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Se tivermos uma pergunta como a seguinte:

É a aula muito difícil para ti?

Sei que é possível responder assim com objeto direto:

É-o para mim.

Igualmente, é possível responder assim com pronome indireto:

É-me difícil, sim.

Então, é possível responder assim?

É-mo, sim.

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    Oh joy! An emo question! :) – tchrist Sep 8 '15 at 17:05
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    @tchrist Quer-me parecer que sabes qualquer coisa que não nos estás a contar! – Jacinto Sep 8 '15 at 19:16
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Em Portugal nós fazemo-lo:

Quando me devolves o livro? — Devolvo-to amanhã.

Já alguém lhe contou o que se passou? — Contei-lho eu hoje.

Fazes-me um favor? — Far-to-ei com prazer.

Com o nos ou vos + artigo é diferente:

Sei uma história interessantíssima! — Conta-no-la, vá lá! — Contar-vo-la-ei, tenham calma.

Para confirmar, escrevi isto no Word, e nem um milímetro de sublinhado vermelho!

Agora, nos exemplos acima, o e a representam substantivos ou expressões como o que se passou, enquanto no exemplo da pergunta, o representa o adjetivo difícil. Resta saber se também isto é gramatical. Eu terei que investigar isto melhor, mas para já arrisco que sim. Apesar de é-mo, sim não me soar bem, o exemplo abaixo é gramaticalmente idêntico e já me agrada. (É-mo, sim não me soa bem por ser ultrabreve e não se ganhar nada em relação a é-me difícil, sim.)

A aula foi difícil para ti? — Foi-mo, e de que maneira!

Agora, em conversa coloquial, o mais certo seria dizermos simplesmente, "Foi, e de que maneira!"

Tenho ideia que no Brasil (amigos brasileiros, pronunciai-vos!) estas contrações são menos usadas que em Portugal, o que uma única consulta a este Corpus do Portugês parece confirmar. Da pesquisa de é-me resultaram 57 ocorrências de autores portugueses e apenas duas de autores brasileiros! E as duas do princípio do século XX.

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  • Sei que e possível quando se trata dum substantivo, mas não sabia se for possível quando o objeto é atributivo (ao menos, é o término usado em espanhol e asturiano para o pronome neutro usado para adjetivos com ser, não sei o seu equivalente no português) – user0721090601 Sep 8 '15 at 18:06
  • Referes-te a coisas como o teu exemplo, em que "o" representa "difícil"? Mesmo que soubesse os termos em português, provavelmente eu não os saberia! – Jacinto Sep 8 '15 at 18:11
  • Refero-me sim. É sempre -o sem importância do género do substantivos ao que se aplica. O meu professor (brasileiro) disse que era impossível, mas mesmo dizia que ninguém diria é-me. Mas como vi várias vezes coisas como é-me, não sabia se houvesse uma restrição gramatical verdadeira, mera falta de uso popular mas compreensível, o se for muito comum. – user0721090601 Sep 8 '15 at 18:17
  • É-me difícil está definitivamente correto. Ninguém diria é-me será meramente um exagero dele, para dizer que, talvez especialmente no Brasil, é incomum? Parece-me que, na linguagem coloquial, os brasileiros usam menos estas contrações do que os portugueses. – Jacinto Sep 8 '15 at 18:22
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    Num corpus do português encontrei 57 ocorrências de é-me em autores portugueses, e só dois em autores brasileiros, ambos do princípio do século XX. – Jacinto Sep 8 '15 at 18:28

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