13

Existe uma confusão no uso das palavras onde e aonde. Quando devo utilizá-las?

Exemplos:

  • Aonde você vai? ou Onde você vai?
  • Aonde fica o Cristo Redentor? ou Onde fica o Cristo Rendeiro?
  • 1
    Falta aqui uma resposta mais completa. – Jorge B. Jul 16 '15 at 8:06
11

Aonde = para onde. No exemplo que você deu, Aonde você vai?

Onde = em qual lugar. No exemplo que você deu, Onde fica o Cristo Redentor?

(Fonte)

| improve this answer | |
10

Observe que ambos os termos são advérbios de lugar, expressam a ideia de um local ou posicionamento.

Onde traz o significado de "em qual lugar", podendo ser utilizado também para se referir a um termo anterior na frase funcionando de modo similar a "que" com função de pronome relativo.

Onde estou?

Onde você vai morar?

"O meu lugar é onde você quer que ele seja."

Moro em uma cidade onde as pessoas não são loucas.

Aonde traz o significado de "para qual lugar", "para onde"; pode ser considerado como a simples junção da preposição a ao advérbio onde (a + onde = aonde). Portanto será usado para indicar movimento, transmitindo a ideia de lugar para o qual se vai.

Aonde eu vou?

Aonde você foi ontem?

Não te interessa aonde vou.

"Todos os caminhos estão errados quando você não sabe aonde quer chegar."

| improve this answer | |
6

As outras respostas refletem bem as abordagens prescritivas para este assunto. Mas a prática raramente as segue.

Aliás, no meio onde vivi (entre pessoas com alguma educação em Lisboa), onde é usado na maioria das situações em que se poderia (porventura deveria...) usar aonde. Uma frase como Onde é que vais? é muito mais comum do que Aonde é que vais?

aonde é mais raro e, quando é usado, não é feita a distinção prescrita. É-o tanto para direção como para significar o lugar em que, mas soa mais popular. E por muito que se queira insistir que aonde indica uma direção, a verdade é que o seu uso noutras situações está mais que consagrado na literatura (desde Camões a Fernando Pessoa).

Sobre o assunto diz a gramática de Cunha e Cintra:

Embora a ponderável razão de maior clareza idiomática justifique o contraste que a disciplina gramatical procura estabelecer, na língua culta contemporânea, entre onde (= o lugar em que) e aonde (= o lugar a que), cumpre ressaltar que essa distinção, praticamente anulada na linguagem coloquial, já não era rigorosa nos clássicos.

Para além de a distinção presecrita entre onde e aonde não existir na prática, confirma a Gramática do Português da Gulbenkian a referida preferência das camadas cultas por onde (p. 2103):

Os falantes mais cultos consideram a forma aonde (e adonde) marginal, correspondendo a um uso mais popular, e preferem a forma onde, independentemente do valor locativo associado. [...] [nota de rodapé: [A norma linguística de distinção entre onde e aonde] é relativamente recente, a avaliar pela descrição de Saudi Ali, que a situa no português moderno. Talvez o seu caráter recente esteja por detrás da recusa das camadas mais cultas em aceitar a forma aonde, em tempos considerada marginal.]

Ainda assim, os autores defendem que aonde é usado nalgumas circunstâncias, embora não por motivos relacionados com a dita regra e creiam que não seja um verdadeiro aonde. Continua:

No entanto, mesmo para alguns destes falantes, o uso das duas formas em orações relativas com antecedente implícito não é tão livre quanto possa parecer pelos outros contextos.
Assim, quando o antecedente é explícito, se a construção relativa (recorda-se: o sintagma nominal que contém o antecedente - implícito, neste caso - e a oração relativa) estiver integrada num constituinte com valor locativo dinâmico de destino (valor esse determinada na oração principal), a forma onde é considerada estranha pelos falantes, mesmo que o constituinte relativo tenha um valor estático na oração relativa:
(i) a.    No domingo vamos aonde nos conhecemos _.
    b. ??No domingo vamos onde nos conhecemos _.
Em contrapartida, se a construção relativa estiver associada a um valor locativo estático na oração principal, onde é preferível a aonde, mesmo que o constituinte relativo tenha um valor locativo de destino na oração relativa:
(ii) a.   No domingo estivemos onde tu foste _ no verão.
     b. ?No domingo estivemos aonde tu foste _ no verão.
Para estes falantes, a alternância condicionada entre onde e aonde nestes contextos parece ser determinada pelo valor semântico da construção relativa na oração principal. Assim, quando este valor é dinâmico, de destino, como em (i) (neste caso determinado pelo verbo ir), a forma preferida aonde, independentemente do valor locativo do pronome na oração relativa.

A explicação será esta:

Ao valor locativo de destino está associada a preposição a, enquanto ao valor locativo estático está associada a preposição em, não ocorrendo esta última quando o locativo corresponde ao pronome relativo onde. Em (ia), apesar de haver uma fusão fonética e ortográfica da preposição a com o pronome, o constituinte relativo é apenas onde, visto que a preposição pertence, na realidade, à oraçào principal, sendo selecionada pelo verbo ir; ou seja, a preposição introduz o antecedente implícito da oração relativa [marcado a seguir por _]: a _ [[onde] ...] cf. ao lugar onde... Portanto, é natural que mesmo falantes que associam a forma aonde a registos mais populares prefiram (ia) e rejeitem (ib), pois aqui não se trata de variação lexical entre os pronomes onde e aonde, mas sim da aplicação de um requisito que condiciona a estrutura da frase. Esses mesmos falantes rejeitarão totalmente (iib), da mesma forma que rejeitam orações como aonde foste?.

| improve this answer | |
  • Excelente ponto a ser feito. Uso popular e licença poética. – 0rkan Aug 27 '15 at 14:11

Your Answer

By clicking “Post Your Answer”, you agree to our terms of service, privacy policy and cookie policy

Not the answer you're looking for? Browse other questions tagged or ask your own question.