há de escapar—já existia em 1878 (Manuel Pereira Lobato, Agua de Lourdes: comedia em um acto).

  • Mas a frase não tem um significado padrão? – Dan Getz Jan 26 '16 at 14:14
  • @DanGetz Acabei de editar. Corresponde à primeira das tuas hipóteses, mas é sempre humoristico, porque nunca há mortos nem resultados graves. Literalmente a frase é um contrasenso: entre mortos todos se salvam; só se se estivesse a falar da salvação da alma... – Jacinto Jan 26 '16 at 14:16
  • Acho que assim esclarece todas as minhas dúvidas. Obrigado! – Dan Getz Jan 26 '16 at 15:31
  • Talvez um trocadilho brincalhão que também se faz com o ditado "uma faca de dois legumes", na palavra legumes se pronuncia bem fortemente e claramente pra chamar a atenção re que está errada e se tornar engraçado. Sendo o correto "uma faca de dois gumes". – Luciano Mar 10 '17 at 10:59
  • @Dan, afinal este novo ditado é muito mais antigo do que dizia a Wikipédia. Alguém tem paciência para lá ir emendar? – Jacinto Sep 22 '17 at 19:47
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Entendo que se você for ver pelo lado espiritual refere-se à salvação da alma.

Mas se você for pelo outro lado eu entendo o seguinte:

Por mais difícil que seja a situação, que muitas das vezes não encontramos uma saída, sempre haverá uma luz no fim do túnel, ou seja, sempre aparecerá um caminho a seguir no meio de muitas tempestades.

  • Fiz uma edição à sua resposta, se não gostar pode reverter, mas tenha em atenção os erros ortográficos. Num site sobre língua portuguesa convém evitar ;) – Jorge B. Jun 23 '16 at 8:48
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Sei que a pergunta é antiga, mas uma resposta satisfatória sempre será bem vinda. Digo isso porque eu pesquiso muito na internet e gosto de ver vários pontos de vista. Pressuposto: situação de grave crise. Apesar de a fala nos levar a pensar em uma situação militar; pode ser militar, política, social, não importa. A chave é: parecer ser um “mato sem cachorro” (outro ditado). Uma situação difícil, com péssimo prognóstico. Mas, ao final, no cômputo de perdas e ganhos, vê-se que a situação não se desenrolou de modo tão ruim (como era esperado). Houve “baixas” (perdas), mas a situação final pode ser tida como perfeitamente aceitável.

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Os que morreram todos foram pra Deus. Os que fircaram feridos foram socorridos. Os que saíram ilesos voltaram para os seus. . . Todos foram salvos

Ou também os resgate dos corpos. Um exemplo acidentes marítimos/naufragados onde não se encontram os corpos e dão estes por mortos. Neste caso pode se dizer que não se salvaram todos, pois somente os feridos e os não feridos foram encontrados 100%

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