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IN ENGLISH

In ptBR, we usually say "de nada" in reply to "obrigado/a"

e.g.

  • A. "Obrigado pela carona" (Thank you for giving me a lift.)
  • B. "De nada." (You're welcome)

I understand "obrigado" as a short form for "se você me pedir um favor, serei obrigado a lhe retribuir (if you ask me to do you a favor, I will feel obliged to repay it) It seems to me, therefore, that the right reply to "obrigado" would be "disponha" or something like that.

e.g.

A. Obrigado por me ajudar no trabalho hoje. (Thank you for helping me do my tasks today)

B. Disponha. (Feel free to ask again)

How did "de nada" originate and what does it stand for?

,

IN PORTUGUESE

No Brasil, nós somos acostumados a responder "de nada" quando alguém nos agradece.

Ex.:

A: Obrigado pela carona.
B: De nada.

Sei que "Obrigado" é como se fosse uma abreviação de

Se você me pedir um favor, serei obrigado a lhe retribuir.

Por isso, me parece que a expressão correta para se responder um "obrigado" seria "disponha" ou algo do gênero.

Ex.:

A: Obrigado por me ajudar no trabalho hoje.
B: Disponha.

Como surgiu essa forma de responder? E o que quer dizer "de nada"?


Observação: Por favor, sintam-se a vontade para traduzir a pergunta para o inglês. Eu não me sinto confortável escrevendo em inglês.

  • 1
    O segundo parágrafo possui uma explicação de "o que quer dizer "de nada". Agora, como surgiu eu não sei lhe dizer. – Randrade Nov 23 '15 at 15:36
  • 4
    Pelo que lembro, 'Obrigado' é a forma curta de 'Estou obrigado'; você me fez um favor, e eu me sinto obrigado a retribuir no futuro. Da mesma maneira, 'de nada' é a forma curta de 'Não estás obrigado de nada', inferindo que o esforço foi ínfimo. – OnoSendai Nov 23 '15 at 15:41
  • @OnoSendai O problema dessa teoria é que "obrigado" se usa com "a", não "de". – Artefacto Nov 23 '15 at 15:44
  • Achei interessante essa teoria @OnoSendai e Randrade, porém não faz muito sentido dizer "não estás obrigado de nada" ao invés de "não estás obrigado a nada". – LINQ Nov 23 '15 at 15:48
  • E se fosse "por nada" em vez de "de nada"? "Se você me pedir um favor, serei obrigado a retribuir-lhe." em resposta "Fiz de bom grado, não fiz isso a pensar em nada em troca, ou seja, fiz isso por nada" – Jorge B. Nov 23 '15 at 17:11
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Não consegui descobrir quando é que de nada começou a ser usado como resposta a um agradecimento. Mas no século XVIII, possivelmente até mesmo no limiar do século XX, a frase “Vossa Mercê não está obrigada de nada” não suscitaria qualquer estranheza e seria entendida como “Vossa Mercê não está obrigada por nada” ou “Vossa Mercê não tem qualquer obrigação.” Portanto, fosse qual fosse a origem de de nada, a sua adoção seria facilitada por obrigado de nada ser no passado, ao contrário do que se passa atualmente, imediatamente compreensível.

Esta questão existe também no SE Spanish Language sem uma explicação cabal da preposição de. Também para o falante moderno do castelhano a preposição por seria mais natural. Um comentário à pergunta diz que o de nada castelhano vem do francês de rien, que uma resposta à questão equivalente no SE French Language diz ser um redução de ne me remerciez de rien.

Vontando ao português, obrigado usou-se até pelo menos ao século XVIII com a preposição de. Obrigado de era entendido como obrigado por, forçado por. É possível que obrigado de fosse assim compreendido ainda no limiar do século XX:

Logo publicamente, obrigado do poder divino, confessou que era o demónio do inferno, o qual havia catorze anos que andava naquele castelo, (Francisco Saraiva de Sousa, Báculo pastoral de flores, 1624)

Nos 14 annos de Gorgoris succedeo o incendio de troya, e hum dos que prezunciarão esta fatalidade, foy Olisses Rey de Ithaca. Este na retirada, que fazia com os seus, obrigado de huma furiosa tormenta, entrou pelo Rio Tejo [...] (Frei Manoel da Mealhada, Promptuario historico II, 1760.)

Antônio José não só não seguiu nessa parte os modelos recentes, mas até carregou a mão sobre o que imitou de Plauto. A alegria do seu Anfitrião e da sua Alcmena é tão franca, tamanho é o alvoroço dos dous esposos, que realmente chega a ofender as leis da verossimilhança, ainda tratando-se de um caso divino. Neste ponto Antônio José foi antes inadvertido do que obrigado do gosto público. (Machado de Assis, Críticas, 1906.)

Esta ocorrência de obrigado de foi a única posterior ao século XVIII que encontrei com o sentido de obrigado por. Daí ter qualificado como apenas possível o seu uso ou compreensão no limiar do século XX. Possivelmente seria na altura um arcaísmo. Machado de Assis nasceu em 1839. Nos exemplos anteriores, é uma força exterior que obriga. Nos seguintes, o que obriga é um sentimento de gratidão. Em português moderno, poderíamos substituir o obrigado de por grato por::

O mancebo, alheio destes pensamentos, porém obrigado das mostras que lhe revelavam aquela afeição, determinou de lhe não ser ingrato (Francisco Rodrigues Lobo, Côrte na Aldeia e Noites de Inverno, 1607.)

Morto o Egypcio, [Antioco] renovou a guerra, e tomou Celesyria, Phenicia, e Judea. Diz Josepho, que obrigado do grande festejo com que os Judeos o receberaõ, eximira os Sacerdotes dos tributos, e lhe facultou o viverem conforme sa suas leys. (Frei Manoel da Mealhada, Promptuario historico I, 1760.)

Escreve Luciano, que indo Antioco contra os Galatas, lhe appareceo em sonhos a figura de Alexandre, a qual lhe deu hum sinal de tres triangulos por sinal e penhor do vencimento; e foy assim, que quando em meyo da batalha Antioco levantou aquella figura contra os Galatas, alcançou logo vitoria; de que obrigado Antioco mandou lavrar moeda, que continha de huma parte a figura revelada de Alexandre com os tres triangulos, e da outra estas letras Gregas ??????, que se interpretárão, saude; e methaforico, vitoria. (Francisco Manuel de Mello, Tratado da sciencia cabala, ou Noticia da arte cabalística, 1724.)

A passagem seguinte é a mais antiga em que eu encontrei obrigado usado praticamente como atualmente, mas em que o significado original é ainda muito explícito:

Sabereis que é já chegado o B~reve [?] muito à minha satisfaçao e assim já nao há necessidade de fazerdes viagem tao trabalhosa. Eu vos fico tao obrigado, como se efectivamente a empreendesseis e me mostrarei sempre à vossa boa vontade agradecido. (Manoel Consciência, Academia universal, 1732)

Como nesta época se dizia obrigado disto e obrigado daquilo, seria perfeitamente possível responder ao senhor, “não tendes que ficar obrigado de nada.” Com o desaparecimento da construção obrigado de, não admira que o de nada soe um nadinha misterioso ao falante moderno do português.

As mais antigas respostas que encontrei a um agradecimento foi no final do século XIX sob a forma não há de quê. Isto corresponde exatamente ao francês il n'y a pas de quoi. Em português poderiam ser entendidas como não tem de que agradecer ou não tem de que ficar obrigado.

ÂNGELO (Erguendo-se e entregando o cheque) - Obrigado pela comissão do marido. ESPOSENDE - Não há de quê. (Artur Azevedo, O Dote, 1888.)

LUÍSA - Obrigada... pela parte que me toca! DR. PEREIRA - Não há de quê! (França Júnior, As Doutoras, 1889)

  • Nos teus últimos exemplos, de refere-se ao substantivo, não a "obrigado". – Artefacto Nov 24 '15 at 1:08
  • 1
    E daí? "obrigado de uma tormenta" = "obrigado por uma tormenta". – Jacinto Nov 24 '15 at 1:14
  • Os exemplos do meio são convincentes e o Google Books também mostra outros tantos no século XVII e até alguns no século XIX (incluindo com o sentido de grato), mas no mínimo seria preciso mostrar que "de nada" já se usava no século XIX. Outra hipótese é ter vindo do espanhol. – Artefacto Nov 24 '15 at 1:14
  • Os últimos, não os primeiros: "assunto dos brindes", "caminho das margens". "Obrigado" não vem ao caso. – Artefacto Nov 24 '15 at 1:32
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Realmente "de nada" é a forma mais comum de responder a quem agradece com um "muito obrigado/a" no Brasil, mas não é a única. A variante "por nada" também é usada e talvez seja mais fácil de entender. "De nada" seria a forma de dizer "não tens obrigação de nada, não tens obrigação alguma, não te sintas obrigado a nada" e "por nada" seria "o que eu fiz não foi nada".

Mas se nenhuma delas te agrada, temos uma variedade imensa de expressões para transmitir o mesmo. Os paulistas gostam de dizer "imagina!", assim mesmo, como uma exclamação. O significado é literal: "imagina se vou achar que tu me deves alguma coisa por isso." Também há quem diga "disponha", "às ordens", "sempre às ordens", "não foi nada", "que isso?", "nada a agradecer", "não há de quê", ou até mesmo **ficar calado quando sabidamente aquele que agradece não espera ouvir uma resposta. Um exemplo típico é quando deixamos alguém passar à frente na rua, ou seguramos uma porta que vai fechar e as pessoas agradecem. Agradecem mas, sendo desconhecidos, dificilmente esperam uma resposta. Um "disponha" ou "sempre às ordens" nessas situações, pode transmitir erroneamente a intenção de se iniciar uma conversa.

Bem, as opções são muitas e a escolha fica por conta da intimidade que tu tens com o ouvinte e o tom de formalidade que desejas dar. Como surgiram as expressões? Surgiram da necessidade de também ser educado. No entanto, chama a atenção o fato de que em francês, a expressão é exatamente a mesma: "de rien". Será apenas mera coincidência?

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O dicionário da Real Academia Espanhola lista a expressão equivalente em castelhano com dois significados:

de [nada].
1. loc. adj. De escaso valor, sin importancia. Un librito de nada. Una cuestión de nada. Cosa de nada.
2. expr. U. como respuesta cortés cuando a alguien le dan las gracias por algo.

E de facto em português também se por dizer "é uma coisita de nada". Poderá portanto vir daí a expressão.

Possivelmente pode até ter sido introduzida através do espanhol. Saber a data em que entrou na língua poderia dar algumas pistas sobre essa questão, bem como se outras explicações, como a do Jacinto, são plausíveis.

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