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Minha dúvida é sobre o uso de "o leigo" em ptBR e no seguinte contexto:

"Colegas, todos nós sabemos que o tabagista crônico, inveterado, está mais propenso a diversas patologias além daquelas pulmonares e cardiovasculares. Mas perguntem ao leigo se ele tem noção..."

"Nós, médicos, sabemos disso, mas o leigo não imagina que..."

leigo - (adjetivo e substantivo masculino) "que ou quem não tem conhecimentos especializados em determinada área"

Minha dúvida deve-se ao fato de que eu fui corrigido recentemente aqui ao escrever "pergunte ao leigo".

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  • Não fui eu, juro!! Mas se ;) tivesse sido, seria porque "o leigo" era pessoa indeterminada, e por isso deveria levar um artigo indefinido - um; se fosse pessoa determinada (aquele leigo ali), então levaria um artigo definido - o. – ANeves Jan 23 '16 at 0:50
  • @ANeves O leigo refere-se a "aquele que é leigo", da mesma forma que "o rico", "o pobre", "o valente", "o covarde". "O covarde não admite que...", "O rico está mais preocupado com seus lucros e dividendos do que...", "O cínico não hesitaria em.....". – Centaurus Jan 23 '16 at 1:45
  • Em Portugal acho que se usaria "os leigos", nesse caso; ou talvez "um leigo". – ANeves Jan 24 '16 at 0:35
  • Em Portugal acho que se usaria [antes] - parece que em Portugal, afinal, a construção original é aceitável; o @Artefacto esclareceu-me, nos comentários da sua resposta. – ANeves Jan 24 '16 at 2:35
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Pouca gente terá dúvidas a respeito do segundo exemplo que dás, do género destoutro que podemos encontrar no CETEMPúblico:

(1) Para o leigo, o ‘poeta’ está muito acima do ‘banqueiro’.

Estas frases são muito semelhantes a estas outras:

(2) Para os leigos, o ‘poeta’ está muito acima do ‘banqueiro’.
(3) Para um leigo, o ‘poeta’ está muito acima do ‘banqueiro’.

Todas elas representam contextos frásicos genéricos. Esta genericidade não depende do tipo do sintagma nominal (definido ou não). A Gramática do Português da Gulbenkian (2003, vol. I, pág. 809) identifica o trabalho de Krifka e outros (incluído no livro The Generic Book) como um importante contributo para a interpretação deste tipo de frases (ditas caracterizadoras, porque representam properiedades gerais ou habituais) e dá os seguintes exemplos:

a. Toda a criança chora quando tem fome.
b. Muitas pessoas não dormem oito horas por dia.
c. A maior parte as pessoas vive sem se perguntar para quê.
d. Geralmente, os portugueses são trabalhadores.
e. Por norma, o alemão gosta de ceveja. [nota de rodapé: Com um exemplo semelhante, usando também o [sintagma nominal] definido o alemão, Lopes (1972) descreveu o tipo de interpretação em causa como envolvendo o «alemão típico».
f. Algumas pessoas não fazem uma multidão.

Por outro lado, «perguntem ao leigo», sem mais, não é equivalente a «perguntem a um leigo»:

(4) Ontem encontrei-me com um leigo; perguntei ao leigo se ele concordava.
(5) Ontem, perguntei a um leigo se ele concordava.

O que legitima na tua frase que possas usar o leigo é o facto de este ter um valor genérico; caso contrário o teria de referir-se a uma pessoa em particular. Ter valor genérico só por si não é suficiente para ser indiferente qual o determinante a usar. Por exemplo, em contexto genéricos não caracterizadores, como as frases episódicas, só o determinante definido pode ser usado (pág. 850, exemplo daí):

(6) O chocolate/*Um chocolate foi introduzido na Europa pelos espanhóis.

Em todo o caso, creio estarmos perante uma frase caracterizadora. O teu exemplo não está completo, mas se o completarmos podemos ver que estamos a descrever uma cracterística dos leigos:

(7) Mas perguntem ao leigo se ele tem noção disto e ele dir-vos-á que não fazia ideia.

Ou parafraseando:

(8) O leigo não faz ideia de que o tabagista crônico não está apenas mais exposto a patalogias pulmonares e cardiovasculares.

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  • Em pt-PT, a frase a) não é usada; a frase e) seria no plural... exceto no caso de "o alemão típico", em que acho que seria usada no singular. :( Se calhar vou ter de abrir uma versão pt-PT desta pergunta... – ANeves Jan 24 '16 at 0:41
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    @ANeves Estás equivocado. A Gramática do Português descreve essencialmente a variante portuguesa e todas as frases me parecem completamente admissíveis. Exemplo para a 1a (CETEMPúblico): «Todo o português passará a receber os impostos e a entregar ao Estado os seus rendimentos, ordenados ou salários. Podes quando muito dizer que são menos comuns que outras alternativas. – Artefacto Jan 24 '16 at 1:05
  • Ora, parece mesmo que estou equivocado. Soa-me mesmo muito estranha, essa variante. – ANeves Jan 24 '16 at 2:34
  • Uma respsta clara e didática, e uma bela redação. (pelo menos na minha opinião) – Centaurus Jan 24 '16 at 13:19

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